Exposições orais de abelhas Scaptotrigona postica ao geraniol e nanogeraniol: mortalidade, estresse oxidativo e comportamento

Data

2025-03-26

Autores

Tavares, Isabela Toninato

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Resumo

As abelhas são polinizadores essenciais para a manutenção da biodiversidade, porém, as atividades antrópicas, especialmente o uso de agrotóxicos, impactam esses organismos não-alvo. Nesse contexto, os agrotóxicos nanoencapsulados surgem como uma alternativa mais segura, pois permitem a liberação controlada de seus compostos. O geraniol, um óleo essencial com ação inseticida e fungicida, tem surgido como alternativa aos agrotóxicos sintéticos, sendo necessário avaliar seus efeitos em organismos não-alvo. O presente estudo visou avaliar a toxicidade de exposições agudas (24 e 72 h) do geraniol na sua forma livre e nanoencapsulada em operárias campeiras de Scaptotrigona postica (Apidae, Meliponini). As abelhas foram submetidas à exposição oral em cinco diferentes tratamentos (na concentração de 5 mg.mL⁻¹): geraniol nanoencapsulado (NANO), geraniol livre (GER), nanocápsulas de zeína sem o composto ativo (ZEI), tensoativo Pluronic F-68® (PLU) e o grupo controle, somente com a alimentação padrão (CTR). Os efeitos dos tratamentos foram avaliados sobre a mortalidade, biomarcadores relacionados ao comportamento destes insetos, e biomarcadores de estresse oxidativo. Abelhas operárias adultas foram coletadas na entrada de cinco colônias de S. postica e distribuídas em recipientes plásticos (500 mL), com cerca de 14 indivíduos por unidade amostral. Após a exposição aos tratamentos, a mortalidade foi avaliada em 24 e 72h. As abelhas sobreviventes foram transferidas para uma placa de Petri, onde seu comportamento foi registrado e posteriormente analisado pelo software Ethoflow, considerando distância percorrida, velocidade média, tempo de descanso, número de paradas e locomoção sinuosa. As análises bioquímicas foram executadas utilizando o tecido do abdômen dessas abelhas para realizar a avaliação da lipoperoxidação (LPO), análise da concentração de glutationa (GSH), a atividade da glutationa-S-transferase (GST) e a atividade da catalase (CAT). Os resultados obtidos indicam que as exposições agudas orais realizadas não resultaram em alterações significativas na mortalidade, ou nos comportamentos locomotores desta espécie. Entretanto, foram observados efeitos subletais, incluindo a redução da atividade da GST após 72h em todos os tratamentos em comparação com o grupo CTR. Além disso, os níveis de GSH diminuíram tanto em 24h quanto em 72h. Em 24h, essa redução foi significativa no grupo PLU em relação ao CTR e NANO, enquanto em 72h a diminuição foi observada nos grupos PLU, GER e NANO em comparação ao CTR. Porém, a ausência de efeitos significativos na ocorrência de LPO e na atividade da CAT sugere que essas alterações representam uma resposta inicial ao estresse oxidativo, sem causar um desbalanço crítico na homeostase celular. Os resultados deste estudo destacam a relevância de investigar os impactos de agrotóxicos naturais e suas formulações nanoencapsuladas em abelhas nativas, auxiliando em uma avaliação mais abrangente da segurança ambiental dessas substâncias

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Palavras-chave

Meliponini, Agrotóxicos, Biomarcadores, Óleo essencial, Nanotecnologia, Abelhas, Toxicidade, Geraniol

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