Desenvolvimento de uma vacina de imersão contra estreptococose em tilápias do nilo (Oreochromis niloticus): caracterização morfológica e perfil de transcrição gênica
Data
2024-01-30
Autores
Mainardi, Raffaella Menegheti
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Resumo
O setor da aquicultura destaca-se na produção da tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus). No entanto, a produção intensiva dessa espécie enfrenta desafios significativos no que diz respeito ao controle e prevenção de infecções provocadas pela bactéria Streptococcus agalactiae, principalmente durante as fases de alevinagem e juvenil no verão. No presente estudo, desenvolvemos uma vacina de imersão inativada bivalente com duas cepas isoladas de S. agalactiae, sorotipos Ib e III (S13 e S73), associada a estratégias que otimizem o seu efeito e que proporcione proteção dos alevinos de tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) frente a estreptococose. Foram realizados dois experimentos e gerados dois artigos, no primeiro, os alevinos foram imersos em duas soluções hiperosmóticas (4,5% e 6%) e uma solução de PBS estéril por 5 minutos, após foram transferidos para uma água normal contendo a bacterina e/ou uma vacina completa (bacterina em combinação com adjuvante aquoso), por 1 minuto, totalizando seis grupos experimentais mais o controle negativo. Posteriormente, foram coletadas as brânquias desses animais em três diferentes tempos: 0h (logo após a vacinação), 6h e 24h após a vacinação e as amostras foram fixadas em formol 10% tamponado por 48 horas e armazenadas em etanol a 70%. Análises histopatológicas das brânquias demonstraram diferença percentual significativa (p<0,05) com um aumento no número de células de muco e da lamela primária e elevação epitelial lamelar, em resposta ao adjuvante de imersão aquoso e ao estresse osmótico de 4.5% e 6% após a vacinação. No segundo experimento, foram estabelecidos quatro grupos experimentais distintos: G1 (Bacterina+Probiótico+Adjuvante), G2 (Bacterina+Adjuvante), G3 (Bacterina+ ß-glucano +Adjuvante), G4 (Bacterina), além dos controles positivos e negativos. Vinte e um dias após a vacinação, um desafio experimental foi conduzido por meio da injeção intraperitoneal dos mesmos isolados de S. agalactiae. Os resultados revelaram que os alevinos vacinados com a vacina de imersão, associada ao adjuvante e combinada com o probiótico, bem como a vacina associada com o adjuvante de imersão, apresentaram redução estatisticamente significativa na mortalidade, com porcentagens relativas de sobrevivência (RPS) de 77,1% e 67,5%, respectivamente. Já, o grupo do ß-glucano e da bacterina isolada não foram eficazes, exibindo baixos RPS (44,0% e 30,4%, respectivamente). Análises transcriptômicas foram realizadas para avaliar os efeitos no sistema imunológico dos peixes infectados, demonstrando a expressão diferencial de 32 genes imunes, relacionados à imunidade inata e adaptativa. Destacaram-se genes envolvidos na ativação de plaquetas, receptor Toll-like e uma série de genes up-regulated associados ao processamento/apresentação de antígenos dos peixes infectados. Conclui-se que o uso de vacinas na aquicultura representa uma estratégia imunoprofilática em evolução, demandando estudos adicionais para validar sua eficácia. Os insights obtidos nos dois artigos têm implicações importantes, pois oferecem novas perspectivas para a compreensão do sistema imunológico dos peixes, indicando possíveis aplicações futuras no campo
Descrição
Palavras-chave
Streptococcus agalactiae, Tilapicultura, Transcriptômica, Imunoprofilaxia, Tilápia - doenças, Estreptococo, Vacinas, Peixe - imunologia