01 - Doutorado - Ciências da Reabilitação
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Navegando 01 - Doutorado - Ciências da Reabilitação por Autor "Azevedo, Vivian Mara Gonçalves de Oliveira"
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Item Influência da duração da ventilação mecânica e das estratégias ventilatórias no desenvolvimento da displasia broncopulmonar em prematuros extremos(2026-04-14) Escobar, Victoria Cristina; Probst, Vanessa Suziane; Azevedo, Vivian Mara Gonçalves de Oliveira; Proença, Mahara-Daian Garcia Lemes; Motta, Thais Jordão Perez Sant'Anna; Pereira, Silvana AlvesIntrodução: A displasia broncopulmonar (DBP) é uma importante complicação em recém-nascidos com idade gestacional inferior a 28 semanas. Apesar de sua fisiopatologia multifatorial, a exposição à ventilação mecânica invasiva constitui um dos principais determinantes da lesão pulmonar nessa população, especialmente considerando a vulnerabilidade do pulmão imaturo nas fases iniciais do desenvolvimento. Esta tese teve como objetivo analisar a associação entre estratégias ventilatórias e o desenvolvimento de DBP em prematuros extremos, com ênfase no impacto do tempo cumulativo de ventilação mecânica invasiva na gravidade da doença. Métodos: Foram realizados dois estudos complementares. Inicialmente, uma revisão narrativa da literatura foi conduzida com busca na base PubMed/MEDLINE entre janeiro de 2016 e janeiro de 2026, incluindo estudos originais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas que abordassem modalidades ventilatórias e desfechos respiratórios em recém-nascidos prematuros extremos. Em seguida, foi desenvolvido um estudo de coorte retrospectivo multicêntrico, com dados clínicos prospectivamente inseridos no banco da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais, envolvendo 17 centros. Foram inclusos 1075 recém-nascidos com idade gestacional =28 semanas, com diagnóstico de DBP e exposição à ventilação mecânica invasiva, que sobreviveram por mais de 28 dias. A curva Receiver Operating Characteristic (ROC) foi utilizada para identificar o ponto de corte do tempo em ventilação mecânica associado à DBP moderada/grave, seguida de regressão logística multivariada e validação interna. Resultados: A revisão narrativa demonstrou que estratégias ventilatórias protetoras voltadas à redução da exposição à ventilação mecânica invasiva são fundamentais para menores taxas de DBP. A ventilação não invasiva precoce, especialmente a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), reduz a necessidade de intubação e o tempo de ventilação invasiva, enquanto modalidades invasivas isoladas não demonstram benefício consistente na redução da incidência da doença. A ventilação com volume alvo reduz volutrauma, mas seu impacto sobre a DBP depende da exposição cumulativa ao longo do tempo. Outras modalidades avançadas, como a ventilação de alta frequência e assistência ventilatória ajustada neuralmente (NAVA) apresentam benefícios fisiológicos, mas carecem de evidência robusta quanto à redução da incidência da doença. No estudo multicêntrico, o ponto de corte de 33 dias ou mais de ventilação mecânica invasiva apresentou sensibilidade de 62%, especificidade de 86% e área sob a curva de 0,82 para discriminar DBP moderada/grave. A ventilação mecânica por =33 dias associou-se de forma independente à DBP moderada/grave (Odds Ratio [OR] 9,34; Intervalo de confiança [IC] 95% 6,35–13,75). A hipertensão pulmonar associou-se positivamente à gravidade (OR 2,33; IC 95% 1,31-4,15), enquanto maior peso ao nascimento (OR 0,997; IC 95% 0,996-0,998) apresentou efeito protetor. Na amostra de validação, 84,5% dos pacientes com DBP moderada/grave foram expostos à ventilação mecânica por =33 dias. Conclusão: A duração cumulativa da ventilação mecânica invasiva constitui marcador temporal independente e clinicamente relevante para identificação de prematuros extremos com maior risco de DBP moderada/grave. Os achados reforçam que a redução da incidência da DBP depende menos da escolha isolada de uma modalidade ventilatória e mais da adoção de estratégias precoces e integradas que minimizem a exposição prolongada ao suporte invasivo no pulmão imaturo.