Ação inibitória de enterocina e de nanopartículas de prata biogênica conjugadas com enterocina contra patógenos bacterianos
Data
2025-10-22
Autores
Souza, Nathália Aparecida Andrade de
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Resumo
A resistência antimicrobiana representa um desafio crescente para a saúde pública e a segurança alimentar, exigindo novas estratégias de controle. Espécies do gênero Enterococcus destacam-se pelo potencial biotecnológico e clínico. Nesse contexto, este trabalho investigou o potencial antimicrobiano de enterocinas de Enterococcus durans, avaliando seu uso isolado e associado à nisina, ácido lactobiônico (LBA) e nanopartículas de prata biogênicas (bio-AgNP), visando o controle de patógenos bacterianos de importância clínica e alimentar. E. durans MF5 foi caracterizado quanto a presença de genes codificadores de enterocinas. Assim, foi possível identificar a presença de quatro genes codificadores de enterocina (entA, entB, entP e entX), revelando que esta cepa pode ser considerada produtora de múltiplas enterocinas. A natureza proteica da enterocina obtida de E. durans MF5 foi confirmada pela perda da atividade antibacteriana após tratamento com tripsina, quimotripsina, protease e proteinase K. Além disso, apresentou estabilidade térmica durante o tratamento a altas temperaturas. Ao avaliar a ação antibacteriana de Ent-MF5, houve efeito bactericida contra L. monocytogenes, com redução significativa de células viáveis, em concentrações iguais ou superiores a 0,13 μg/mL. Adicionalmente, Ent-MF5, LBA e nisina apresentam atividade antibacteriana contra S. aureus ATCC-25923, tanto testadas isoladamente e em combinação com ent-MF5, em células planctônicas. As nanopartículas obtidas por sintese verde (Bio-AgNP) conjugadas com enterocina (nanoconjugados), apresentaram ação antibacteriana contra todos as linhagens bacterianas testadas, sensíveis e resistentes (Enterococcus faecium ATCC 6569, EF29 e EF34; Staphylococcus aureus ATCC 25923, N315 e BEC-939). A concentração inibitória mínima (MIC) das bio-AgNPs para as bactérias testadas foi de 1,5 μg/mL (E. faecium) e 3,1 μg/mL (S. aureus). Além disso, a ação de bio-AgNP sobre biofilmes formados em superfícies de poliestireno pelas cepas de E. faecium e S. aureus foi investigada. No ensaio com cristal violeta, observou-se uma redução de até 20% na biomassa total de E. faecium e até 51% para S. aureus na concentração de 0,5×MIC. A atividade metabólica das células sésseis, avaliada por XTT, revelaram diminuição de até 91% na atividade de E. faecium e 23% para S. aureus na concentração de 0,5×MIC. As nanopartículas afetaram principalmente as células persistentes nos biofilmes de E. faecium ATCC-6569 (98,51 ± 0,09%), E. faecium EF29 (96,68 ± 0,3%), S. aureus ATCC-25923 (97,65 ± 0,36%) e S. aureus N315 (99,52 ± 0,02%). Em conclusão, as enterocinas apresentaram importante ação antibacteriana, principalmente quando avaliadas em associação às nanopartículas de prata, importante para as cepas resistentes e ação antibiofilme. Além disso, ao avaliar as enterocinas combinadas à nisina ou LBA, houve redução do crescimento bacteriano e redução da concentração de uso dos compostos.
Descrição
Palavras-chave
Antibacterianos, MRSA, VRE, Listeria monocytogenes, Bacteriocinas, Resistência antimicrobiana, Nanopartículas de prata biogênicas, Células, Staphylococcus aureus, Enterococcus faecium