A cultura de dominação do cisheteropatriarcado e a perfeição falaciosa da família tradicional brasileira: regimes de verdade e relações de poder em Foucault

Data

2026-02-24

Autores

Zambaldi, Ana Luiza

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Resumo

A violência doméstica contra a mulher configura-se como um fenômeno estrutural e persistente na sociedade brasileira, atravessando diferentes classes sociais. Apesar de amplamente investigada em contextos de vulnerabilidade socioeconômica, essa violência permanece frequentemente invisibilizada nos casamentos tradicionais de classe média e alta, nos quais discursos morais e simbólicos associados à família tradicional atuam como mecanismos de silenciamento. Inserida nesse contexto, nesta dissertação consideramos a violência doméstica sob a perspectiva da Análise do Discurso de base foucaultiana, articulando os conceitos de regimes de verdade, relações de poder, subjetivação e dessubjetivação. O objetivo geral consiste em compreender como discursos proferidos por agressores em relações conjugais cisheteropatriarcais produzem regimes de verdade que naturalizam e ocultam práticas de violência contra a mulher. Como objetivos específicos, buscamos identificar os dispositivos de poder mobilizados nesses discursos, analisar a construção de subjetividades femininas marcadas pela normalização da submissão, investigar o papel das convenções de gênero e classe na manutenção dessas relações e refletir sobre as formas de resistência e ruptura discursiva. A pesquisa justifica-se pela necessidade de ampliar o debate acadêmico sobre a violência doméstica em contextos socialmente privilegiados, evidenciando formas simbólicas e psicológicas de violência frequentemente deslegitimadas no imaginário social. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, que articula revisão bibliográfica, estudo de caso de um relacionamento de grande repercussão midiática envolvendo figuras públicas da classe alta, e autoetnografia, incorporando a experiência da pesquisadora como estratégia reflexiva e analítica. Os resultados indicam que os discursos analisados funcionam como dispositivos de poder que produzem regimes de verdade capazes de normalizar a violência, responsabilizar as vítimas e preservar a imagem social da família tradicional. Observamos, contudo, processos de dessubjetivação, nos quais a denúncia, a ruptura do silêncio e a reconfiguração da subjetividade feminina emergem como formas de resistência ao cisheteropatriarcado

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Palavras-chave

Casamentos tradicionais, Cisheteropatriarcado, Mulher, Violência doméstica, Violência contra a mulher, Análise do discurso, Relações de poder, Resistência

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