Exposição materna oral ao cyantraniliprole durante os períodos gestacional e lactacional altera o sistema reprodutor feminino e masculino da prole púbere e adulta de ratos Wistar
Data
2024-01-31
Autores
Menezes, Ana Camila Ferreira de
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Resumo
Desde 2008 o Brasil vem sendo o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, tendo vários casos de intoxicação notificados. Dentre os vários efeitos colaterais que podem ser causados devido exposição crônica a essas substâncias podemos destacar a infertilidade, a impotência sexual, abortos e malformações, neurotoxicidade, alterações hormonais e maior risco de câncer. O cyantraniliprole surgiu como uma proposta de nova moléculas inseticidas menos nociva. Esse tóxico possui modo de ação sistêmico, atuando por ingestão e contato, através da ativação dos receptores de rianodina, ocasionando uma massiva liberação de cálcio. De acordo com a bula do produto registrada no Ministéria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), não apresenta toxicidade aguda significante pelas vias de exposição oral, dérmica e inalatória para mamíferos. Porém, por ser uma substância nova, não há estudos na literatura sobre os efeitos a longo prazo na saúde de humanos e outros mamíferos. Dessa forma, o objetivo do trabalho foi avaliar se a exposição ao cyantraniliprole durante os períodos gestacional e lactacional podem trazer prejuízos para o desenvolvimento do sistema reprodutor feminino e masculino da prole de ratos Wistar. Para isso, ratas Wistar foram colocadas para acasalar e ao diagnóstico de prenhez foram divididas nos grupos experimentais: Controle (C), Cyantraniliprole 1 mg/kg/dia (C1), Cyantraniliprole 10 mg/dia (C10) e Cyantraniliprole 150 mg/kg/dia (C150). O presente trabalho foi aprovado pela CEUA-UEL, ofício 20/2020. Foram avaliados os parâmetros gestacionais, o comportamento materno e o desenvolvimento físico da prole ao nascer. Após atingirem a puberdade e a idade adulta, foram feitas as eutanásias e foram coletados os úteros e os ovários das fêmeas para análise histológica e bioquímica de estresse oxidativo, e os testículos e epidídimos dos machos para análise histopatológica. Os dados obtidos foram analisados quanto normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk e posteriormente através de ANOVA com teste de Tukey a posteriori. Foi utilizado o nível de significância de 5%. Foi possível verificar que a dose de 150 mg/kg/dia é inviável para esse delineamento experimental. A análise do comportamento materno com perturbação mostrou que a mãe apresenta maior contato com os filhotes, menor tempo de autolimpeza e de limpeza dos filhotes nos grupos C1 e C10, e no grupo C10 as mães ainda apresentaram maior tempo amamentando e menor tempo sem interação com os filhotes. As análises histológica e de estresse oxidativo dos ovários das fêmeas púberes e adultas não indicaram alterações em nenhum dos grupos e nenhuma das idades. Já a análise dos úteros indicou alteração estrutural, A análise de morfometria uterina indicou um espessamento do perimétrio dos animais de ambas as idades, nos grupos C1 e C10 quando comparados com o controle. Já na análise do miométrio foi possível observar um espessamento apenas nos animais púberes do grupo C1 e nos animais adultos do grupo C10, quando comparados os dados ao controle. O endométrio apresentou espessamento nos animais púberes dados grupos C1 e C10 comparados ao controle, enquanto os adultos não apresentaram alteração significativa. Dessa forma é possível concluir que a ingestão de cyantraniliprole pelas mães durante prenhez e lactação é capaz de alterar o desenvolvimento uterino e pós-natal da prole, alterando a estrutura e a bioquímica do útero de ratas púberes e adultas
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Palavras-chave
Agrotóxicos, Sistema reprodutor, Gestação, Lactação, Toxicologia, Ratos Wistar, Estresse oxidativo