Diversidade e contribuição funcional em comunidade de aves em zona de transição entre dois tipos de floresta na Mata Atlântica
Data
2026-02-20
Autores
Bortolloti, Matheus Eduardo
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Resumo
Resumo: Em um cenário global de declínio e homogeneização da biodiversidade, a ecologia funcional surge como uma ferramenta essencial para compreender as consequências das alterações antrópicas nos serviços ecossistêmicos. Este estudo investigou a estrutura funcional de comunidades de aves em uma Zona de Transição (ZT) entre a Floresta Estacional Semidecidual (FES) e a Floresta Ombrófila Mista (FOM), no hotspot da Mata Atlântica do sul do Brasil. O objetivo foi avaliar se a comunidade de aves dessas áreas traduz-se em redundância ou em singularidade funcional, fatores determinantes para a resiliência regional dos ambientes. As comunidades foram amostradas pelo método de pontos de escuta. Foram utilizados dados morfológicos e ecológicos para a construção de hipervolumes de densidade de Kernel, calculando-se as métricas de Riqueza Funcional (FRic), Dispersão (FDis), Equitabilidade (FEve) e contribuição funcional. As diferenças entre ambientes foram analisadas via Teste t pareado. A similaridade e singularidade funcional foram estimadas pelo índice de Jaccard e pela fração de singularidade (fraction unique) respectivamente, comparando-se a ZT a um espaço funcional "Global" (FES + FOM). Registramos um total de 170 espécies (36 famílias), distribuídas em: 94 na FES, 110 na FOM e 113 na ZT. A ZT apresentou maior riqueza funcional (FRic) em comparação às áreas adjacentes e maior dispersão (FDis) em relação à FOM (p < 0,05). Não houve diferença significativa na equitabilidade (FEve), indicando distribuições de abundância semelhantes no espaço funcional. A sobreposição funcional entre a ZT e o espaço Global foi de 72% (Jaccard), contudo, a ZT apresentou um espaço funcional exclusivo de 13%, evidenciando traços não compartilhados com os outros dois ambientes. Concluimos que a conservação de zonas de transição entre os hábitats principalmente dentro de hotspots se mostram cruciais para a preservação da diversidade funcional em paisagens naturais e fragmentadas, garantindo a manutenção de uma ampla gama de funções ecossistêmicas fundamentais para a sociedade. Nesse contexto, a degradação ou perda das zonas de transição não representa apenas perda de espécies, mas também pode resultar em extinções funcionais, comprometendo a capacidade dos ecossistemas de desempenhar funções críticas, e de manter ligações entre si, neste sentido, maior atenção deveria ser dada à conservação de zonas de transição
Descrição
Palavras-chave
Funcionalidade, Zona de transição, Mata Atlântica, Aves neotropicais, Singularidade funcional, Ecossistema, Biodiversidade