01 - Doutorado - Análise do Comportamento
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Navegando 01 - Doutorado - Análise do Comportamento por Assunto "Análise do Comportamento"
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Item Capacitação para atendimento inicial de vítimas de violência sexual no ambiente universitário: um estudo empírico-experimental com estagiários da clínica-escola do curso de psicologia(2024-09-13) Fontana, Jordana; Laurenti, Carolina; Gallo, Alex Eduardo; López, Denisse Brust; Vasconcelos, Ísis Gomes; Marques, Natália SantosA violência sexual é produto de uma complexa organização social que hierarquiza gêneros, mantendo homens em papel de dominação e mulheres de submissão. Um dos contextos nos quais a violência sexual é identificada com frequência é a universidade. Nesse âmbito, ela pode ter efeitos específicos sobre a vida das vítimas em diversas áreas, inclusive no desempenho acadêmico. Pesquisas têm indicado a necessidade de as próprias universidades contarem com serviços de atendimento às vítimas. Uma das possíveis formas disso acontecer é por meio das clínicas-escola, nas quais estagiários(as) de quinto ano prestam atendimento psicológico à comunidade. Para que esse suporte seja adequado, é necessário que esses(as) estagiários(as) tenham a capacidade de prestar atendimento inicial adequado às vítimas, o que envolve a emissão de uma ampla classe de comportamentos. Em vista disso, o objetivo desta pesquisa foi criar e testar a eficácia de uma capacitação voltada para os(as) estagiários(as) de clínica escola, a fim de que desenvolvam os comportamentos necessários ao atendimento inicial dos casos de violência sexual que ocorrem no contexto universitário. A pesquisa foi dividida em dois estudos: o Estudo 1 consistiu no planejamento uma capacitação direcionada a estagiários(as) de clínica escola para atendimento das referidas vítimas. Esse estudo se deu por meio de 3 etapas: 1) identificação do formato adequado para realizar um treinamento, fundamentado na Análise do Comportamento; 2) identificação de comportamentos que precisam ser emitidos para o atendimento; 3) elaboração da capacitação a partir da integração das informações das etapas anteriores. Como resultado, foi identificado que a capacidade de prestar atendimento inicial envolve comportamentos de “dizer” que são pré-requisitos do comportamento de “fazer”, necessitando a construção de uma capacitação com subfases a fim de mensurar diferentes comportamentos intermediários que compõem a VD (prestar atendimento inicial a vítimas de violência sexual). Foi construída uma capacitação com 4 fases, equivalente a 4 condições experimentais: a primeira visou avaliar o desempenho verbal dos(as) participantes, que envolve: descrever sobre violência sexual e seus efeitos; descrever aspectos do atendimento inicial referentes ao acolhimento; descrever aspectos do atendimento inicial referentes ao encaminhamento. Nessa fase, o desempenho dos(as) participantes foi avaliado antes de depois da inserção de uma VI (instruções verbais). A Fase 2 visou avaliar o desempenho dos(as) participantes em relação à classe de comportamentos “fazer”, que envolve outros comportamentos intermediários: identificar violência sexual e seus efeitos; acolher; e encaminhar. Nessa fase, o desempenho dos(as) participantes foi avaliado a partir da realização de um ensaio comportamental com a inserção de uma nova VI (feedback), a qual foi apresentada imediatamente após a emissão dos comportamentos. A Fase 3 visou avaliar o desempenho dos(as) participantes em relação ao repertório de “fazer” envolvendo os mesmos comportamentos da fase anterior, porém, a inserção da VI em temporalidade diferente: o desempenho foi avaliado por meio do ensaio comportamental, mas o feedback só foi apresentado no final do ensaio. Por fim, a Fase 4 teve como objetivo avaliar o desempenho dos(as) participantes ainda sobre os mesmos comportamentos intermediários, porém, sem a presença da VI. O Estudo 2 teve como objetivo testar a eficácia da capacitação, por meio da aplicação de um piloto com duas estagiárias da clínica-escola de uma universidade. A pesquisa foi realizada por meio de um delineamento experimental de sujeito único com mudança de critério. Para cada uma das fases descritas no Estudo 1 foi realizado um encontro, com critérios pré-estabelecidos para passar para a próxima fase e finalizar o experimento. Os resultados indicaram que a capacitação se mostrou eficaz para o ensino dos comportamentos referentes a prestar atendimento inicial a vítimas de violência sexual no âmbito universitárioItem O conceito de comportamento precorrente em B. F. Skinner(2025-08-25) Fonseca, Thaís Sousa Silva Belo da; Laurenti, Carolina; Strapasson, Bruno Angelo; Dittrich, Alexandre; Neves Filho, Hernando Borges; Tatmatsu, Daniely Ildegardes BritoO comportamentalismo radical é a filosofia da ciência do comportamento proposta por B. F. Skinner. A radicalidade dessa proposta na psicologia consiste na ideia de suficiência do comportamento para explicar a ele mesmo, isto é, sem recorrer a instâncias mediacionais que o produzam. Essa noção coloca o comportamento como central na explicação de fenômenos psicológicos complexos, que são tradicionalmente interpretados como sintomas ou subprodutos de instâncias existentes em outros sistemas dimensionais. Para viabilizar sua proposta de filosofia e de ciência, Skinner precisou explicar fenômenos como a criatividade, a resolução de problemas, o pensamento, a percepção, entre outros, por meio da sua proposição de comportamento e apenas dela. Para tanto, a noção de comportamento precorrente parece ter sido crucial. Esse conceito aparece em diversos momentos da produção intelectual de Skinner, atrelada a fenômenos interpretados como complexos pela literatura, o que sinaliza que ela pode ter tido um papel importante na filosofia de B. F. Skinner. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa teórico-conceitual consistiu em apresentar uma síntese interpretativa da formulação e da função teórico-argumentativa do conceito de comportamento precorrente na proposta filosófica de B. F. Skinner. Para isso, foi realizada uma investigação em toda a produção intelectual de Skinner: livros, artigos científicos e não-científicos. Foi realizado um rastreio em todos os arquivos em formato de ficheiro digital portátil (PDF) do(s) termo(s) comportamento/resposta “precorrente” e “preliminar”. Todas as ocorrências foram catalogadas e todos os textos em que a noção apareceu foram lidos na íntegra. Foram conduzidas duas análises a partir dos achados. A primeira análise, operacional, foi realizada a partir da proposição do próprio Skinner em 1945 no texto “A análise operacional de termos psicológicos”, em que o autor sugere que o “significado” de termos psicológicos só pode ser sugerido a partir do contexto em que esses termos aparecem. Assim, o significado do termo precorrente foi identificado e proposto a partir da coletânea de ocorrências e identificação dos contextos em que o termo apareceu. O resultado dessa investigação revelou que o termo precorrente (e correlatos) apareceu 61 vezes nos escritos de Skinner, entre os anos de 1930 e 1970, nos seguintes contextos: (a) como comportamentos que afetam a medição de outros comportamentos de interesse, (b) como comportamentos de atenção e observação, (c) como atividades cognitivas e (d) como manejo de condições motivacionais. A partir disso, propôs-se uma definição que levasse em consideração todos os usos feitos pelo autor. Pode-se dizer que Skinner considerava comportamentos precorrentes como respostas que a) são necessárias para a ocorrência subsequente de uma resposta operante terminal que, em última instância, produz reforçamento (ou minimiza/remove/evita estimulação aversiva) e/ou b) tornam a ocorrência de uma resposta operante terminal mais provável. A segunda parte da investigação consistiu em uma análise conceitual dos textos em que essa noção se fez importante. Para tanto, foi realizado o Procedimento de Interpretação Conceitual de Texto (PICT) em todos os textos em que o termo “precorrente” foi utilizado pelo autor. Foi possível identificar que o termo precorrente apareceu nos escritos de Skinner de forma recorrente vinculado a diversos fenômenos psicológicos complexos, como a resolução de problemas, o pensamento, o autogerenciamento intelectual, a criatividade, a tomada de decisão, o pensamento, o raciocínio, a memória, a percepção, a atenção, o autocontrole, a tomada de decisão, a liberdade e a autonomia. A análise mostrou que tais fenômenos eram tradicionalmente explicados a partir de propostas mentalistas, que foram fortemente criticadas por Skinner. A tese alternativa para explicar esses fenômenos sem recorrer às instâncias e estruturas mediacionais (como a mente ou o cérebro) foi a de que o comportamento é suficiente para explicar a ele mesmo e que tais fenômenos podem ser explicados a partir da noção de comportamento precorrente. A noção de precorrente mantém seu núcleo conceitual em torno da noção de comportamento que afeta a ocorrência de outro comportamento, mas apresenta particularidades funcionais para cada um dos fenômenos discutidos pelo autor, adquirindo diferentes características predominantes. Em alguns contextos o precorrente funciona como modulador intelectual (como na discussão sobre resolução de problemas, raciocínio e pensamento), em outros como fator de ampliação da agência do indivíduo (como ao discutir tomada de decisão, autocontrole e liberdade) e em outros com uma função na geratividade da resposta (na discussão sobre criatividade e percepção). A partir disso, defendeu-se o papel central da noção de precorrente na proposta de radicalidade do comportamentalismo de Skinner, uma vez que a noção de precorrente assegurou que o autor pudesse discutir sobre fenômenos psicológicos complexos, tradicionalmente atribuídos à uma estrutura cognitiva, mantendo-se fiel ao princípio estabelecido de explicar o comportamento por meio dele mesmo. Foi apresentada, por fim, a proposta de que o precorrente possa ser interpretado como um princípio articulador central da cognição e do comportamento humano complexo na perspectiva comportamentalista radicalItem Uma história pouco contada: resgatando debates críticos sobre terapias de reorientação sexual na análise do comportamento na década de 1970(2024-09-27) Maio, Taimon Pires; Lopes, Carlos Eduardo; Melo, Camila Muchon de; Laurenti, Carolina; Ferraza, Daniele de Andrade; Leugi, Guilherme BergoNa década de 1970, algumas práticas de analistas do comportamento foram acusadas de violarem direitos humanos. Essa polêmica ressurgiu recentemente quando um editorial do Journal of Applied Behavior Analysis (JABA) justificou a recusa pela retratação de um artigo publicados nos anos 1970, que descrevia um procedimento de reorientação sexual, argumentando que na época o procedimento não era considerado antiético. Ao mesmo tempo, há evidências de que na década de 1970 já havia resistência às terapias de reorientação sexual, uma vez que foi justamente nesse período que a homossexualidade foi retirada do DSM. Partindo desse embate, este trabalho teve o objetivo de resgatar dois debates críticos sobre terapias de reorientação sexual protagonizados por analistas do comportamento na década de 1970. Para tanto, foi desenvolvida uma pesquisa histórica, cujas fontes foram recuperadas de duas fontes. 1) um relatório da American Psychology Association sobre os procedimentos de reorientação sexual entre os anos de 1960 a 2007; e 2) uma revisão da literatura dos estudos publicados no JABA sobre a temática. A partir desses documentos chegou-se aos trabalhos de autores críticos da temática, bem como de réplicas publicadas em resposta aos autores, o que permitiu resgatar dois debates sobre o tema ocorridos nos anos 1970. A análise das fontes e dados históricos dos autores, levou a definição de dois protagonistas: G. C. Davison e R. Winkler. Como resultado, no primeiro debate, inicialmente Davison dirigiu críticas às falhas teórico-metodológicas de pesquisas com homossexuais, tornando-se gradualmente mais crítico de aspectos ético-políticos envolvidos nas práticas de reorientação sexual. Davison discute a negligência da Análise do Comportamento sobre o tema e a frágil adesão aos princípios teórico-filosóficos na atuação de terapeutas comportamentais com homossexuais. No segundo debate, Winkler dirigiu suas críticas aos problemas éticos de um estudo clássico de reorientação sexual com uma criança publicado no JABA por Rekers e Lovaas em 1974, discutindo sobre a impossibilidade de uma ciência isenta de valores e ao seu papel na manutenção do status quo. As réplicas sofridas pelos autores caracterizaram-se pela defesa da neutralidade científica e da voluntariedade do paciente como critério decisivo para a oferta de procedimentos de reorientação sexual. Concluí-se que nos anos 1970 já havia resistência de analistas do comportamento a terapias de reorientação sexual, e que recusar esse fato pode ser considerado uma forma de apagamento histórico com graves consequências ético-políticas na área.Item Violência sexual no contexto universitário: uma perspectiva comportamentalista radical feminista(2024-09-23) Morais, Amanda Oliveira de; Laurenti, Carolina; Oshiro, Claudia Kami Bastos; Tatmatsu, Daniely Ildegardes Brito; Kienen, Nádia; Gallo, Alex EduardoEsta tese apresenta o desenvolvimento de aspectos teóricos que fundamentam a compreensão sobre a violência sexual em uma perspectiva comportamentalista radical feminista (Prólogo), uma investigação empírica sobre o contexto universitário e a ocorrência de agressões sexuais (Estudo 1), e uma proposta de intervenção baseada nos resultados e discussão sobre essa realidade (Estudo 2). O objetivo do Estudo 1 foi apresentar um panorama sobre a ocorrência de violência sexual em um ambiente universitário e sobre questões de segurança, serviços e direitos relacionados a essa prática. Foi realizada uma pesquisa quantitativa e qualitativa. Um questionário adaptado foi respondido por 185 estudantes e 43 docentes de uma universidade do norte do Paraná. Mulheres, pessoas não heterossexuais e estudantes relataram vivenciar mais violências em comparação com homens, heterossexuais e docentes, respectivamente, sendo essa diferença significativa. Efeitos relacionados às violências vivenciadas estiveram envolvidos com uso de medicamentos psiquiátricos, tratamento psicológico, perda de prazos, faltas e afastamentos em relação ao ambiente acadêmico. As(os) participantes indicaram baixa confiabilidade nas ações institucionais sobre a temática, desconhecimento dos direitos e procedimentos em situações de violência sexual, e baixa confiabilidade de que procedimentos adequados seriam tomados em relação às denúncias, principalmente na avaliação das mulheres e estudantes. A hierarquia entre membros da academia, objetificação feminina em eventos universitários, controle ético sexista, padrões de gênero e de relacionamentos íntimos, ausência de políticas e inação institucional foram identificados como aspectos relevantes do ambiente social atuando como contexto de práticas sexualmente violentas e práticas de ocultamento dessa realidade. Consequências culturais como subnotificação, recorrência das agressões, evasão de espaços acadêmicos ou permanência em situação de opressão, culminam na manutenção da dominação masculina na universidade. Nesse contexto, toda comunidade acadêmica deve aprender a oferecer suporte aos relatos de violência sexual, visto que os incidentes são relatados, principalmente, para amigas(os). O Estudo 2 visou elaborar e avaliar a eficácia de um treino em vídeo para o aprendizado de comportamentos de acolhimento, apoio e orientação sobre serviços e direitos como respostas adequadas a relatos de violência sexual na universidade, aplicado a estudantes. Foram confeccionados dois materiais para ensino: um vídeo ilustrado contendo informações e instruções sobre violência sexual e sobre como acolher, apoiar e orientar alguém que relata uma violência sexual e um vídeo-modelo contendo encenações de relatos de agressões sexuais e modelos de como acolher, apoiar e orientar. Para verificar a eficácia desses materiais, foi realizado um experimento de delineamento de caso único com linha de base múltipla entre comportamentos com duas estudantes. A exposição ao vídeo informativo e instrucional promoveu o aumento de ações relacionadas aos comportamentos de interesse, e a exposição ao vídeo-modelo tornou as ações de acolhimento, apoio e orientação mais próximas aos modelos. Discutimos que pesquisas futuras realizem ajustes no vídeo-modelo e na mensuração dos resultados. Consideramos que o desenvolvimento de aspectos teóricos e empíricos sobre a temática abordada por diferentes áreas de conhecimento em intersecção com o Comportamentalismo Radical e a Análise do Comportamento fortalece tanto o campo de pesquisas e enfrentamento à violência sexual quanto enriquece nossa teoria e práxis.