Estudo fenotípico e genotípico de Escherichia coli isoladas em culturas de urina de crianças no município de Londrina - PR
Data
2025-08-06
Autores
Paiva, Ronaldo Silveira de
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Resumo
Escherichia coli é um microrganismo Gram-negativo pertencente à família Enterobacteriaceae e membro da microbiota intestinal de humanos e de animais, reponsável por vários tipos de infecções. É o principal patógeno de ITU pediátricas e tem apresentado aumento progressivo da resistência bacteriana mediada pela produção de ß-lactamases de espectro estendido (ESBL). A resistência bacteriana é um problema de saúde pública global, que pode ter sido agravado com o advento da pandemia de COVID-19. Neste intuito, foi realizado um estudo epidemiológico, fenotípico e genotípico, de isolados de Escherichia coli, de urina de crianças atendidas nos serviços de atenção básica de Londrina, de 01/06/2016 a 05/05/2023. Foi realizado um estudo descritivo, que analisou o perfil de sensibilidade aos antimicrobianos, e descreveu os dados demográficos como sexo e idade das crianças. E um estudo molecular, que pesquisou os fatores de virulência e ilhas de patogenicidade (PAI), classificação filogenética, de 89 isolados de E. coli, sendo 44 ESBL e 45 não-ESBL, do período de 01/01/2021 a 09/09/2022.Foi realizado a análise do perfil de sensibilidade antimicrobiana e comparados os períodos pré-pandêmico (estudo 1) e pandêmico (estudo 2), utilizando os testes Qui-quadrado, Mann-Whitney e Regressão de Poisson no programa IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 25.0. O estudo 1 mostrou que a mediana da idade das crianças foi de 3 anos e acima de 90% eram meninas. No estudo 2, houve diminuição da idade (4,41 anos para 3,86 anos) e aumento dos isolados ESBL (3,7% para 11,3%) e das culturas de meninos (6,1% para 15,3%). Os isolados apresentaram aumento na resistência (p<0,001), no estudo 2, para ceftriaxona, ciprofloxacina, norfloxacina e para piperacilina/tazobactam (p=0,026), e diminuição da resistência para cefalosporinas de primeira geração (p<0,001) e nitrofurantoína (p=0,002). O estudo molecular mostrou que os isolados de E. coli, o sistema de aquisição de ferro iutA foi o mais prevalente (77,5%). Houve diferença estatística entre os grupos ESBL e não ESBL em relação aos fatores de virulência fimH e hlyA, com fimH de 21% nos isolados ESBL e 40% nos isolados não ESBL e hlyA de 14% nos isolados ESBL e 4% nos isolados não ESBL. A ESBL mais prevalente foi do grupo CTX-M2. A ilha de patogenicidade PAI IV536 foi a mais prevalente entre os isolados (52,8%), com resultado significativo com frequência maior nos isolados ESBL (81,8%). Quanto à classificação filogenética, o grupo mais prevalente foi o B2 (41,6%). Foi possível verificar que houve aumento da resistência bacteriana no periodo pandêmico, na maioria dos antimicrobianos analisados, com aumento dos isolados ESBL, o que diminui a indicação do uso empírico em infecções urinárias de crianças. A análise molecular mostrou que E. coli possui vários fatores de virulência que favorecem a infecção urinária, com diferença entre os isolados ESBL e não ESBL. A PAI IV536 foi a mais prevalente entre todos os isolados, assim como o grupo filogenético B2. A pesquisa reforça a importância de estudos fenotípicos, genotípicos e epidemiológicos locais de E. coli, principalmente nas infecções em grupos vulneráveis como a população pediátrica, pois podem melhorar a assistência e prevenir a resistência bacteriana
Descrição
Palavras-chave
Infecção urinária, Resistência microbiana, Escherichia coli, Fatores de virulência, Resistência microbiana a medicamentos