A Terra como currere: provocando sentidos geográficos de currículo por meio do habitar poético
Data
2026-02-19
Autores
Aguiar, Felipe Costa
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Resumo
Em um tempo em que os debates em Geografia têm sido restringidos à prescrição de um currículo instrumental e técnico — e, por isso mesmo, desumanizador —, esta tese elege o verbo provocar — e seus sinônimos — como gesto de pesquisa e compromisso ético, político e pedagógico. O objetivo central é provocar sentidos geográficos de currículo e escavar aqueles que, muitas vezes, permanecem ausentes ou silenciados nas teorizações curriculares instrumentais — e afirmar que este cenário, embora dominante, não é definitivo. Diante disso, a tese investe no habitar poético como teorização curricular e, por meio de práticas poéticas, desestabiliza e contesta o instrumentalismo que restringe currículo ao sentido do conhecimento mais importante prescrito para ser ensinado nas escolas. Em diálogo com as geografias fenomenológicas, esta tese retoma o sentido de geografia como signos da Terra e provoca a pensá-la como currere — um ente vivo, um curso interrelacional e mutual em que tudo emerge de modo integrado. Para essa tarefa, esta pesquisa qualitativa utiliza a caminhada e a fotopoética como método. Caminhar é, aqui, um gesto de leitura e escrita do mundo que, ao longo da tese, foi desdobrado em três modos de caminhar: caminhar pelo tempo, caminhar pela imaginação e caminhar pela percepção geográfica. Durante essas caminhadas, sozinho ou na companhia de educadores e educandos, realizei diversas práticas poéticas para provocar a abundância do currículo-vivo. Antes, durante e após as caminhadas, registrei pensamentos, palavras e acontecimentos em uma caderneta de campo e, com o celular, fotografei e gravei cenas que me atravessaram. A partir desses registros, elaborei fotopoéticas, unindo fotografia e poesia como prática estética, ética, política e pedagógica de provocar sentidos de currículo a partir da experiência geográfica vivida no caminhar. Dos processos de pesquisa não emergiu uma ontologia de certezas, mas de destruição, abalo, emergência e constante reconstrução dos sentidos que atribuímos a currículo — compreendido como multiplicidade viva em um entre-lugar de criação. Não se trata de oferecer uma nova teoria prescritiva, mas de propor um modo outro de pensar currículo: como escuta, como provocação, como devir — rasura das certezas e convite à meditação sobre a Terra, nossa base existencial, e sobre o habitar, que remonta a como nos demoramos neste lugar. Assim, esta tese busca contribuir para uma teorização poética e fenomenológica de currículo em Geografia, ancorada na experiência viva — como forma de resistência à lógica prescritiva e como abertura ao porvir. Nessa teorização, currículo não é só o conhecimento selecionado, mas o curso vivo, vívido e vivido das coisas selecionadas como o conhecimento mais importante.
Descrição
Palavras-chave
Educação Geográfica, Geografia Fenomenológica, Currículo, Geografia - Estudo e ensino, Fenomenologia, Metodologia, Fotografia