Caracterização fenotípica e genotípica de Escherichia coli resistentes à polimixina isoladas de hortaliças comercializadas no norte do Paraná
Data
2025-02-25
Autores
Nascimento, Arthur Bossi do
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Resumo
Hortaliças são componentes essenciais de uma dieta saudável e frequentemente consumidas cruas, o que pode facilitar a transmissão de patógenos como E. coli. Além de causar infecções, E. coli pode disseminar genes para outros microrganismos, como o mcr-1, que confere resistência às polimixinas. A resistência a antimicrobianos, especialmente à polimixina, um dos últimos recursos terapêuticos contra infecções por bactérias multirresistentes, tem se tornado uma preocupação crescente. Diante disso, torna-se importante avaliar a prevalência desses microrganismos em hortaliças. Este estudo teve como objetivo caracterizar fenotipicamente e genotipicamente cepas de E. coli resistentes à polimixina isoladas de hortaliças comercializadas em Londrina, PR, entre outubro de 2022 e fevereiro de 2023. De 514 amostras analisadas, foram analisadas 10 cepas de E. coli resistentes à polimixina, sendo 5 provenientes de alface, 2 de almeirão e 3 distribuídos entre agrião, couve e rúcula. A resistência à polimixina foi determinada por microdiluição em caldo, onde 8 isolados apresentaram Concentração Inibitória Mínima (CIM) de 4 mg/L, enquanto 2 cepas demonstraram CIM de 8 mg/L e 16 mg/L, respectivamente. O teste de sensibilidade aos antimicrobianos mostrou que todas as cepas eram produtoras de AmpC, além de outras resistências. Quatro cepas transferiram a resistência à polimixina por conjugação, indicando a capacidade de transferência deste gene por plasmídeos. O sequenciamento do genoma revelou cepas de diferentes STs, sendo o mais prevalente o ST48 e presença de genes associados à patogenicidade, como csg, ibeC, ibeB, entre outros. Além de apresentar dois plasmídeos com o gene mcr-1, p0111_1__AP010962 e IncI1I(Alpha)_1__AP005147. A análise filogenética indicou relações das cepas com fontes diversas, como ambiente e animais. Este estudo reporta, pela primeira vez no Brasil, a presença de E. coli resistente à polimixina em hortaliças, destacando o risco zoonótico e a disseminação de genes de resistência por meio de plasmídeos móveis. Os resultados reforçam a necessidade de um monitoramento contínuo desses alimentos para mitigar a propagação da resistência antimicrobiana e proteger a saúde pública.
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Palavras-chave
Segurança dos alimentos, Conjugação bacteriana, Saúde Única, Hortaliças, Escherichia coli, Microrganismos, Polimixina, Bactérias