Produção bacteriana de moléculas tensoativas para fins biotecnológicos

Data

2024-03-08

Autores

Vicente, Bianca Jesus

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Resumo

Produzidos por microrganismos, os biossurfactantes são moléculas anfipáticas, biodegradáveis e de baixa toxicidade, com propriedades emulsificantes e tensoativas, além de possuírem maior estabilidade do que os surfactantes sintéticos sob condições extremas. Este estudo teve por objetivo produzir, extrair, caracterizar e aplicar biossurfactantes oriundos de bactérias dos gêneros Acinetobacter, Bacillus e Pseudomonas isoladas de alho roxo comercializado na região norte do Paraná. Para tanto, realizou-se um teste inicial com o intuito de verificar a capacidade de produção de biossurfactante das bactérias. A linhagem que produziu o biossurfactante com melhor índice de emulsificação de 24h (IE24) foi selecionada para prosseguimento da pesquisa. Após a seleção, avaliou-se a produção de biossurfactante em meios de cultivo com diferentes composições. Em seguida, verificou-se a estabilidade da emulsão em função de tempo, temperatura, pH e concentração salina. Avaliou-se a atividade emulsificante com diferentes compostos hidrofóbicos, a capacidade de dispersão de óleo de motor usado, a citotoxicidade, a atividade antiviral e antioxidante. Além disso, realizou-se a caracterização do biossurfactante extraído. Bacillus cereus UELAsF2.2 apresentou um IE24 (58,53 ± 4,01%) superior às demais culturas (p < 0,05), sendo escolhida para o prosseguimento do estudo. Dentre os diferentes meios de cultivo testados, os melhores resultados de IE24 foram nos meios Dyg’s total (64,87 ± 2,2%), Dyg’s sem glicose (62,13 ± 0,7%), Dyg´s sem glicose + 2% de óleo de soja usado (60,8 ± 1,6%), Dyg´s sem glicose e peptona + 2% de óleo de soja usado (60,43 ± 0,6%) e Dyg´s sem glicose e extrato de levedura + 2% de óleo de soja usado (63,47 ± 0,5%), não havendo diferença estatística entre eles. Os biossurfactantes produzidos nessas condições apresentaram ainda, capacidade de emulsificação para compostos hidrofóbicos como hexadecano (IE24= 64,5%), estabilidade da emulsão ao longo de 60 dias e frente a variações de temperatura e salinidade. Foi possível verificar que o meio de cultivo teve influência na estabilidade frente a variações de pH. O biossurfactante não foi considerado citotóxico para a linhagem celular Vero ATCC CCL81, com mais de 70% de viabilidade celular na concentração de 500 µg/mL. O biossurfactante exibiu atividade antiviral contra o Herpes vírus simples 1 (HSV-1) (cepa KOS) com 100% de inibição na concentração de 400 µg/mL. Apresentou também atividade antioxidante, determinada pelos métodos DPPH• e inibição dos radicais ABTS. As análises de FT-IR e HPLC mostraram que o biossurfactante produzido pela bactéria Bacillus cereus apresenta similaridades químicas de surfactina, pertencente à classe dos lipopeptídeos.

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Palavras-chave

Biossurfactante, Bacillus cereus, Lipopeptídeos e Surfactina, Surfactina, Lipopeptídeos, Biotecnologia, Microrganismos, Atividade antioxidante, Citotoxicidade

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