02 - Mestrado - Ciências Biológicas
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Navegando 02 - Mestrado - Ciências Biológicas por Assunto "Abelhas das orquídeas"
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Item Análise dos compostos da glândula tibial de machos Euglossini (Hymenoptera: Apidae) em fragmentos de Mata Atlântica no norte do Paraná(2025-02-26) Cesar, Giovanna Gabriely; Sofia, Silvia Helena; Alves, Denise de Araújo; Augusto, Solange Cristina; Toci, Aline TheodoroA tribo Euglossini pertence à família Apidae e inclui cerca de 250 espécies, distribuídas em cinco gêneros. Estas abelhas desempenham papel importante na polinização de dezenas de famílias de Angiospermas, sobretudo espécies de orquídeas. Os machos da tribo possuem comportamento característico de coletar e armazenar, nas tíbias posteriores, fragrâncias de fontes florais e não-florais, compondo um “buquê” espécie-específico, que tem função na atração de fêmeas para o acasalamento. Poucos estudos avaliam a elaboração destes buquês de compostos em ambientes fragmentados, como é o caso da Mata Atlântica. O objetivo deste trabalho foi analisar os compostos presentes no conteúdo tibial de machos de Euglossa annectans Dressler, 1982 e Euglossa pleosticta Dressler, 1982, amostrados em sete fragmentos de Mata Atlântica no norte do Paraná, verificando variações nos buquês, a depender do fragmento. As coletas foram realizadas em quatro fragmentos em área rural e três fragmentos urbanos. Os machos foram atraídos a iscas odoríferas e o conteúdo das tíbias posteriores destes (E. annectans – n = 70; E. pleosticta – n = 68) foi analisado em um sistema de cromatografia em fase gasosa acoplado a um espectrômetro de massas (CG-EM). Estes machos também foram classificados quanto ao nível de desgaste alar, em busca de testar a correlação deste traço com a composição de compostos químicos encontrados. Adicionalmente, foram analisadas amostras provenientes da cabeça de indivíduos das duas espécies (possível conteúdo da glândula labial cefálica e hidrocarbonetos cuticulares), sendo os compostos encontrados excluídos das análises de conteúdo tibial. Foram identificados 336 compostos no conteúdo tibial de E. annectans e 347 para E. pleosticta, com 125 químicos comuns às duas espécies. A maioria dos compostos achados foi da classe dos terpenos, para as duas espécies. Para E. annectans, somente 24 compostos foram comuns a todas as áreas e, para E. pleosticta, apenas 37 apareceram nas sete áreas. Assim, foi vista alta variação e dissimilaridades consideráveis entre as áreas de amostragem, para as duas espécies. Também, foi vista uma dissimilaridade alta entre as espécies. O número de compostos por área variou de 65 a 144, para E. annectans e 97 a 151 para E. pleosticta. Além disso, houve alta variação no número de compostos por indivíduo, para as duas espécies, variando de 4 a 58 para E. annectans e 6 a 53 para E. pleosticta. Verificamos uma baixa relação entre desgaste alar, indicador de idade, e a composição do conteúdo tibial, para as duas espécies. Diante dos resultados, o trabalho contribui para a caracterização das substâncias químicas coletadas e armazenadas por machos destas espécies e das variações que uma paisagem fragmentada e heterogênea pode gerar na elaboração dos buquês, de forma intraespecífica.Item Diferenças na estrutura das comunidades de abelhas Euglossini de remanescentes de Mata Atlântica no norte do Paraná(2026-02-25) Marcuz, João Caetano; Sofia, Silvia Helena; Ribeiro, Milton Cezar; Aguiar, Willian Moura deO norte do Paraná sofreu rápido processo de desmatamento que eliminou quase toda sua cobertura original de Mata Atlântica, representada pela fitofisionomia Floresta Estacional Semidecidual (FES). Nesse cenário, torna-se relevante compreender como comunidades de abelhas estão estruturadas nos remanescentes florestais e os efeitos da paisagem fragmentada nesses insetos. O presente estudo amostrou machos de Euglossini (Hymenoptera: Apidae) em dez remanescentes de Mata Atlântica e mapeou e caracterizou a paisagem do entorno destes remanescentes. Os machos foram coletados com rede entomológica atraídos a iscas odoríferas de sete fragrâncias. Em cada local, foram realizadas oito amostragens de três horas de duração, totalizando 24h de esforço, entre outubro de 2024 e março de 2025. A diversidade das comunidades foi estimada para cada ponto de coleta, assim como índices de similaridade/dissimilaridade para acessar a ß-diversidade entre áreas. Para analisar os efeitos da composição e da configuração da paisagem sobre a estrutura das comunidades, utilizamos o Fator de Inflação da Variância (VIF) e modelos lineares generalizados (GLM, do inglês) em diferentes escalas espaciais. Foram coletados 1442 indivíduos, distribuídos em quatro gêneros (Euglossa, Eulaema, Eufriesea e Exaerete) e 11 espécies, com a espécie Eulaema cingulata Fabricius registrada pela primeira vez no norte do Paraná. A riqueza variou de sete a dez espécies por fragmento e a abundância de machos coletados oscilou de 58 a 246 indivíduos. Os índices de diversidade de Shannon variaram de 0,58 a 1,82; a dominância de Berger Parker, de 0,26 a 0,85; e a equidade de Pielou, de 0,30 a 0,88. Dentre os resultados, foi registrada uma ampla variação na abundância de Euglossa annectans Dressler, espécie mais frequente do estudo (45,7% dos indivíduos), presente em nove fragmentos florestais. Esta espécie foi dominante em sete áreas, representando 85% da amostra em um remanescente de uma propriedade privada (Fazenda Paiquerê), mas apenas 13% em um Parque Municipal. O Parque Estadual de Ibiporã, apesar de pequeno e urbano, apresentou a maior riqueza de espécies. Em relação a beta diversidade, os valores do índice de Renkonen variou de 13,76 a 87,72. Os resultados revelam que embora as comunidades de Euglossini no norte do Paraná compartilhem grande parte das espécies, elas diferem substancialmente em sua organização quantitativa e em sua composição proporcional. Nossos resultados indicam influência -diversidade das comunidades amostradas, em especial a riqueza, com redução no número de espécies com o aumento do número de fragmentos. Tais informações reforçam o caráter bioindicador das abelhas Euglossini frente as alterações de habitat e podem subsidiar medidas de manejo voltadas à conservação, especialmente em áreas que apresentaram baixa diversidade e forte dominância de poucas espécies.