Autopercepção das condições de saúde bucal entre indígenas Kaingang do Paraná

dc.contributor.advisorGirotto, Edmarlon
dc.contributor.authorRibeiro, Kely Barboza
dc.contributor.bancaCaldarelli, Pablo Guilherme
dc.contributor.bancaGabardo, Marilisa Carneiro Leão
dc.coverage.extent113 p.
dc.coverage.spatialLondrina
dc.date.accessioned2026-08-28T20:37:26Z
dc.date.available2026-08-28T20:37:26Z
dc.date.issued2026-08-28
dc.description.abstractResumo: Introdução: A autopercepção da saúde bucal é um indicador que reflete o entendimento dos indivíduos sobre sua própria saúde. Ela pode influenciar significativamente os comportamentos de saúde, a busca por cuidados odontológicos e a adesão a práticas preventivas. Entre os povos indígenas, compreender como eles percebem sua saúde bucal pode fornecer informações valiosas para a elaboração de políticas públicas e programas de saúde específicos que atendam às suas necessidades reais. Objetivo: Avaliar a autopercepção da saúde bucal de indígenas Kaingang do Paraná e analisar os fatores individuais, clínicos e sociodemográficos potencialmente relacionados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, envolvendo indígenas da aldeia Apucaraninha, localizada no município de Tamarana-PR, das seguintes faixas etárias: 12 anos, 15 a 19 anos, 35 a 44 anos e 65 a 74 anos. Os dados foram coletados, utilizando-se smartphones, por meio de entrevista e exame bucal, a partir de um formulário eletrônico elaborado no aplicativo JOTFORM, com questões sobre aspectos socioeconômicos, práticas de autocuidado, necessidade de tratamento autopercebido, sintomas subjetivos de saúde bucal e autoperceção da saúde bucal. No exame clínico foi verificada a experiência de cárie dentária, por meio do índice CPO-D. O desfecho primário do presente estudo foi a autopercepção da saúde bucal. As variáveis independentes investigadas foram divididas em três categorias: individuais, contextuais e de saúde bucal. Foram conduzidas análises descritivas e de associação, utilizando-se o software IBM® SPSS. Resultados: O número de indígenas avaliados foi 205. A amostra, com predominância feminina (64,2%) e média de idade de 29 anos, apresentou distribuição educacional desigual - 35,2% com ensino fundamental incompleto e 26,9% com ensino médio completo - e grande vulnerabilidade socioeconômica – 56,6% com renda mensal familiar de meio salário-mínimo. A autopercepção da saúde bucal indicou que 47,8% dos participantes a consideraram “boa”, 34,6% como “regular” e 17,6% como “ruim”. Identificou-se um padrão geral positivo de autocuidado bucal, demonstrado pela alta prevalência de escovação dentária autorreferida (96,1%), uso do creme dental quase universal (96,6%), porém com adesão reduzida ao uso do fio dental, onde 48,5% afirmaram não utilizá-lo. A necessidade de tratamento odontológico autorreferida foi alta, atingindo, em média, 75,1% dos participantes, assim como a experiência de cárie dentária (96,6%). A presença de sintomas bucais também foi frequente, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Nos últimos seis meses, 41,8% das pessoas relataram dor dentária, 32,2% relataram problemas para morder ou mastigar, e 18,0% relataram dificuldades para falar. Ademais, 20,5% relataram dificuldades em realizar atividades cotidianas, e 30,2% sentiram vergonha ao sorrir. A autopercepção negativa da saúde bucal apresentou associação significativa com maiores valores do índice CPO-D (RPaj = 1,48; IC95%: 1,03–2,15). Além disso, mostrou-se associada à necessidade de tratamento odontológico (RPaj = 2,69; IC95%: 1,54–4,69), presença de dor nos últimos seis meses (RPaj = 1,48; IC95%: 1,13–1,95), dificuldade para morder ou mastigar (RPaj = 1,58; IC95%: 1,22–2,05), dificuldade para falar (RPaj = 1,46; IC95%: 1,11–1,91), vergonha de sorrir (RPaj = 1,81; IC95%: 1,41–2,31) e limitação para realizar atividades cotidianas em decorrência dos dentes (RPaj = 1,78; IC95%: 1,41–2,25). Conclusões: Estratégias clínicas e de promoção da saúde que integrem tratamento adequado, prevenção focada em riscos e educação em saúde que considere as dimensões culturais, subjetivas e psicossociais da saúde, são fundamentais para melhorar a saúde bucal da população indígena Kaingang
dc.description.abstractother1Abstract: Self-perception of oral health is an indicator that reflects individuals’ understanding of their own health. It can significantly influence health behaviors, the search for dental care, and adherence to preventive practices. Among Indigenous peoples, understanding how they perceive their oral health can provide valuable information for the development of public policies and health programs tailored to their actual needs. This study aims to assess the oral health self-perception of Kaingang Indigenous people from the state of Paraná and analyze the individual, clinical, and sociodemographic factors potentially associated with it. This is a cross-sectional study involving Indigenous residents of the Apucaraninha village, located in the municipality of Tamarana, Paraná, including the following age groups: 12 years, 15–19 years, 35–44 years, and 65–74 years. Data were collected using smartphones through interviews and oral examinations, based on an electronic form created in the JOTFORM application. The form included questions on socioeconomic characteristics, self-care practices, self-perceived treatment needs, subjective oral health symptoms, and oral health self-perception. The clinical examination assessed dental caries experience using the DMFT index. The primary outcome of the present study was oral health self-perception. The independent variables investigated were grouped into three categories: individual, contextual, and oral health–related. Descriptive and association analyses were conducted using IBM® SPSS software. A total of 205 Indigenous individuals were evaluated. The sample, predominantly female (64.2%) with a mean age of 29 years, showed an uneven educational distribution—35.2% with incomplete elementary education and 26.9% with completed high school—and marked socioeconomic vulnerability, with 56.6% reporting a monthly family income of half the minimum wage. Oral health self-perception revealed that 47.8% of participants rated their oral health as “good,” 34.6% as “fair,” and 17.6% as “poor.” A generally positive pattern of oral self-care was identified, demonstrated by the high prevalence of self-reported toothbrushing (96.1%) and near-universal use of toothpaste (96.6%). However, adherence to dental floss use was low, with 48.5% reporting not using it. Self-reported need for dental treatment was high, averaging 75.1% of participants, as was dental caries experience (96.6%). Oral symptoms were also frequent, especially among older age groups. In the past six months, 41.8% reported toothache, 32.2% reported difficulty biting or chewing, and 18.0% reported difficulty speaking. Additionally, 20.5% reported limitations in daily activities, and 30.2% felt embarrassed to smile.Negative self-perceived oral health was significantly associated with higher DMFT index scores (adjPR = 1.48; 95%CI: 1.03–2.15). It was also associated with self-reported need for dental treatment (adjPR = 2.69; 95%CI: 1.54–4.69), toothache in the past six months (adjPR = 1.48; 95%CI: 1.13–1.95), difficulty biting or chewing (adjPR = 1.58; 95%CI: 1.22–2.05), difficulty speaking (adjPR = 1.46; 95%CI: 1.11–1.91), embarrassment when smiling (adjPR = 1.81; 95%CI: 1.41–2.31), and limitations in performing daily activities due to dental problems (adjPR = 1.78; 95%CI: 1.41–2.25). Clinical and health-promotion strategies that integrate adequate treatment, risk-focused prevention, and culturally sensitive health education—considering cultural, subjective, and psychosocial dimensions—are essential to improving the oral health of the Kaingang Indigenous population
dc.identifier.urihttps://repositorio.uel.br/handle/123456789/19799
dc.language.isopor
dc.relation.departamentCCS - Departamento de Saúde Coletiva
dc.relation.institutionnameUniversidade Estadual de Londrina - UEL
dc.relation.ppgnamePrograma de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
dc.subjectAutopercepção
dc.subjectSaúde bucal
dc.subjectSaúde indígena
dc.subjectSaúde de populações indígenas
dc.subject.capesCiências da Saúde - Saúde Coletiva
dc.subject.cnpqCiências da Saúde - Saúde Coletiva
dc.subject.keywordsSelf-perception
dc.subject.keywordsOral health
dc.subject.keywordsIndigenous health
dc.subject.keywordsHealth of indigenous peoples
dc.titleAutopercepção das condições de saúde bucal entre indígenas Kaingang do Paraná
dc.title.alternativeSelf-perception of oral health conditions among Kaingang indigenous people from Paraná
dc.typeDissertação
dcterms.educationLevelMestrado Acadêmico
dcterms.provenanceCentro de Ciências da Saúde

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