Aumento do shelf life de inoculantes à base de Azospirillum brasilense com protetores celulares, seu efeito sobre a cultura do milho e compatibilidade com produtos químicos
Data
2025-02-25
Autores
Carvalho, Aryane Lima de
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Resumo
O uso de microrganismos benéficos na agricultura, os chamados bioinsumos, vem crescendo significativamente nos últimos anos como alternativa para reduzir a dependência de insumos químicos. As bactérias promotoras do crescimento de plantas (BPCP) oferecem vários benefícios às plantas por meio de efeitos nutricionais ou atenuações de estresses bióticos e abióticos. As estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense estão entre as BPCP mais bem caracterizadas e utilizadas na agricultura brasileira. Entretanto, a fabricação de inoculantes à base dessas estirpes tem sido um desafio devido ao seu tempo curto de prateleira (shelf life) e susceptibilidade a estresses ambientais, o que pode limitar seu uso. O uso de dissacarídeos e biopolímeros em formulações de inoculantes vem sendo uma estratégia para aumentar a proteção e a viabilidade celular. Este estudo teve como objetivo desenvolver formulações de inoculantes contendo aditivos visando a ação protetora celular das estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de A. brasilense, o aumento do shelf life e de benefícios à planta hospedeira. Em laboratório, foram testadas individualmente quatro aditivos (goma guar, pullulan, sacarose e trealose), adicionadas no meio de cultivo para crescimento de A. brasilense. Para a avaliação do shelf life, as estirpes foram cultivadas em meio de cultura contendo o aditivo não utilizado como fonte de C pelo microrganismo. Os cultivos foram envasados assepticamente em bags e avaliados mensalmente por meio de recuperação celular durante dez meses. A eficiência agronômica das formulações na cultura do milho em casa de vegetação e em campo foi avaliada, assim como e a compatibilidade de A. brasilense em caldas contendo produtos químicos. Os quatro aditivos proporcionaram individualmente a produção de células de A. brasilense na ordem de 2 × 108 UFC mL-1. No entanto, a trealose com concentração 5% apresentou o melhor resultado para as duas estirpes de A. brasilense, tendo sido escolhida como aditivo na formulação, o que resultou em manutenção do shelf life por seis meses nas bags sem tamponante e por dez meses nas bags com agente tamponante. A trealose na concentração a 2% foi testada em campo, proporcionando aumento da produtividade e do teor de nitrogênio foliar do milho. A trealose com concentração 5%, escolhida para avaliação da compatibilidade de A. brasilense com fertilizantes líquidos em calda, não demonstrou efeito protetor, visto que na presença de três dos fertilizanes adicionados, não houve sobrevivência do microrganismo. O quarto fertilizante, entretanto, foi compatível e manteve a sobrevivência das estirpes testadas. Este estudo destaca o potencial da adição de trealose às formulações, estabilizando e otimizando a viabilidade celular de A. brasilense, além de destacar que a compatibilidade de bioinsumos com diferentes produtos químicos deve ser cuidadosamente considerada
Descrição
Palavras-chave
Formulação, Estirpes, Ab-V5, Ab-V6, Compatibilidade, Trealose, Bactérias promotoras do crescimento de plantas, Azospirillum brasilense, Milho, Biopolímeros