02 - Mestrado - Saúde Coletiva
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Item Qualidade dos cardápios da alimentação escolar na modalidade de educação infantil em municípios do Paraná(2026-03-26) Sales, Daiane Beatriz; Loch, Mathias Roberto; Medeiros, Caroline Opolski; Palma, Guilherme Henrique Dantas; Pires, Patricia Fernanda FerreiraO Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) consolidou-se como uma das principais políticas públicas de alimentação e nutrição no Brasil, atendendo milhões de estudantes e promovendo saúde, equidade e cidadania. Desde sua criação, evoluiu de uma estratégia de combate à fome para uma ação intersetorial que articula educação, saúde e agricultura, incorporando diretrizes que priorizam alimentos in natura e da agricultura familiar, além de restringir a presença de ultraprocessados. A avaliação da qualidade dos cardápios escolares torna-se fundamental para assegurar a adequação nutricional, fortalecer hábitos alimentares saudáveis e contribuir para o desenvolvimento integral das crianças. Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar os cardápios escolares da educação infantil em municípios do estado do Paraná e associar a fatores contextuais dos municípios. Trata-se de um estudo ecológico de abordagem quantitativa, baseado em análise documental de cardápios escolares disponíveis em canais oficiais dos municípios, coletados em 2024. Foram incluídos 223 municípios (55,9% dos 399 totais), e consideradas variáveis como porte populacional, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), Indicador Equidade e Dimensionamento (IED), Macrorregiões geográficas do Estado e Nota da Alimentação Escolar (PROGOV). A avaliação utilizou o IQCOSAN-Creche para classificar os cardápios em adequados, precisa de melhoras e inadequados, com análises descritiva e estatística realizada por meio dos testes qui-quadrado, Kruskal-Wallis e razão de prevalência. Os resultados mostraram que 43% dos cardápios foram classificados como adequados, 41,7% precisavam de melhorias/adequações e 15,3% foram considerados inadequados, com mediana de 67 pontos. Municípios maiores e com IDHM mais elevado apresentaram melhores escores, enquanto municípios menores, com menor IDHM e localizados nas macrorregiões Norte e Noroeste tiveram os piores desempenhos, com maior prevalência de ultraprocessados e alimentos proibidos. Houve alta adequação na oferta de frutas (92,4%), verduras/legumes (96,9%) e ferro heme (98,7%), mas também elevada ausência de alimentos fonte de vitamina A (51,6%), ausência de alimentos da sociobiodiversidade (96,4%) e elevada frequência de ultraprocessados (33,2%) e alimentos proibidos (48,9%). Essas inadequações mostraram associação significativa com porte populacional, IDHM, macrorregião e a nota da alimentação escolar - PROGOV. Conclui-se que a qualidade dos cardápios está relacionada à capacidade institucional e aos indicadores socioeconômicos, reforçando desigualdades regionais. Para promover equidade e hábitos saudáveis, é fundamental avançar em estratégias intersetoriais, fortalecendo articulação com agricultura familiar, controle social e suporte técnico-financeiro aos municípios, em especial os mais vulneráveis, em alinhamento aos objetivos e diretrizes do PNAE como política pública de segurança alimentar. Reconhece-se, por fim, que a adequação dos cardápios é um processo contínuo, que exige monitoramento e construção coletiva, permitindo avanços graduais e sustentáveis na qualidade da alimentação escolarItem Análise econômica do uso da inteligência artificial na atenção primária e secundária à saúde: uma revisão sistemática(2026-02-27) Carneiro, Lucas Eduardo; Rodrigues, Renne; Junior, Haliton Alves De Oliveira; Girotto, Edmarlon; Remondi, Felipe Assan; Haas, Patricia; Sirtoli, RafaelaResumo: Introdução: A incorporação de tecnologias digitais no setor saúde, especialmente a inteligência artificial, tem avançado rapidamente diante dos desafios crescentes de sustentabilidade, escassez de recursos e necessidade de melhorar a resolutividade na atenção primária e secundária. Desta forma, torna-se urgente a compreensão do desempenho clínico dessas ferramentas e sua viabilidade econômica, dado que sua adoção pode impactar significativamente o financiamento e a organização dos sistemas de saúde. Objetivo: Reunir evidências sobre as análises econômicas envolvendo o uso de inteligência artificial relacionadas à atenção primária em saúde e atenção secundária em saúde. Método: Conduziu-se uma revisão sistemática segundo o protocolo do Joanna Briggs Institute, registrada no PROSPERO (CRD42024593841), sem restrição de idioma, data ou país. Resultados: Foram consultadas oito bases de dados, gerando um total de 1.432 artigos, após triagem e leitura completa, 18 estudos foram incluídos. A síntese mostrou que a maior parte dos trabalhos são provenientes de países de alta renda, e a maioria avaliou tecnologias de inteligência artificial voltadas ao diagnóstico por imagens, destacando-se aquelas aplicadas à análise de retina e detecção de lesões precursoras. A maioria utilizou análise de custo-efetividade como método econômico e relatou dominância da tecnologia, ou seja, menor custo associado a um aumento de anos de vida ajustados por qualidade ou maior acurácia diagnóstica. Discussão: No entanto, diversos estudos apresentaram fragilidades metodológicas, como ausência de estimativas de significância estatística, uso de dados assumidos pelos autores, falta de padronização de conceitos e omissão de variáveis estruturais relevantes, como custos de infraestrutura, segurança da informação e sustentabilidade ambiental. Os achados indicam que ferramentas de inteligência artificial possuem potencial para otimizar gastos e melhorar resultados clínicos, especialmente em aplicações diagnósticas, porém carecem de evidências robustas, padronizadas e com melhor controle de incertezas para subsidiar decisões de incorporação tecnológica de forma segura e sustentável. Conclusão: Apesar do aparente custo-benefício, recomenda-se cautela na extrapolação dos resultados, além da necessidade de estudos mais consistentes, contextualizados para diferentes realidades e que incorporem perspectivas ampliadas de análise econômicaItem Caracterização da população exposta ocupacionalmente pelos agrotóxicos em município de pequeno porte do Paraná(2026-03-31) Cappi, Rafael Bosio; Guidoni, Camilo Molino; Girotto, Edmarlon; Sirtoli, RafaelaOs agrotóxicos são amplamente utilizados na agropecuária contemporânea. Sua disseminação teve início a partir dos conflitos armados, a Guerra do Vietnã serviu como laboratório para a utilização em larga escala do Agente Laranja. Logo, serviu de base para o desenvolvimento de produtos voltados a agricultura. No Brasil, o período da Ditadura Militar foi responsável por expandir a Revolução Verde sendo sustentada a partir da implantação do Programa Nacional de Defensivos Agrícolas (PNDA), vinculando a modernização agrícola à repressão política, promovendo um modelo de desenvolvimento excludente que beneficiava grandes proprietários e silenciava movimentos camponeses. A expansão do agronegócio no Brasil é evidenciada ao longo das últimas décadas, consolidando um modelo agrícola de larga escala voltado à exportação e ampla dependência a agrotóxicos. Nesse sentido, se torna impactante o contexto ampliado, dos trabalhadores ocupacionalmente expostos no meio rural. A exposição humana aos agrotóxicos são responsáveis por diversos agravos à saúde desses trabalhadores, relacionando a alterações hormonais, malformações congênitas, diversos tipos de câncer, distúrbios endócrinos, doenças neurológicas, hepáticas, respiratórias, imunológicas, renais e distúrbios em saúde mental. O objetivo deste estudo é caracterizar a população exposta ocupacionalmente aos agrotóxicos no município de Novo Itacolomi-PR. Métodos e Casuística trata-se de um estudo transversal e analítico, a população estudada constituiu-se de indivíduos com idade de 18 anos ou mais. Os dados foram coletados baseados em sistemas de arquivos, prontuário digital e físico, preenchido no período de 27 de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025, período que a população ocupacionalmente exposta aos agrotóxicos foi submetida ao atendimento pelo Fluxograma da Linha Guia do Estado do Paraná, utilizado para identificar o público-alvo pela Ficha de Rastreio, Consulta de Enfermagem, Consulta Médica, Avaliação de Saúde Mental e Estratificação de Risco. Foi realizado a análise descritiva das variáveis categorizadas em sociodemográficas, ocupacionais, manifestações clínicas, sendo o desfecho a pontuação dos níveis da estratificação de risco da população exposta. Foram analisados 159 prontuários, constatando-se a predominância do sexo masculino (97%), moradia na área rural (94%) faixa etária com média de 47,9 anos, etilismo (54%), raça branca (85%), casados (55%), agricultores familiares 95%, contato direto (100%), tempo de exposição >10 anos (90%), embalagem de agrotóxicos na unidade produtiva (97%), sintomas neuropsiquiátricos 4-11 (33%), sintomas somáticos 1 sintoma (25%), distribuição das morbidades 2-3 morbidades (30%) sendo doença do sistema osteomuscular mais relevante (59%), distribuição dos exames laboratoriais 2-3 alterados (24%), sendo o colesterol total mais relevante (36%), comprometimento neurológico ao exame físico os reflexos tiveram maior relevância (25%). A estratificação de risco conteve a prevalência no escore de alto risco (37%). O Teste do qui-quadrado de Pearson não apresentou associação estatisticamente significativa entre o consumo de bebida alcoólica e a maioria das alterações laboratoriais avaliadas (p > 0,05). A única associação significativa foi identificada para Gama GT, cuja alteração foi mais frequente entre indivíduos que consomem bebida alcoólica (12,6%) em comparação aos não consomem bebida alcoólica (2,8%; p = 0,024). Os resultados encontrados nesse estudo caracterizam a população com condições de saúde prejudicadas com provável relação a exposição ocupacional por agrotóxicos. Espera-se que os resultados alcancem movimentos a nível municipal, além de impressionar outros setores públicos a nível estadual e nacional.Item Análise da literacia e adesão do autocuidado de pacientes com diabetes mellitus tipo 2 maiores de 60 anos: um estudo transversal(2026-02-11) Costa, Maria Helena da; Cabrera, Marcos Aparecido Sarria; Durán González, Alberto; Scheicher, Marcos EduardoO Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) representa um desafio crescente de saúde pública, especialmente entre idosos, exigindo um manejo contínuo onde o autocuidado (AU) é fundamental. Contudo, a eficácia do AU depende da literacia em saúde (LS) do paciente, que frequentemente é uma barreira nesta população. Diante disso, o objetivo geral deste estudo foi analisar o autocuidado e a literacia em saúde de indivíduos idosos que convivem com o DM2 assistidos pela Atenção Primária em Saúde. Trata-se de um estudo transversal realizado com 60 idosos com DM2, residentes no munícipio de Sabáudia-PR. Foram aplicados um questionário sociodemográfico e clínico, o Spoken Knowledge in Low Literacy Patients with Diabetes (SKILLD) para avaliar a LS e o Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD) para o AU. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, teste qui-quadrado e Regressão de Poisson com variância robusta. A amostra apresentou idade média de 69,07(6,89), baixa escolaridade, literacia insuficiente sobre a doença. A análise bivariada revelou associações estatisticamente significativas entre a LS inadequada e a baixa escolaridade (p=0,027), a não participação em grupos de educação em saúde (p=0,020) e baixa adesão ao AU (p=0,040). A adesão ao AU (até 3 dias) foi significantemente maior em quem depende de terceiros para comprar/retirar medicação (p=0,02). A análise de regressão confirmou que a LS adequada quase dobrou a prevalência de adesão ao AU (RP ajustada: 1,94) e que a não participação em grupos de educação em saúde reduziu a prevalência de LS adequada em 85% (RP ajustada: 0,15). Conclui-se que a literacia em saúde inadequada é uma barreira determinante para o autocuidado em idosos com DM2, impactando diretamente práticas que exigem mudança comportamental. A dependência de terceiros e a ausência em grupos educativos emergem como indicadores de risco, reforçando a necessidade de estratégias na APS focadas no empoderamento e autonomia do paciente.Item Autopercepção das condições de saúde bucal entre indígenas Kaingang do Paraná(2026-08-28) Ribeiro, Kely Barboza; Girotto, Edmarlon; Caldarelli, Pablo Guilherme; Gabardo, Marilisa Carneiro LeãoResumo: Introdução: A autopercepção da saúde bucal é um indicador que reflete o entendimento dos indivíduos sobre sua própria saúde. Ela pode influenciar significativamente os comportamentos de saúde, a busca por cuidados odontológicos e a adesão a práticas preventivas. Entre os povos indígenas, compreender como eles percebem sua saúde bucal pode fornecer informações valiosas para a elaboração de políticas públicas e programas de saúde específicos que atendam às suas necessidades reais. Objetivo: Avaliar a autopercepção da saúde bucal de indígenas Kaingang do Paraná e analisar os fatores individuais, clínicos e sociodemográficos potencialmente relacionados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, envolvendo indígenas da aldeia Apucaraninha, localizada no município de Tamarana-PR, das seguintes faixas etárias: 12 anos, 15 a 19 anos, 35 a 44 anos e 65 a 74 anos. Os dados foram coletados, utilizando-se smartphones, por meio de entrevista e exame bucal, a partir de um formulário eletrônico elaborado no aplicativo JOTFORM, com questões sobre aspectos socioeconômicos, práticas de autocuidado, necessidade de tratamento autopercebido, sintomas subjetivos de saúde bucal e autoperceção da saúde bucal. No exame clínico foi verificada a experiência de cárie dentária, por meio do índice CPO-D. O desfecho primário do presente estudo foi a autopercepção da saúde bucal. As variáveis independentes investigadas foram divididas em três categorias: individuais, contextuais e de saúde bucal. Foram conduzidas análises descritivas e de associação, utilizando-se o software IBM® SPSS. Resultados: O número de indígenas avaliados foi 205. A amostra, com predominância feminina (64,2%) e média de idade de 29 anos, apresentou distribuição educacional desigual - 35,2% com ensino fundamental incompleto e 26,9% com ensino médio completo - e grande vulnerabilidade socioeconômica – 56,6% com renda mensal familiar de meio salário-mínimo. A autopercepção da saúde bucal indicou que 47,8% dos participantes a consideraram “boa”, 34,6% como “regular” e 17,6% como “ruim”. Identificou-se um padrão geral positivo de autocuidado bucal, demonstrado pela alta prevalência de escovação dentária autorreferida (96,1%), uso do creme dental quase universal (96,6%), porém com adesão reduzida ao uso do fio dental, onde 48,5% afirmaram não utilizá-lo. A necessidade de tratamento odontológico autorreferida foi alta, atingindo, em média, 75,1% dos participantes, assim como a experiência de cárie dentária (96,6%). A presença de sintomas bucais também foi frequente, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Nos últimos seis meses, 41,8% das pessoas relataram dor dentária, 32,2% relataram problemas para morder ou mastigar, e 18,0% relataram dificuldades para falar. Ademais, 20,5% relataram dificuldades em realizar atividades cotidianas, e 30,2% sentiram vergonha ao sorrir. A autopercepção negativa da saúde bucal apresentou associação significativa com maiores valores do índice CPO-D (RPaj = 1,48; IC95%: 1,03–2,15). Além disso, mostrou-se associada à necessidade de tratamento odontológico (RPaj = 2,69; IC95%: 1,54–4,69), presença de dor nos últimos seis meses (RPaj = 1,48; IC95%: 1,13–1,95), dificuldade para morder ou mastigar (RPaj = 1,58; IC95%: 1,22–2,05), dificuldade para falar (RPaj = 1,46; IC95%: 1,11–1,91), vergonha de sorrir (RPaj = 1,81; IC95%: 1,41–2,31) e limitação para realizar atividades cotidianas em decorrência dos dentes (RPaj = 1,78; IC95%: 1,41–2,25). Conclusões: Estratégias clínicas e de promoção da saúde que integrem tratamento adequado, prevenção focada em riscos e educação em saúde que considere as dimensões culturais, subjetivas e psicossociais da saúde, são fundamentais para melhorar a saúde bucal da população indígena KaingangItem Autopercepção das condições de saúde bucal entre indígenas Kaingang do Paraná(2026-05-07) Ribeiro, Kely Barboza; Girotto, Edmarlon; Caldarelli, Pablo Guilherme; Gabardo, Marilisa Carneiro LeãoResumo: Introdução: A autopercepção da saúde bucal é um indicador que reflete o entendimento dos indivíduos sobre sua própria saúde. Ela pode influenciar significativamente os comportamentos de saúde, a busca por cuidados odontológicos e a adesão a práticas preventivas. Entre os povos indígenas, compreender como eles percebem sua saúde bucal pode fornecer informações valiosas para a elaboração de políticas públicas e programas de saúde específicos que atendam às suas necessidades reais. Objetivo: Avaliar a autopercepção da saúde bucal de indígenas Kaingang do Paraná e analisar os fatores individuais, clínicos e sociodemográficos potencialmente relacionados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, envolvendo indígenas da aldeia Apucaraninha, localizada no município de Tamarana-PR, das seguintes faixas etárias: 12 anos, 15 a 19 anos, 35 a 44 anos e 65 a 74 anos. Os dados foram coletados, utilizando-se smartphones, por meio de entrevista e exame bucal, a partir de um formulário eletrônico elaborado no aplicativo JOTFORM, com questões sobre aspectos socioeconômicos, práticas de autocuidado, necessidade de tratamento autopercebido, sintomas subjetivos de saúde bucal e autoperceção da saúde bucal. No exame clínico foi verificada a experiência de cárie dentária, por meio do índice CPO-D. O desfecho primário do presente estudo foi a autopercepção da saúde bucal. As variáveis independentes investigadas foram divididas em três categorias: individuais, contextuais e de saúde bucal. Foram conduzidas análises descritivas e de associação, utilizando-se o software IBM® SPSS. Resultados: O número de indígenas avaliados foi 205. A amostra, com predominância feminina (64,2%) e média de idade de 29 anos, apresentou distribuição educacional desigual - 35,2% com ensino fundamental incompleto e 26,9% com ensino médio completo - e grande vulnerabilidade socioeconômica – 56,6% com renda mensal familiar de meio salário-mínimo. A autopercepção da saúde bucal indicou que 47,8% dos participantes a consideraram “boa”, 34,6% como “regular” e 17,6% como “ruim”. Identificou-se um padrão geral positivo de autocuidado bucal, demonstrado pela alta prevalência de escovação dentária autorreferida (96,1%), uso do creme dental quase universal (96,6%), porém com adesão reduzida ao uso do fio dental, onde 48,5% afirmaram não utilizá-lo. A necessidade de tratamento odontológico autorreferida foi alta, atingindo, em média, 75,1% dos participantes, assim como a experiência de cárie dentária (96,6%). A presença de sintomas bucais também foi frequente, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Nos últimos seis meses, 41,8% das pessoas relataram dor dentária, 32,2% relataram problemas para morder ou mastigar, e 18,0% relataram dificuldades para falar. Ademais, 20,5% relataram dificuldades em realizar atividades cotidianas, e 30,2% sentiram vergonha ao sorrir. A autopercepção negativa da saúde bucal apresentou associação significativa com maiores valores do índice CPO-D (RPaj = 1,48; IC95%: 1,03–2,15). Além disso, mostrou-se associada à necessidade de tratamento odontológico (RPaj = 2,69; IC95%: 1,54–4,69), presença de dor nos últimos seis meses (RPaj = 1,48; IC95%: 1,13–1,95), dificuldade para morder ou mastigar (RPaj = 1,58; IC95%: 1,22–2,05), dificuldade para falar (RPaj = 1,46; IC95%: 1,11–1,91), vergonha de sorrir (RPaj = 1,81; IC95%: 1,41–2,31) e limitação para realizar atividades cotidianas em decorrência dos dentes (RPaj = 1,78; IC95%: 1,41–2,25). Conclusões: Estratégias clínicas e de promoção da saúde que integrem tratamento adequado, prevenção focada em riscos e educação em saúde que considere as dimensões culturais, subjetivas e psicossociais da saúde, são fundamentais para melhorar a saúde bucal da população indígena KaingangItem Entre o silêncio e a notificação: um olhar para as violências contra meninas e mulheres em uma cidade do norte do Paraná(2026-05-18) Lima, Stephane Atamanczuk de; Carvalho, Marselle Nobre de; Lourenço, Sandra; Canelada, HalineResumo: As violências contra meninas e mulheres configuram-se como graves problemas sociais e de saúde pública, atravessado por desigualdades estruturais de gênero, raça e classe, e enraizado em relações históricas de poder. Este estudo teve como objetivo analisar as características das notificações de violência contra meninas e mulheres no município de Londrina/PR, no período de 2011 a 2024, com base nos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Trata-se de pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, baseada em dados secundários, que buscou caracterizar o perfil de meninas e mulheres em situação de violência, bem como dos(as) agressores(as), descrever os vínculos entre vítimas e agressores(as), classificar os tipos de violência e os locais de ocorrência, além de identificar padrões recorrentes do fenômeno. Os resultados evidenciam que a violência ocorre predominantemente no ambiente doméstico e é majoritariamente perpetrada por parceiro íntimo, com maior concentração entre mulheres adultas e crescimento significativo dos casos na adolescência nos últimos anos. Destaca-se, ainda, a expressiva incompletude da variável raça/cor, sobretudo pelo elevado preenchimento do campo “ignorado”, o que compromete a análise da realidade e dificulta a formulação de políticas públicas que considerem as desigualdades raciais. Conclui-se que, embora os dados oficiais sejam fundamentais para o planejamento, a implementação e a avaliação de políticas públicas, persistem fragilidades nos processos de notificação, relacionadas à subnotificação, ao não acesso e à culpabilização das vítimas, evidenciando a necessidade de fortalecer as redes de apoio, qualificar os serviços e investir na formação dos profissionais responsáveis pelos registrosItem Acesso a fluoretos, prevalência de cárie e fluorose dentária em adolescentes indígenas Kaingang do norte do Paraná(2026-05-27) Silva Neto, João Ferreira da; Girotto, Edmarlon; Caldarelli, Pablo Guilherme; Ditterich, Rafael GomesResumo: Introdução: A saúde bucal dos povos originários é marcada por relevantes lacunas de conhecimento e desigualdades históricas, especialmente quando o assunto se refere ao acesso ao fluoreto e à ocorrência de fluorose dentária. A maior concentração desses estudos acontece em contextos urbanos e em populações não indígenas, o que contribui para a invisibilização desse grupo e para a manutenção de desigualdades em saúde, justificando a necessidade de investigações que considerem suas especificidades socioculturais e históricas, além das condições de acesso aos serviços e insumos de saúde bucal. Objetivo: Estimar a prevalência de fluorose dentária e cárie dentária, bem como analisar os teores de fluoreto na água de abastecimento e nos dentifrícios distribuídos em uma comunidade indígena do norte do Paraná. Métodos: Trata-se de uma pesquisa epidemiológica, transversal, descritiva com abordagem quantitativa, com adolescentes indígenas Kaingang da Aldeia Apucaraninha, no norte do Paraná, incluindo a avaliação da presença de fluoreto na água de abastecimento da comunidade e nos dentifrícios distribuídos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Foram coletados dados primários por meio de exames bucais utilizando o Índice de Dean para a fluorose e o CPO-D para a experiência de cárie, além de contar com informações autorreferidas sobre as condições socioeconômicas, autocuidado e acesso aos serviços de saúde. Em paralelo, foram realizadas análises laboratoriais para a determinação do teor de fluoreto na água de abastecimento da comunidade e nos dentifrícios distribuídos pelo DSEI. Resultados: A análise laboratorial identificou concentração de fluoreto de 0,2 ppm na água de abastecimento da comunidade. Os dentifrícios avaliados apresentaram baixa fração de fluoreto solúvel, variando de 396 ppm (20,1%) a 664 ppm (47,1%), e elevada proporção de fluoreto insolúvel, entre 744 ppm (52,9%) e 1568 ppm (79,9%). Quanto à fluorose dentária, 81,3% dos participantes foram classificados como normais, 12,5% como questionáveis, 3,1% como muito leve e 3,1% como leve, sem registro de casos moderados ou severos. A experiência de cárie foi alta, com CPO-D médio de 6,84, composto majoritariamente por dentes cariados, com média de 5,91 (83,3%), seguido por dentes obturados, 0,88 (12,8%), e perdidos, 0,06 (0,9%). Não houve associação estatisticamente significativa entre fluorose dentária e CPO-D. Conclusão: A exposição ao fluoreto na população estudada acontece de forma limitada e pouco efetiva, não sendo suficiente para garantir uma consistente proteção contra a cárie. Os achados demonstram que apenas a presença de fontes fluoretadas não sustenta acesso adequado ao fluoreto, principalmente quando há ausência de fluoretação e tratamento da água e baixa qualidade dos produtos distribuídos. Sendo assim, o estudo reforça a necessidade de fortalecimento e execução das políticas públicas que garantam acesso qualificado ao fluoreto, bem como o monitoramento contínuo da água e da infraestrutura de saneamento, a vigilância dos produtos de higiene oral distribuídos e a ampliação do acesso aos serviços de saúde bucal de forma contínua, territorializada e culturalmente sensívelItem Questões de gênero que atravessam as histórias de mulheres com diagnóstico de câncer de mama(2024-07-31) Giuliani, Juliana Camilla dos Santos Tomiotto; Carvalho, Marselle Nobre de; Melchior, Regina; Herrera, Ana Cristina da Silva AmaralO câncer de mama é indiscutivelmente um problema de saúde pública no Brasil, pois possui alta taxa de incidência e é a segunda causa de morte entre as mulheres. Trata-se de um agravo que traz um prejuízo por morte evitável e produz mutilações, deturpação de identidade, acometimento biopsicossocial e impacto econômico. Nesse sentido, a perspectiva hegemônica e patriarcal da mama como um símbolo de constituição da feminilidade e de construção social da mulher (subordinada ao homem) pode influenciar a maneira como as questões de gênero são consideradas no rastreamento e no diagnóstico precoce de câncer de mama. Isso posto, valendo-se do método qualitativo do tipo história oral de vida, o objetivo geral desta dissertação é investigar as questões de gênero que atravessam a trajetória, o acesso e o cuidado das mulheres com câncer de mama. O estudo foi realizado a partir dos diagnósticos de câncer de mama da Unidade da mama, ambulatório do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (CISMEPAR) situado em Londrina, que atende os municípios das 17ª e 18ª Regionais de Saúde do Paraná. Desse modo, foram conduzidas sete entrevistas com apoio de um roteiro semiestruturado entre os meses de agosto e novembro de 2023, organizado em forma de contação de história a fim de trazer as narrativas das mulheres sobre as suas vivências em relação ao diagnóstico de câncer de mama. Convém mencionar que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição na qual a pesquisadora está vinculada. Para as discussões, utilizaram-se três eixos de análise: a) o acesso e a assistência à saúde, destacando o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) no auxílio das mulheres ao longo de seus percursos; b) a divisão sexual do trabalho e o papel social de gênero, abordando o cuidado com a casa e com os filhos somado aos trabalhos remunerados externos ao lar (por exemplo, cozinha, serviço doméstico, educação infantil, artesanato e costura) e a consequente sobrecarga feminina em atividades diárias e; c) os sentimentos frente ao diagnóstico, verificando como os medos e as angústias associados ao câncer de mama afetam a vida social das mulheres e sua busca pela identificação clínica da doença. Tais pilares se revelam aspectos dificultadores no que se refere ao cuidado da saúde da mulher e ao diagnóstico precoce de câncer de mama. Em vista disso, a elaboração e a implementação de políticas públicas voltadas para essa população, com metas e financiamentos, representam uma das propostas para melhoria desse cenário. Entre as medidas necessárias estão as garantias de: acesso à creche e à escola em horários alternativos; direitos para mães trabalhadoras; igualdade salarial entre gênero e raça; e direitos sexuais e reprodutivos. E também investimentos no setor saúde como financiamentos, qualificação da APS e educação permanente em saúde para detecção e rastreamento das condições de saúde, com foco no câncer de mama a fim de proporcionar identificação e agilidade no diagnóstico e tratamentoItem A territorialização na atenção primária à saúde: desafios entre o modelo normativo e sua implementação nos municípios paranaenses(2026-06-25) Schneider, Angela Cristina; Marques, João Felipe; Carvalho, Brígida Gimenez; Ulinski, Karla Giovana BavarescoResumo: A territorialização constitui um dos pilares estruturantes da Atenção Primária à Saúde (APS), por possibilitar a delimitação de populações adscritas e a compreensão ampliada das condições de vida, vulnerabilidades e necessidades em saúde nos territórios. Esta dissertação teve como objetivo compreender as práticas de territorialização desenvolvidas na APS nos municípios do estado do Paraná, com ênfase na organização do processo de trabalho das equipes da Estratégia Saúde da Família. Trata-se de estudo de método misto, com abordagem descritivo-analítica e qualitativa, desenvolvido em duas etapas sequenciais. Na primeira etapa, foram analisados dados secundários provenientes de questionários eletrônicos aplicados pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aos 399 municípios paranaenses em 2023, especificamente no bloco “Territorialização e Vínculos”. As respostas foram categorizadas em conformidades e não conformidades, evidenciando fragilidades sobretudo nas práticas que demandam maior capacidade de análise, planejamento e utilização do território como elemento estruturante do processo de trabalho. A análise estatística transversal, realizada por meio do coeficiente de correlação de Spearman, identificou associações significativas entre os padrões regionais de não conformidades e o escore total estadual, demonstrando distribuição relativamente homogênea das fragilidades entre as macrorregiões do estado. Na segunda etapa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com coordenadores municipais da APS, submetidas à análise de conteúdo, proposta por Laurence Bardin. Emergiram quatro categorias analíticas: territorialização impulsionada por exigências externas; distanciamento entre instrumentos formais e prática cotidiana; centralidade do Agente Comunitário de Saúde na leitura territorial; e dificuldades estruturais relacionadas à sobrecarga assistencial e à rotatividade profissional. Conclui-se que a territorialização, embora institucionalmente prevista como diretriz organizadora da APS, permanece tensionada por limitações organizacionais, fragilidades operacionais e induções avaliativas externas, sendo concretizada predominantemente a partir do trabalho vivo das equipes. Os achados revelam a persistente distância entre o modelo normativo da territorialização e sua implementação concreta nos municípios paranaensesItem O papel do apoio institucional na produção de autonomia para gestores do SUS em municípios de pequeno porte(2026-03-10) Campitelli, Juliana Ferreira Canassa; Mendonça, Fernanda de Freitas; Silva, João Felipe Marques da; Andrade, Silvia Karla Azevedo VieiraResumo: Esta dissertação analisa o papel do apoio institucional no contexto da gestão do Sistema Único de Saúde em municípios de pequeno porte, à luz da Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. Nesse contexto, o apoio institucional é compreendido como um dispositivo pedagógico e político que atua na mediação entre a burocracia e a prática cotidiana, convertendo orientações técnicas em possibilidades concretas de gestão e aprendizado. Parte-se do seguinte problema de pesquisa: como o apoio institucional contribui para a produção de autonomia de gestores do Sistema Único de Saúde em municípios de pequeno porte? A pesquisa foi orientada por uma matriz teórica inspirada nos princípios freirianos da Pedagogia da Autonomia, estruturada em elementos como a valorização dos saberes prévios, o diálogo constante, a construção coletiva, a produção de reflexão crítica sobre a realidade, o respeito ao contexto local e à apreensão da realidade, o saber escutar, o estímulo ao protagonismo dos atores e a disponibilidade para a mudança. Essa matriz orientou a análise das narrativas e experiências de gestores e apoiadores, permitindo compreender como o apoio institucional se configura como espaço de escuta, troca e construção compartilhada de saberes. Os resultados demonstram que o apoio institucional não apenas oferece suporte técnico, mas também desencadeia processos formativos que favorecem a conscientização e o fortalecimento da autonomia dos gestores. Ao provocar a reflexão crítica e o diálogo sobre o cotidiano da gestão, o apoiador institucional estimula a transformação das práticas e a ampliação do protagonismo local. Outro resultado encontrado foi o caráter gradual e processual da produção da autonomia, tensionado por limitações estruturais, como interferências políticas, questões relacionadas ao processo de trabalho e às interações com diferentes atores que compõem o campo da gestão. Conclui-se que o apoio institucional representa, simultaneamente, uma ferramenta técnica, um espaço pedagógico e uma prática política. Inspirado pela Pedagogia da Autonomia, ele concretiza a educação como prática de liberdade e reafirma a autonomia como um movimento contínuo, inacabado e coletivo, sustentado pelo diálogo, pela escuta e pela reflexão crítica sobre a realidade.Item Efetividade dos radares fixos de velocidade para redução do número e gravidade de sinistros de trânsito: um estudo transversal antes e depois(2026-04-17) Kuchenbecker, Thays; Girotto, Edmarlon; Durán González, Alberto; Moura, Débora Regina de OliveiraIntrodução: Os sinistros de trânsito são grave problema de saúde pública global, com alto número de lesões e mortes. No Brasil, frota veicular crescente e urbanização desordenada agravam o cenário, sobrecarregando vias e os sistemas de saúde. O fator humano destaca-se como o principal determinante de fatalidades, especialmente o excesso de velocidade, que eleva risco de óbitos e incapacidades. Evidências de países alta mostram que radares de velocidade reduzem sinistros e gravidade de lesões. Porém, há lacuna cientifica sobre sua efetividade em nações de baixa/media renda, com diferenças em infraestrutura, fiscalização e comportamento de condutores. Assim, e essencial investigar o impacto no Brasil para embasar políticas públicas adaptadas as realidades locais. Objetivo: Avaliar o impacto da fiscalização eletrônica por radares de velocidade na redução da quantidade e gravidade das lesões em sinistros de trânsito no município de Londrina (PR). Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal do tipo antes e depois, baseado em dados secundários de sinistros atendidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina. O período analisado compreendeu um ano anterior e um ano posterior a instalação dos radares, entre 2020 e 2023. Utilizou-se o software QGIS para georreferenciamento e cálculo da distância entre o ponto do sinistro e o radar mais próximo. Resultados: Foram analisadas 1.456 ocorrências viárias, distribuídas entre os períodos pré e pós-intervenção. Após a instalação dos radares, observou-se redução global de 17,5% no número absoluto de sinistros e de 15,6% no total de vítimas. Demograficamente, vítimas masculinas caíram 18,6%, enquanto femininas diminuíram 10,3%. Faixas etárias jovens (20-29 anos: -28,1%; 30-39 anos: -35,3%; 10-19 anos: -26,6%) apresentaram maiores reduções, contrastando com aumentos em grupos mais velhos (40-49 anos: +34,0%). Ferimentos leves (-15,0%) e graves sem risco a vida (-16,1%), com risco a vida (-14,7%) predominaram, com óbitos caindo 25,0%. Motociclistas (condutores: -20,1%; passageiros: -19,2%) foram os mais afetados, enquanto pedestres aumentaram 5,3%. Por gravidade, fatais reduziram 56,3%, com maior eficácia em vias de 60 km/h (-91,7% de 12 para uma vítima) e colisões (-17,8%). Espacialmente, declínios foram acentuados próximas aos radares (0-50 m:-45,3%; 0-100 m: -34,8%), atenuando-se em distancias maiores (até 500 m: -22,2%). Apesar de a regressão logística não indicar significância estatística para a diminuição global dos sinistros graves/fatais (OR = 0,851; IC 95%; p = 0,517), os padrões observados sugerem efeito positivo da intervenção sobre a severidade dos impactos. Conclusões: Observou-se redução na proporção de sinistros e vítimas, com predomínio de sinistros de menor gravidade após a instalação dos radares, além da diminuição de motociclistas e homens envolvidos. Os resultados apontam alterações nas características dos sinistros e no quantitativo de vítimas nas vias equipadas com fiscalização de velocidade, podendo subsidiar o planejamento de novas ações e estratégias para intensificar a fiscalização no trânsito, especialmente em vias de alta velocidadeItem Conhecimento e percepção de autoeficácia de profissionais da educação sobre o guia alimentar para a população brasileira(2026-02-27) Souza, Marcella Carolina Moura Bolognini de; Guerra, Paulo Henrique de Araújo; Loch, Mathias Roberto; Pires, Patrícia Fernanda FerreiraO Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB), elaborado pelo Ministério da Saúde, constitui um importante referencial para ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no contexto escolar. Contudo, estudos indicam limitações no conhecimento desse documento e na autoeficácia para utilizá-lo entre profissionais da educação básica. Este estudo transversal objetivou avaliar o conhecimento e a percepção de autoeficácia desses profissionais em relação ao GAPB. Participaram 373 profissionais elegíveis das 10 escolas e 11 centros municipais de educação infantil de Ivaiporã (PR), abrangendo diferentes categorias. Os dados foram coletados por meio dos questionários validados GAB1 (conhecimento sobre o GAPB) e GAB2 (autoeficácia docente), este último aplicado exclusivamente aos professores. A análise foi realizada no software SPSS versão 22.0, utilizando estatística descritiva (frequências, percentuais) e testes de associação (qui-quadrado de Pearson e teste exato de Fisher quando aplicável), adotando nível de significância de 5% (p < 0,05). Os resultados revelaram diferenças significativas no conhecimento elevado (=13 acertos no GAB1) entre categorias profissionais (p = 0,037), com maiores proporções entre professores (61,0%) e pós-graduados (65,0%). O conhecimento associou-se significativamente à idade (p = 0,013) e ao tempo de serviço (p = 0,037), mas não a gênero, cor/raça, escolaridade ou vínculo trabalhista. Quanto à autoeficácia (GAB2), apenas 36,3% dos docentes apresentaram níveis elevados, com maior proporção entre aqueles de 31 a 40 anos (39,7%) e menor entre profissionais com mais de 21 anos de tempo de serviço (2,7%). As diferenças no conhecimento e na autoeficácia em relação ao GAPB associaram-se à função exercida, idade e trajetória profissional, destacando a necessidade de ações de formação continuada para otimizar o uso do Guia no ambiente escolar.Item Características dos encaminhamentos ao caps e fatores associados à inserção e ao abandono do acompanhamento(2026-02-27) Di Mauro, Luisa Guedes; González, Alberto Durán; Girotto, Edmarlon; Tavanti, Roberth Miniguine; Arenhart, Carlos Guilherme MeisterIntrodução: A Reforma Psiquiátrica redefiniu o cuidado em saúde mental no Brasil ao substituir o modelo hospitalocêntrico pelo Paradigma Psicossocial e ao organizar a Rede de Atenção Psicossocial de forma territorial e integrada. Apesar dos avanços, persistem fragilidades nos encaminhamentos, na articulação entre serviços e na continuidade do cuidado. Assim, compreender como esses fluxos operam na prática é essencial para qualificar a rede e fortalecer o cuidado em liberdade. Objetivo: Descrever o perfil dos usuários encaminhados a um Centro de Atenção Psicossocial I de um município de pequeno porte, as características dos encaminhamentos e analisar os fatores associados à inserção e ao abandono do acompanhamento no CAPS. Método: Trata-se de um estudo descritivo-analítico, retrospectivo, de abordagem quantitativa, realizado no Centro de Atenção Psicossocial I (CAPS I) de um município de pequeno porte do norte do Paraná. Foram analisados 708 prontuários de usuários acolhidos entre 2021 e 2025. Para as análises relacionadas à trajetória assistencial, foram considerados os acolhimentos realizados até junho de 2023, garantindo período mínimo de dois anos de acompanhamento. Foram coletadas variáveis sociodemográficas, clínicas, características dos encaminhamentos e informações sobre o percurso assistencial dos usuários no serviço. Os desfechos analisados foram a inserção para acompanhamento no CAPS e o abandono do tratamento. Realizaram-se análises descritivas por medidas de frequência, testes de associação e modelos de regressão logística binária para identificação dos fatores associados aos desfechos. Resultados: Predominaram encaminhamentos de mulheres jovens adultas, brancas, solteiras e trabalhadoras. A APS foi responsável por mais da metade dos encaminhamentos, sobretudo realizados por clínicos gerais. A maior parte dos usuários possuía histórico de tratamento em saúde mental e a maioria dos encaminhamentos foram motivados por queixas ansiosas e depressivas. Observou-se fragilidade nos encaminhamentos, com registros incompletos e ausência da Estratificação de Risco em Saúde Mental (ERSM). O tempo entre encaminhamento e acolhimento foi majoritariamente curto. Risco suicida e uso de substâncias psicoativas aumentaram a chance de inserção no CAPS, enquanto sintomas depressivos e ansiosos isolados reduziram essa probabilidade. Dos 708 usuários, 59,7% foram inseridos (com elaboração de PTS) e 40,3% redirecionados a outros pontos da rede. Nos reacolhimentos, a demanda espontânea foi a principal porta de entrada. A maioria dos acompanhamentos durou até seis meses, e o abandono foi elevado: 72,3% dos PTS foram interrompidos, sendo 26,1% logo após o acolhimento. O abandono esteve associado principalmente ao uso de substâncias psicoativas. Conclusão: A trajetória dos usuários na RAPS é influenciada por fatores clínicos e sociais, mas também pela efetividade dos serviços e pelo grau de integração entre eles. Fragilidades nos encaminhamentos e na articulação da rede podem dificultar o acesso ao cuidado adequado, comprometendo o vínculo, a continuidade e a efetividade do tratamento. Nesse sentido, qualificar os encaminhamentos, fortalecer a resolutividade da APS e aprimorar estratégias cooperativas entre os pontos de atenção tornam-se essenciais para garantir percursos terapêuticos coerentes com as necessidades dos usuários.Item Trajetória profissional de egressos do mestrado em Saúde Coletiva com formação inicial em Educação Física no Brasil(2026-02-25) Araújo, Mayra Silva; Loch, Mathias Roberto; Knuth, Alan Goularte; Carvalho, Fabio Fortunato Brasil de; Oliveira, Joamara Gomes Domingues deA inserção dos profissionais de Educação Física tem se intensificado na Saúde Coletiva. Contudo, persistem desafios na formação voltada a este campo. Nesta perspectiva a pósgraduação Stricto-Sensu, nível de mestrado surge como alternativa de qualificação, embora o conhecimento sobre a trajetória desses egressos ainda represente uma lacuna na literatura cientifica. O objetivo deste trabalho foi verificar a trajetória profissional de mestres em Saúde Coletiva e Saúde Pública com formação inicial em Educação Física no Brasil. Para tanto, foi realizado um estudo de delineamento transversal, descritivo e quantitativo com egressos de Mestrado Acadêmico em Saúde Coletiva e Saúde Pública no âmbito Nacional. Inicialmente foram identificados 35 programas. Em um projeto anterior, onde foram catalogados dados de 8217 dissertações e a(s) respectiva(s) formação(ões) inicial(is) dos autores (em nível de graduação), observou-se que 189 sujeitos tinham formação inicial em Educação Física, sendo estes os elegíveis para o presente estudo. Foi elaborado um questionário online constando questões sobre o perfil, formação acadêmica, inserção profissional e importância do mestrado sobre a carreira profissional e enviado para os elegíveis do estudo, seja a partir dos respectivos programas ou via contato direto com endereções eletrônicos encontrados em buscas realizadas na web. Para análise dos dados foi realizada estatística descritiva das variáveis, com distribuição de frequências absolutas e relativas e para analisar a evolução temporal das variáveis, com os dados agrupados em quinquênios, considerando o ano de término do mestrado, assim: Quinquênio 1 (Q1) =2010-2014; Quinquênio 2 (Q2) = 2015-2019; Quinquênio 3 (Q3) = 2020- 2024. Responderam ao formulário, 113 sujeitos (taxa de resposta = 59,8%). A maioria era do sexo feminino (53,1%), mulher ou homem cis (97,3%) e autodeclarado de cor branca (54,9%). Cerca de metade (50,4%) tinham cursado o ensino médio totalmente em escola pública, com aumento proporcional ao longo dos períodos (de 39,4% no Q1 para 67,9% no Q3). Em relação a área à qual a dissertação está vinculada a Epidemiologia foi predominante (54,0%), mas apresentou um declínio percentual (de 72,7% no Q1 para 39,3% no Q3), enquanto observou-se crescimento das Ciências Humanas e Sociais (de 12,1% no Q1 para 35,7% no Q3). Quanto às experiências antes do mestrado, 51,3% referiram que a graduação não abordou conteúdos do Sistema Único de Saúde, mesmo percentual dos que referiu que não ter tido experiências na formação inicial com outras profissões. 26,0% realizaram residência multiprofissional, cuja participação aumentou na comparação dos quinquênios (de 6,0% no Q1 para 32,1% no Q3). 57,5% tinham atuado anteriormente ou estavam atuando como docentes universitários no momento da coleta, tendo se observado diminuição ao longo dos quinquênios (54,5% no Q1 para 17,9% no Q3) e 26,4% atuaram na área de gestão. A percepção sobre o mestrado em relação ao trabalho atual, foi positiva, com 80,5% considerando “muito importante” ou “importante” e a maioria (61,9%) estava satisfeita com as condições de trabalho atuais. Mesmo diante das lacunas evidenciadas na formação inicial, a trajetória dos egressos de Educação Física em Saúde Coletiva, revela expressiva atuação nas áreas de docência e gestão e menor presença em cargos assistenciais, bem como uma percepção positiva do mestrado em relação a carreira profissional.Item HIV/Aids em Angola : uma revisão integrativa (2015 - 2024)(2026-02-24) Niengue, Benvindo Paulo Filo; Loch, Mathias Roberto; Wiechmann, Susana Lílian; Saganski, Gabrielle Freitas; Guerra, Paulo Henrique de AraújoO HIV continua sendo um grande problema de saúde pública global, especialmente no continente africano. Em Angola apresenta a prevalência entre adultos é de cerca de 1,6%, o que corresponde a cerca de 370 mil pessoas vivendo com HIV. Em 2024, ocorreram aproximadamente 21 mil novas infecções e 13 mil mortes relacionadas à aids. Neste contexto, a necessidade de sistematizar o conhecimento produzido sobre HIV/Aids em Angola torna-se evidente. A produção científica nacional ainda é escassa, fragmentada e, muitas vezes, pouco acessível, o que dificulta a identificação de tendências epidemiológicas, a avaliação da efetividade das intervenções e a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. O objetivo deste estudo foi sintetizar o conhecimento relacionado ao HIV/Aids em Angola no período de 2015 a 2024. Foi realizado um estudo do tipo revisão integrativa da literatura. A revisão foi conduzida em etapas sequenciais: (1) identificação do tema e seleção da hipótese ou questão de pesquisa para a elaboração da revisão integrativa; (2) estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos/ amostragem ou busca na literatura; (3) definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/ categorização dos estudo; (4) avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa; (5) interpretação dos resultados; e (6) apresentação da revisão/síntese do conhecimento. A construção da questão de pesquisa baseou-se na estratégia PCC (População, Conceito e Contexto), sendo que a pergunta formulada foi: Quais são os principais achados publicados entre 2015 e 2024 sobre HIV/aids em Angola? Assim, foram incluídos artigos originais completos, publicados em um período de dez anos (2015 - 2024) que abordassem sobre HIV/Aids no contexto de angolano. O levantamento bibliográfico foi realizado em maio de 2025, pelo acesso virtual as bases de dados CINAHL, Scopus, Embase, Medline, PubMed e LILACS. Utilizou-se a seguinte combinação de descritores do Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH), intercalados com os operadores booleanos “AND” e “OR”: “HIV OR Aids AND Angola. Os artigos foram selecionados através da leitura dos títulos e dos resumos por dois autores e, posteriormente, comparados para garantir a validação do procedimento. 20 artigos foram incluídos. Em relação à afiliação dos primeiros autores dos artigos, nove tinham afiliação com instituições angolanas e 11 com outros países (seis de Portugal, três da Itália e dois do Brasil). Sete estudos referiram ter algum tipo de financiamento. Quanto à abrangência dos estudos, em relação à amostra, observou-se que 14 tinham abrangência Local (em geral de um município ou província) e seis de abrangência nacional. Das pesquisas com abrangência local, 9 foram realizadas na província de Luanda, onde fica a capital do país, e somente outras duas províncias, das 21 existentes, também apresentaram estudos. A maioria dos estudos (n=15) incluiu ambos os sexos. Quanto ao tamanho da amostra, cinco estudos investigaram mais de 500 sujeitos, mesmo valor de amostras de 1 a 50 sujeitos. Em relação à faixa etária, onze estudos incluíram apenas adultos, quatro com adolescentes e adultos e três crianças. Sete estudos foram de delineamento transversal, quatro observacionais retrospectivos, três de intervenção, dois moleculares, além de terem sido encontrados um estudo com cada um destes delineamentos: revisão sistemática, qualitativo, validação e estudo de série temporal. 15 estudos tiveram abordagem quantitativa, dois qualitativas e dois abordagem mista. Os temas mais investigados foram: Diversidade Genética e resistência aos medicamentos (n=6), estratégias de intervenção (n=3) e transmissão vertical (n=3). Em síntese, pesquisas sobre HIV/Aids em Angola encontram-se em fase de consolidação, com avanços na produtividade, mas que ainda demanda diversificação metodológica, descentralização geográfica.Item Percepções dos supervisores do programa HIV/Aids sobre os motivos que levam as pessoas que vivem com HIV à Interrupção da terapia antirretroviral em Angola(2026-02-26) Fonseca, Edna Esperança Matamba Miguel; Loch, Mathias Roberto; Melchior, Regina; Andrade, Silvia Karla Azevedo VieiraA epidemia de HIV/Aids permanece um desafio global e, em Angola, é generalizada, com prevalência superior a 1%. Os supervisores do programa HIV/Aids, responsáveis por coordenar e monitorar as atividades relacionadas ao HIV/Aids em nível provincial e municipal, desempenhem papel essencial na resposta à epidemia em Angola. Apesar da eficácia da Terapia Antirretroviral (TARV), a interrupção do tratamento ainda constitui um obstáculo para o controle da infecção. Objetivo: Avaliar as percepções dos Supervisores sobre os motivos que levam as pessoas que vivem com HIV (PVHA) a interrupção da TARV em Angola. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal descritivo de abordagem quantitativa, de amostra intencional no qual foram considerados elegíveis 182 supervisores sendo 18 do nível provincial e 164 do nível municipal. A coleta de dados ocorreu entre os meses de julho e agosto de 2025, por meio de um questionário estruturado, contendo questões referentes ao perfil sociodemográfico e profissional dos participantes e percepções acerca dos fatores associados à interrupção da TARV. Os fatores foram agrupados em três categorias analíticas: intrínsecos, extrínsecos e relacionados ao sistema de saúde. Realizou-se análise descritiva das variáveis sociodemográficas e profissionais, e análise de associação entre as percepções de “influência/influência muito” e variáveis contextuais, como a função exercida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das províncias de atuação. As questões abertas foram submetidas à análise categorial. Ao final, totalizaram-se 133 respostas, das quais 16 dos supervisores provinciais e 117 dos supervisores municipais. Entretanto foram excluídas 8 respostas por não atenderem aos critérios de inclusão, resultando em uma amostra final de 125 participantes. Resultados: O fator condições socioeconômicas desfavoráveis (88%), pertencente ao grupo dos fatores extrínsecos, foi o que apresentou, em geral, maior frequência de percepções dos profissionais como influente para a interrupção da TARV, sendo seguido pelos fatores estigma social e preconceito (73,6%) e influência de crenças culturais e religiosas (72,8%). Entre os fatores intrínsecos, o fator vergonha ou preconceito internalizado (87%) foi o que apresentou maior frequência de percepções dos participantes como influente para a interrupção da TARV, seguido pelo fator sentir-se bem, sem nenhum sinal (75,2%) e pelo fator dificuldade em aceitar o diagnóstico (65,6%). No grupo dos fatores relacionados ao sistema de saúde, os fatores com maior frequência de apontamentos como influentes para a interrupção da TARV foram, dificuldade de acesso às unidades por limitações estruturais ou logísticas (54,4%) e ausência de grupos de apoio organizados pelos serviços (49,6%).Em províncias com IDH mais elevado, observou-se equilíbrio entre fatores intrínsecos e extrínsecos, enquanto os fatores relacionados ao sistema de saúde apresentaram menor expressividade. As questões abertas revelaram fatores adicionais que segundo as percepções dos profissionais também são influentes para a interrupção da TARV, tratando-se da presença de doenças associadas, transumância/nomadismo, insegurança alimentar, insuficiência de recursos humanos e rotatividade de profissionais. Conclusão: A interrupção da TARV configura-se como fenômeno multifatorial, resultante da interação entre determinantes individuais, sociais, estruturais e organizacionais, variando conforme o contexto de vida das pessoas que vivem com HIVItem Conhecimento sobre o guia alimentar para a população brasileira em profissionais de saúde atuantes na atenção primária de Londrina - Paraná(2026-02-13) Nascimento, Renata Lizandra Bueno; Loch, Mathias Roberto; Reis, Lígia Cardoso dos; Pires, Patricia Fernanda FerreiraA promoção da alimentação adequada e saudável constitui uma estratégia essencial para a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida da população. Nesse contexto, o Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB) se destaca como um instrumento fundamental de orientação e promoção de práticas alimentares saudáveis. A Atenção Primária à Saúde (APS), por sua vez, exerce um papel estratégico na implementação dessas diretrizes. O objetivo deste estudo foi verificar o conhecimento dos profissionais de saúde da APS sobre o GAPB. Foi realizado um estudo transversal, de amostragem por conglomerados com 373 profissionais de saúde atuantes na APS do município de Londrina - PR. Foi aplicado um questionário sociodemográfico, perguntas relacionadas ao trabalho e a escala GAB1 que possui 16 perguntas (de 0 a 16 pontos) com objetivo de investigar o conhecimento sobre o conteúdo do GAPB. Para a análise descritiva, usou-se a distribuição de frequências absoluta e relativa. Utilizou-se o teste de Shapiro Wilk para testar a normalidade das variáveis e na comparação de medianas, foi realizado teste de Mann Whitney para dois grupos e Kruskall Wallis para as variáveis com mais de dois grupos. Para analisar o nível de acertos das questões sobre o GAPB de acordo com a categoria profissional utilizou-se o teste Qui-Quadrado. A média e mediana de conhecimento dos profissionais de saúde atuantes na APS de Londrina - PR foi de 11 e 12, respectivamente. O conhecimento associou-se positivamente com ser Nutricionista - maior conhecimento em nove das 16 questões do instrumento e com profissionais com menos de 10 anos de atuação na APS. A média aumentou conforme o maior nível de escolaridade e maior frequência de uso das práticas de cuidado da APS (p valor <0,05). Ao comparar o nível de conhecimento sobre o GAPB por profissão, as maiores medianas foram do grupo de Nutricionistas (14), Profissionais de Educação Física (14) e Médicos(as) (13). Houve diferença significativa apenas no grupo de Nutricionistas e Médicos(as), quando comparada às médias dos ACS, Auxiliar/Técnico em Enfermagem e Auxiliar/Técnico em Saúde Bucal. Os profissionais da APS de Londrina apresentaram níveis de conhecimento sobre o GAPB semelhantes aos achados nacionais, porém com lacunas que limitam sua incorporação às práticas cotidianas. Nutricionistas obtiveram melhor desempenho, evidenciando desigualdades formativas e fragilidades interprofissionais, enquanto maior escolaridade e tempo de atuação associaram-se a melhores resultados. Os achados reforçam a necessidade de integrar os conteúdos do GAPB aos processos formativos e às ações de educação permanente em saúde, com enfoque interprofissional e matriciamento nutricional, contribuindo para o fortalecimento da APS, do cuidado integral e da efetivação do direito humano à alimentação adequada no contexto da Sindemia GlobalItem Cartografias sobre o cuidado em saúde junto a um casal-guia que vive na rua(2024-02-28) Elias, Gabriel Pinheiro; Bortoletto, Maira Sayuri Sakay; Baduy, Rossana Staevie; Almeida, Daniel Emílio da SilvaAs pessoas que vivem na rua expressam modos de vida diversificados e singulares que implicam em suas demandas de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) conta com os Consultórios na Rua (CnaR), dispositivo que visa prestar assistência e articular tais demandas in loco, garantindo a integralidade de seus cuidados. O objetivo deste trabalho foi cartografar uma vivência sobre o cuidado em saúde junto a um casal-guia que vive na rua, referenciado a um CnaR. É um estudo cartográfico conforme a obra Cartografia Sentimental, de Suely Rolnik. Tal abordagem consiste ao pesquisador trazer as afetações vividas em campo enquanto material analítico à temática. O campo em questão foi o CnaR de um município no Paraná no qual me integrei à rotina de trabalho da equipe no decorrer do segundo semestre de 2022. A partir dessa imersão, foi utilizado como dispositivo o usuário-guia que consistiu, então, em elencar um usuário do CnaR conhecido pela equipe por representar um alto grau de complexidade na dinâmica do serviço. Esse dispositivo preconiza buscar ir de encontro a esse usuário e se permitir afetar por tal. No caso, esse trabalho ressaltou um casal que vive na rua, de feição alegre, que tencionava a equipe à uma disputa de perspectivas pela produção do cuidado. Assim, essas afetações vividas foram registradas em diário cartográfico e discutidas à luz de autores da esquizoanálise. A análise dessas afetações apontou os eixos de discussão: biopoder, biopolítica e biopotência. O desejo de maternidade nesse casal convocou em nós uma postura de dissuasão, com ofertas majoritariamente de anticoncepcionais, e nos trouxe um conflito ético-moral sobre o controle do desejo do outro. Logo, se discorreu que quando esse casal buscou adotar um estilo de vida de moradia regular que atendeu nossas expectativas de cuidados em saúde, que supostamente legitimassem seu desejo – porém, o antes alegre casal agora aparentava apático e sem projeções como quando estavam na rua. Por fim, após cerca de duas semanas, retornaram à rua. Tal evento trouxe alívio, pois, a ótica de que a moradia regular seria o melhor para eles, pensado enquanto profissional de saúde, minou o que se entende enquanto a potência de vida desse casal. Independente do debate das condições adequadas a uma maternidade, nosso trabalho deve se voltar ao diálogo com a potência de vida, não ao controle sobre ela. A cartografia evidenciou tanto os elementos velados de uma perspectiva de cuidado orientada pelo controle do outro, quanto aqueles voltados à potência de vida – exercício analítico fundamental para práticas ampliadas e integrais de cuidadoItem Articulando redes: uma cartografia da produção do cuidado da população em situação de rua(2024-02-29) Seti, Maria Eduarda Romanin; Bortoletto, Maira Sayuri Sakay; González, Alberto Durán; Almeida, Daniel Emílio da SilvaO crescente desenvolvimento do capitalismo e a hegemonia liberal representam a nova ordem mundial. Essas mudanças produzem como efeito o aumento das desigualdades sociais e consequentemente a exclusão social. Nesse processo, uma parcela da população foi excluída do acesso ao trabalho, aos bens e serviços em nossa sociedade, o que teve como consequência o aumento significativo das pessoas em situação de rua e de vulnerabilidade social. Foi realizado um estudo qualitativo por meio da utilização do método cartográfico. A cartografia se trata de uma metodologia de pesquisa nova. Diferentemente das pesquisas qualitativas tradicionais, a cartografia não tem uma forma, um passo a passo ou uma receita a ser seguida, ela se constitui a partir dos movimentos e momentos experienciados. Cartografar é estar aberto ao encontro, é se misturar, se tingir, se descobrir com outras nuances. A todo momento é necessário estar atento às inquietações provocadas em nossos corpos. Esta cartografia produziu um mapa sobre os diversos encontros e afetos com a população em situação de rua. Na discussão do artigo, foram trabalhadas cenas vivenciadas durante a pesquisa, trazendo à tona discussões acerca do processo de construção de vínculo, valorização da subjetividade e as linhas percorridas pela população em Situação de Rua. Além disso, retrata-se a violência sofrida na rua, a invisibilidade da população perante o Estado e a deficiência de políticas públicas. Diante do que foi cartografado, observa-se que a população em situação de rua é uma potência, estes se reinventam cotidianamente a fim de produzir cuidado para si, não seguem rotas definidas, sua orientação está pautada em locais já conhecidos que possam formar uma rede de cuidado.