02 - Mestrado - História Social
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Item Rimas de resistência: apropriações do RAP pelo ensino de história 2017-2024(2026-03-31) Oliveira, Tamara Estanislau de; Moreno, Jean Carlos; Felipe, Delton Aparecido; Fiúza, Alexandre FelipeO presente trabalho tem como objetivo investigar a inserção do rap no ensino de História, considerando-o tanto como metodologia quanto como conteúdo, e analisar de que forma essa prática social tem sido utilizada para dialogar com a aprendizagem da História nas produções acadêmica. Parte-se da compreensão do rap não apenas como gênero musical periférico, mas como expressão artística, política e social que, especialmente no contexto da comunidade negra, tem sido utilizada para denunciar desigualdades estruturais, racismo, violência policial e promover resistência cultural. Ao mesmo tempo, busca-se compreender como o ensino de História, tradicionalmente ancorado no cânone europeu, vem sendo ressignificado a partir das demandas sociais e das contribuições dos movimentos negros. Este estudo responde às seguintes questões norteadoras: de que forma as pesquisas e proposições sobre o ensino de História incorporaram o rap como metodologia e/ou conteúdo? E, sobretudo, como o rap, enquanto expressão das periferias, tem sido evocado para a construção de um ensino de História crítico, inclusivo e capaz de articular memória, identidade e consciência social? A investigação evidencia o potencial do rap como recurso pedagógico que amplia a compreensão histórica, fortalece a construção de uma consciência crítica e promove a reflexão sobre as relações étnico-raciais e as desigualdades estruturais na sociedade brasileira. Para tanto, a pesquisa se apoia na análise de dissertações e teses que exploram o ensino de História articulado ao rap, com ênfase na identificação de abordagens pedagógicas, implicações culturais e sociais, bem como no mapeamento das práticas que efetivamente contribuem para um ensino mais plural, decolonial e engajado socialmente. Assim, este trabalho posiciona o rap não apenas como recurso didático, mas como instrumento crítico capaz de interpelar o próprio campo do ensino de História, desafiando suas estruturas e ampliando os horizontes da educação contemporâneaItem Sexualidade, gênero e subjetivação: a produção discursiva do feminino na psicanálise freudiana (1905–1933)(2026-04-13) Gonçalves, Samara Talita Vieira; Oliva, Alfredo dos Santos; Nalli, Marcos Alexandre Gomes; Lima, Marli Machado deEsta dissertação investiga a produção discursiva do feminino na psicanálise freudiana entre 1905 e 1933. Situada no campo da História Social e inspirada nas “precauções de método” de Michel Foucault, a pesquisa analisa as condições históricas de emergência das formulações psicanalíticas sobre a feminilidade, bem como as continuidades e deslocamentos presentes nesses discursos ao longo do período estudado. A dissertação se estrutura em dois movimentos principais. O primeiro estabelece o referencial teórico-metodológico a partir da analítica foucaultiana do saber, do poder e da subjetivação, em diálogo com teorias feministas e de gênero, especialmente Simone de Beauvoir, Luce Irigaray e Judith Butler. O segundo dedica-se à análise histórica e discursiva de textos freudianos, situando historicamente as formulações sobre a feminilidade e examinando as tensões entre a desnaturalização da sexualidade e a reinscrição de normatividades de gênero. Ao articular história, psicanálise e gênero, a pesquisa propõe uma leitura crítica de alguns dos discursos sobre o feminino, evidenciando seu caráter histórico, politicamente situado, bem como seus efeitos na produção de subjetividades e nas formas de inteligibilidade do femininoItem Do palco à sentença: o drama judicial dos trabalhadores teatrais cariocas no Brasil Imperial (1850–1853)(2026-04-16) Munhoz, Fernando Martins da Conceição; DeNipoti, Cláudio Luiz; Milagre Júnior, Sérgio Luiz; Martinez, Cláudia Bueno dos ReisEsta pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender o teatro no Rio de Janeiro oitocentista não apenas como arte ou lazer, mas como um local de trabalho e conflito marcado por relações profundamente assimétricas e pela ausência de legislação laboral específica, o que submetia os trabalhadores a uma condição de vulnerabilidade jurídica e hipossuficiência. O objetivo geral da dissertação é analisar o conteúdo de processos judiciais trabalhistas no setor teatral, examinando as reivindicações de artistas e coristas, as estratégias de defesa patronais e a fundamentação das decisões dos magistrados. A metodologia adotada consiste na análise minuciosa de fontes primárias manuscritas (petições, sentenças e termos de audiência) custodiadas pelo Arquivo Nacional e pertencentes ao Fundo Relação do Rio de Janeiro entre os anos de 1850 e 1853. Teoricamente, o estudo articula os aportes da cultura escrita e materialidade de Roger Chartier com os conceitos de campo jurídico e poder simbólico de Pierre Bourdieu. Os principais resultados demonstram que o campo jurídico funcionava como uma arena de disputa material e simbólica, onde a cultura escrita, dominada pelos empresários e sociedades teatrais, era privilegiada em detrimento da oralidade e da memória dos trabalhadores, gerando graves desvantagens probatórias para aqueles que não possuíam acesso a registros formais e contratos selados. Conclui-se que, apesar de o sistema judicial imperial reproduzir hierarquias sociais por meio da valoração desigual da prova, os processos serviram como espaços fundamentais de resistência e afirmação da dignidade e identidade laboral, revelando a capacidade de agência dos trabalhadores teatrais cariocas na busca por direitos em meio ao contexto de transição para o trabalho livre no Brasil.Item Caminhadas pelo museu: a construção de memórias no Museu Histórico da Imigração Japonesa do Paraná (Rolândia, 1978-2024)(2026-03-19) Oliveira, Izabela Marques de; André, Richard Gonçalves Shimada; Martinez, Cláudia Eliane Parreiras Marques; Luiz, Leonardo HenriqueA presente pesquisa tem por objetivo analisar a construção da narrativa da imigração japonesa no Museu Histórico da Imigração Japonesa do Paraná (MHIJP), localizado em Rolândia, investigando como a instituição seleciona memórias coletivas e produz silenciamentos sobre temas sensíveis ao passado migratório. Para a análise, é utilizada a pesquisa qualitativa que integra a análise da cultura material, da espacialidade e da história oral, tendo como fontes primárias o acervo interno e os monumentos da área externa, além de fotografias, reportagens de jornais e entrevistas com figuras-chave da comunidade. Busca-se compreender de que maneira a expografia e a organização do espaço monumentalizado operam um enquadramento da memória que privilegia a imagem heroica do pioneiro desbravador em detrimento de conflitos e traumas sociais. A análise da área externa, compreendida como um lugar de memória, revela como as construções erguidas nos festejos do Imin cristalizam uma identidade de harmonia e coesão grupal. No acervo interno, investiga-se a biografia cultural das coisas, observando como objetos utilitários são sacralizados para ratificar o discurso oficial de sucesso agrícola e superação. Os resultados demonstram que o museu funciona como um espaço simbólico de validação identitária, na qual a narrativa institucionalizada omite episódios como a atuação da Shindo Renmei e as divisões políticas na colônia após a Segunda Guerra Mundial. Da perspectiva teórica, o trabalho fundamenta-se nos conceitos de lugar de memória de Pierre Nora, memórias subterrâneas de Michael Pollak e na análise da cultura material proposta por Ulpiano Bezerra de Meneses e Igor Kopytoff. Conclui-se que o MHIJP opera uma seleção deliberada do passado para responder às demandas de pertencimento do presente, transformando a materialidade do acervo em um documento que legitima a trajetória da colônia japonesa na regiãoItem Michelle Bolsonaro (2018-2024): ascensão política e influência midiática em contexto(2025-12-05) Baço, Silvia Roberta da Silva Liberatti; Oliva, Alfredo dos Santos; Ribeiro, Edméia Aparecida; Cavaleiro, Maria CristinaA dissertação aborda a ascensão e o projeto político de Michelle Bolsonaro no cenário brasileiro entre 2018 e 2024. O texto analisa seu desenvolvimento político e a influência de seus discursos, amplificados pela mídia e pelas redes sociais no contexto do denominado ‘bolsonarismo’. Como esposa de Jair Messias Bolsonaro, Michelle buscou transmitir uma imagem de simplicidade que, ao longo dos anos, foi sendo moldada politicamente para dialogar com setores conservadores e/ou reacionários do eleitorado feminino, especialmente entre mulheres evangélicas das camadas populares e médias. Além disso, a dissertação explora sua participação na campanha presidencial de 2018 e os esforços contínuos para consolidar sua posição como figura simbólica de uma agenda política da direita, sobretudo evangélica, pautada por valores religiosos, familiares e morais. Conclui-se que a trajetória de Michelle na política brasileira foi profundamente influenciada por sua retórica, pelo uso estratégico da mídia e das redes sociais, bem como por sua vivência no meio evangélico e conservador — fatores que contribuíram para a construção de sua imagem pública e do projeto político ao qual pertenceItem Epistemologias feministas no ensino de história: o surgimento e a expansão de um campo de pesquisa nas revistas História & Ensino e História Hoje (1997-2023)(2025-08-12) Ferreira, Andressa; Fiúza, Alexandre Felipe; Lima, Cintia Fiorotti; Alves, Ronaldo Cardoso; Marinho, Luciana de FátimaA dissertação objetiva prospectar, diacronicamente, a incorporação do campo da Teoria Feminista nas pesquisas em Ensino de História a partir das revistas História & Ensino e História Hoje. Deste modo, analisa-se como as epistemologias feministas produziram modificações no domínio do Ensino de História, a partir do desenvolvimento de novos sentidos, conceitos e abordagens, que introduzem os marcadores sociais de gênero, raça e sexualidade, como elementos primordiais na aprendizagem da História. O diagnóstico da intersecção entre epistemologia feminista e Ensino de História é fundamental para a construção de alternativas para a inclusão da história e memória das mulheres na aprendizagem histórica. Um grupo que, ainda no tempo presente, é majoritariamente excluído da representação histórica escolar no Brasil. Além disto, as desigualdades de gênero, raça e sexualidade no Brasil, evidenciam a urgência de que a temática dos marcadores sociais da diferença seja trabalhada nas escolas, uma vez que a aprendizagem da História possui uma função terapêutica e orientativa (Rüsen, 2012). As fontes utilizadas na pesquisa são as Revistas História & Ensino e História Hoje. A metodologia utilizada para a análise externa das revistas fundamenta-se no roteiro proposto por Tânia Regina de Luca (2008). Para averiguar os artigos prospectados nos periódicos, a metodologia aplicada é a do Estado do conhecimento (Morosini, 2021). Os dados obtidos apontam para a incidência de vinte e sete trabalhos sobre o tema, totalizados entre as revistas analisadas. As maiores incidências de temáticas verificadas nas pesquisas foram categorizadas a partir dos eixos temáticos História das Mulheres/Estudos de gênero, Étnico-racial e Sexualidade. As pesquisas apontam para a necessidade de um ensino e aprendizagem da História que interseccionalize as dimensões de gênero, raça e sexualidade, e traga visibilidade para personagens históricas apagadas da narrativa histórica escolar. Neste interim, constata-se discussões embasadas teoricamente pelos seguintes temas: História das Mulheres e Estudos de Gênero – com ênfase nas contribuições de Joan Scott e Judith Butler – ; debates sobre currículos escolares; sentidos do conhecimento histórico para a vida humana; desigualdades raciais, de gênero e de sexualidade no Brasil; biografias de mulheres-referências; interseccionalidades; pedagogias decoloniais; aulas mediadas pela Educação Histórica; relatos de experiências em sala de aula; problematizações em torno da acusação de 'ideologia de gênero' promovida pelo movimento Escola Sem Partido; referências aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), e a lei 10.639/2003 para o trato de temas como gênero, sexualidade e etnia. Os artigos propugnam, deste modo, por uma transformação epistemológica no Ensino de História, capaz de contribuir para trazer significado e sentido à vida da juventude contemporânea.Item Aprendizagem histórica por meio dos livros "O cortiço" (1890) e "Quarto de despejo: diário de uma favelada" (1960)(2025-09-25) Souza, Emely de Almeida; Alves, Ronaldo Cardoso; Cainelli, Marlene Rosa; Ramos, Márcia Elisa TetéO presente trabalho tem como finalidade analisar a aprendizagem histórica dos educandos a partir das fontes literárias “O Cortiço” (1890), de Aluísio de Azevedo, e “Quarto de Despejo: diário de uma favelada” (1960), de Carolina Maria de Jesus. A metodologia de investigação escolhida foi a Aula-Oficina, de Isabel Barca (2004), de forma que foram aplicados dois questionários para os estudantes do 8º ano do ensino fundamental, com a finalidade de verificar a influência da literatura nas aulas de História. O primeiro questionário foi sobre o “Perfil dos estudantes” com efeito de conhecer melhor participantes, e o segundo sobre o conhecimento prévio deles. A questão que guia a discussão é: O uso de fontes literárias contribui para uma aprendizagem histórica? A dissertação está pautada no campo teórico da Didática da História, promovendo um diálogo com os conceitos elaborados pelo historiador Jörn Rüsen (2001) (2007) (2015) sobre aprendizagem histórica e consciência histórica. O objetivo central é investigar como os jovens elaboram uma compreensão do passado e desenvolvem consciência histórica em contato com a literatura. As obras analisadas são livros correspondentes a temporalidades distintas, que retratam perspectivas sobre os aspectos sociais no Brasil, a partir de lugares diferentes. O Cortiço”, publicado em 1890, foi escrito por um membro da elite literária, ao passo que “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, publicado em 1960, foi escrito por uma mulher preta e semi-analfabeta, que vivenciou, de forma profunda, o fato de ser moradora de uma favela. Portanto, a pesquisa promoveu um questionamento sobre o papel da literatura em sala de aula e suas potencialidades, demonstrando a capacidade dos estudantes de aprimorarem suas narrativas a partir da fonte histórica literária.Item Svá var Langt Sagt Á Íslandi: historical and Fictitious Narrative Boundaries in Twelfth and Thirteenth-Century Iceland(2026-07-10) Botelho, Pedro de Araujo Buzzo Costa; Grzybowski, Lukas Gabriel; Selvatici, Monica; Morawiec, JakubResumo: Este estudo investiga os mecanismos através dos quais narrativas medievais Islandesas construíam e legitimavam o conhecimento sobre o passado, com atenção particular à relação entre veracidade, autoridade narrativa e classificações modernas das sagas. Este examina como textos medievais Islandeses estabelecem reivindicações de credibilidade através de suas próprias práticas narrativas, sem pressupor uma separação estrita entre escrita histórica e ficcional. As fontes analisadas consistem em três textos tradicionalmente designados a diferentes categorias dentro do corpus das sagas: Ynglinga saga, comumente colocada entre as sagas de reis (konungasögur), e Yngvars saga víðförla e Eiríks saga víðförla geralmente associados às sagas lendárias (fornaldarsögur). Essas narrativas compartilham preocupações com configurações temporais e espaciais distantes, encontros com a alteridade e o uso de testemunho autoritativo, o que torna sua comparação analiticamente produtiva. Essa investigação combina abordagens historiográficas e conceituais. A Vorstellungsgeschichte fornece uma estrutura para examinar como representações de povos distantes, espaços e seres sobrenaturais expressam horizontes de plausibilidade historicamente situados e concepções compartilhadas de realidade. As reflexões de Tzvetan Todorov acerca da verossimilhança sustentam a análise de elementos narrativos extraordinários como parte de um sistema interpretativo mais amplo, que organiza experiência e significado. Também foi dada atenção às estratégias narrativas, como apelos a autoridades orais e escritas, construções genealógicas, discurso direto, referência a informantes e a incorporação de motivos literários maravilhosos. A noção de verdade sincrética, de Mikhail S. Kamenskij, juntamente com a Sociologia do conhecimento, de Berger e Luckmann, ampara um entendimento da cultura narrativa medieval Islandesa como um campo em que o conhecimento é produzido através de mecanismos de validação socialmente compartilhados. A distinção entre história e ficção é tratada como uma noção epistemológica moderna, com aplicação limitada ao contexto medieval sob examinação. Nos textos analisados, a credibilidade emerge através da mobilização das estratégias de legitimação mencionadas acima. A análise demonstra que os limites entre as categorias de sagas permanecem fluidas na prática, ao menos para o contexto contemporâneo às sagas. Através do corpus, a autoridade narrativa é construída através de repertórios de verificação cultural compartilhados, ao invés de divisões genéricas estáveis ou de autoria identificável. Este estudo conclui que a literatura de sagas pode ser entendida como uma prática narrativa flexível, envolvendo-se na produção e transmissão de conhecimento sobre o passado. O foco na veracidade e legitimidade revela como a cultura narrativa medieval Islandesa organizava a relação entre memória, testemunho e interpretação, e como a mesma articula mundos passados através de meios culturais fundamentados de plausibilidade e autoridadeItem A arte cartazista na guerra civil espanhola no livro Carteles de la guerra: 1936-1939 (2004)(2026-03-20) Silva Junior, Daniel Almeida da; Aguiar, Carolina Amaral de; Arias Neto, José Miguel; Oliveira, Ângela Meirelles deA Guerra Civil Espanhola representou para a Europa e para o mundo uma das primeiras investidas na luta e na resistência contra o crescente fascismo no século XX. O conflito, que durou de 1936 a 1939, teve disputas nos campos de batalhas, mas também nos campos das artes e da comunicação de massas, como é o caso dos cartazes de guerra. Manter essas obras preservadas e difundir o seu acesso são fundamentais para reproduzir uma memória sobre o que foram os anos de guerra, como também as representações que eram construídas sobre diversos grupos, principalmente os que sustentavam os soldados na linha de frente, os camponeses, os trabalhadores, a cidade e o campo. A Fundación Pablo Iglesias é uma instituição formada antes do conflito que, mesmo na clandestinidade até 1975, lutou pela preservação desses cartazes. Esta dissertação, portanto, está dedicada a analisar estes os cartazes selecionados para compor a obra Carteles de la Guerra 1936-1939: Colección Fundación Pablo Iglesias, lançada em 2004. O objetivo principal deste trabalho é compreender a importância desses cartazes, o discurso que veiculam e quais são as suas contribuições na contemporaneidadeItem Candomblé e racismo religioso: uma análise a partir de comunidades de terreiros em Londrina (1990-2025)(2026-03-20) Rocha, Paulo Henrique da; André, Richard Gonçalves Shimada; Proença, Wander de Lara; Serafim, Vanda FortunaA presente pesquisa tem como objetivo investigar as formas e os espaços em que têm ocorrido as práticas de racismo religioso em relação a um terreiro de Candomblé em Londrina, tendo como recorte temporal o período entre 1990 e 2025. Para isso, utilizamos a pesquisa de campo como recurso metodológico para produzir as fontes primárias, isto é, entrevistas com alguns membros do terreiro de Candomblé, localizado na zona oeste da cidade. Além disso, foi realizado pesquisa de campo junto às atividades do terreiro. Do ponto de vista teórico, utilizamos as propostas de Pierre Bourdieu, que discute sobre os conceitos de campo religioso e violência simbólica. Para analisarmos o conceito de racismo religioso, foram mobilizadas a definição de Sidney Nogueira, Luiz Rufino Miranda, Ariadne Moreira Basílio Oliveira, entre outros autores importantes para o desenvolvimento da pesquisa. A análise das fontes primárias demonstrou que os filhos de santo do terreiro foram alvo de diversas formas de racismo religioso em diferentes espaços, tanto em esfera pública quanto privada, como o ambiente de trabalho, o terreiro e instituições de ensino. Tais agressões frequentemente perpetradas por membros e lideranças de grupos pentecostais e neopentecostais, utilizaram-se de ataques verbais – com desqualificações como “macumba” ou “coisa do diabo” – no intuito de desqualificar as concepções e as práticas do CandombléItem Plantando cirandas: perspectivas do ensino de história a partir das cirandas infantis(2026-03-13) Ferreira, Pedro Henrique de Souza; Fiúza, Alexandre Felipe; Ramos, Márcia Elisa Teté; Evangelista, Luciana de Fátima MarinhoEste trabalho analisa as Cirandas Infantis, prática educativa e formativa recorrentemente utilizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Busca-se aqui examinar os entrelaçamentos entre os parâmetros filosóficos e pedagógicos do projeto de ensino do MST e os debates da teoria do ensino de história, tendo como foco de análise as cirandas infantis. As cirandas são espaços de formação que rompem com o modelo tradicional e bancário de educação, promovendo um espaço educativo que desenvolve valores de coletividade, solidariedade e justiça social. Neste espaço, destinado à primeira infância (0 a 6 anos), dá-se início à formação da identidade sem-terra e se introduz as crianças aos valores e ideais que orientam o movimento social, mediada por atividades lúdicas. As análises são fundamentadas, principalmente, por pensadores como Paulo Freire e Jörn Rüsen, articuladas com os materiais educativos do MST (Cadernos e Boletins de Educação) e pela coletânea de “Plantando Cirandas”. O estudo almeja estabelecer associações entre as cirandas infantis e a proposta educativa do movimento, com foco na produção das identidades históricas que os conectam com princípios do movimento, formando sujeitos comprometidos com valores de cooperação e coletividade, orientados na luta pela transformação social. A pesquisa também abordou de que forma a prática educativa do MST atua na conscientização política e na emancipação dos sujeitos, que, em conjunto com a formação de suas identidades, dão continuidade e vida para o movimento social. Desta forma, este trabalho buscou contribuir para o debate aproximando o campo do ensino de história dos estudos a respeito das práticas educativas do MSTItem Tenentismo às avessas: uma análise do processo de sua ressignificação política a partir de manuais didáticos (1937-1945)(2026-02-26) Ramos, Eduardo Garcia; Alves, Ronaldo Cardoso; André, Richard Gonçalves; Evangelista, Luciana de Fátima MarinhoUm século se passou desde a eclosão de um conjunto de revoltas armadas promovidas pela jovem oficialidade do Exército, conhecidas como Tenentismo. Desde então, o objeto tem sido amplamente debatido pela Historiografia, levando em consideração sua influência sob os rumos tomados pela História do Brasil Republicano ao longo do século passado. Tal relevância não teria passado imune aos interesses das oligarquias dissidentes lideradas por Getúlio Vargas, para as quais interessavam utilizar do prestígio simbólico desses “tenentes” para legitimar o golpe de Estado de 1930, ao mesmo tempo em que esvaziariam o caráter contestador do movimento ao poder instituído durante o processo de homogeneização das Forças Armadas, rumo aos preparativos para o golpe que instalaria o Estado Novo, em 1937. Interessa para esta pesquisa, portanto, compreender de que forma o Tenentismo foi representado nos livros didáticos de História do Brasil destinados ao Ensino Secundário, durante o período do Estado Novo (1937-1945), identificando em suas narrativas, o processo de exclusão e ressignificação política do movimento. Entende-se aqui, a Escola enquanto instituição transmissora de valores culturais e políticos capazes de legitimar determinadas visões de mundo conforme interesses. Os livros didáticos são concebidos como importantes ferramentas na difusão dos ideais almejados pelo poder vigente, dado seu caráter abrangente na realidade escolar, devendo ser analisados à luz de suas representações e das políticas concebidas em seus arredores. Será utilizada como fonte a obra “História do Brasil para o Quarto Ano Ginasial”, de Joaquim Silva (1944). A metodologia empregada para este processo, consiste na Análise de Conteúdo, proposta por Laurence Bardin (1977), a fim de se estabelecer critérios de organicidade para identificar a maneira como os eventos em questão foram narrados, em conjunto com o contexto histórico no qual esses materiais foram elaborados, tais como as políticas educacionais de caráter centralizador vigentes a partir da década de 1930, articuladas às transformações pelas quais passou a disciplina de História durante o período. Como referenciais teóricos, serão utilizados os estudos de Arnaldo Pinto Junior (2010), Kênia Hilda Moreira (2011) e Wanessa Tag Wendt (2015), além de conceitos estabelecidos pela Didática da História, como o de Consciência Histórica, de Jörn Rüsen (2007), visando perceber a forma como o passado, através de operações mentais, é utilizado para orientar as ações no presente. A articulação desses conceitos para a arguição de materiais didáticos é feita a partir dos estudos de Ronaldo Cardoso Alves (2021) acerca da Didática da História, e de Alain Choppin (2004) sobre o Estado da Arte. Através dessa investigação, foi possível observar a veiculação de uma Consciência História Tradicional e Exemplar nas narrativas dos livros didáticos, além da maneira como o movimento tenentista foi representado pelos autores conforme os interesses varguistasItem "Norte Pioneiro" do Paraná: conflitos territoriais, coronelismo e violências (1880-1930)(2026-03-02) Fidelis, Mateus Torelli; Rolim, Rivail Carvalho; Arias Neto, José Miguel; Mota, Lúcio TadeuA presente dissertação tem como objetivo contrapor a visão de colonização pacífica construída acerca do processo de reocupação moderna da região conhecida como “Norte Pioneiro” do Paraná, localizada no nordeste desse estado. O recorte temporal adotado abrange o período de 1880 até 1930, momento de tensões sociais, em que a região recebia novos agentes para a construção e constituição dos povoados. No decorrer do século XX e início do XXI, surgiram diversas produções de diferentes áreas sobre o Norte do Paraná e o “Norte Pioneiro”, tendo como ponto de partida os campos da Geografia (Waibel, 1955; Monbeig, 1935), História (Mussalam, 1974; Wachowicz, 1987) e Memorialista (Crespo et al., 1994; Batista, 1950; Faria, 2001; entre outros). Essas perspectivas, contudo, não consideraram os processos de violências perpetradas no período analisado, conferindo, assim, um sentido positivo à colonização, gerando a exclusão de outros agentes sociais. A metodologia consiste na análise historiográfica sobre como essas produções interpretaram a “ocupação” desse espaço. Para contrapor a essa visão, foi analisado os jornais disponíveis em sítios digitais, como a Hemeroteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), acervo do Estadão e do Centro de Documentação e Memória da UNESP (Cedem), acompanhado de uma leitura a contrapelo de alguns relatos presentes nos livros memorialistas, buscando evidenciar como diferentes agentes históricos estavam atrelados às violências desse período. Para compreender essas violências, a pesquisa ficou organizada a partir de três dimensões para análise: conflitos interétnicos, conflitos políticos no mundo rural e urbano. Como aporte teórico para a interpretação das situações históricas presentes nessas dimensões, foi utilizado uma série de autores (Martins, 1996; Mota, 1998; Lima, 1995; Oliveira Filho, 1998; Leal, 2012; Goulart, 2004; entre outros). Evidencia-se, a partir dessa abordagem, que o processo de colonização não foi pacífico, mas envolveu uma série de elementos que configuram um cenário de violências, considerando os embates entre colonos e populações indígenas, o poder local e as perseguições políticas, bem como as violações contra trabalhadores rurais nas fazendas de grandes proprietáriosItem “Neu-Danzig afundou e foi esquecida”: historiografia, memorialismo e o silenciamento de um projeto colonial no norte do Paraná (1931-1935)(2026-02-26) Maestro, Wilson de Creddo; Proença, Wander de Lara; Arias Neto, José Miguel; Soares, Marco Antônio Neves; Sochodolak, HélioA região norte do Estado do Paraná passou por profundas transformações nas primeiras décadas do século XX, sobretudo a partir da atuação da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), empresa colonizadora de capital britânico responsável pela venda de lotes de terras e pela difusão de uma ampla campanha propagandística voltada à atração de migrantes e imigrantes. Nesse contexto de formação recente dos núcleos urbanos, consolidaram-se narrativas que buscavam legitimar o empreendimento colonizador, exaltando o ideal de progresso e contribuindo para a construção do chamado “mito do pioneiro”, no qual a proximidade com o passado fundacional passou a representar capital simbólico, prestígio social e poder local. É nessa conjuntura que se insere a presente pesquisa, voltada ao estudo da Colônia Neu Danzig, assentamento rural constituído por imigrantes oriundos da Cidade Livre de Danzig e localizado no atual município de Cambé/PR. O problema investigado, fundamentado na perspectiva de Michael Pollak (1989) acerca do silenciamento e das fronteiras da memória, questiona os motivos pelos quais a experiência histórica dos colonos danziguenses, especialmente em seus aspectos sensíveis, foi progressivamente apagada pela memória oficial local, tanto na historiografia tradicional quanto nos espaços públicos do município. Em vista disso, o objetivo central consiste em compreender os mecanismos e as motivações desse silenciamento por meio do confronto entre as narrativas de progresso e as impressões documentais da crise administrativa e econômica que levou à falência do empreendimento colonial. Parte-se da hipótese de que o apagamento dessas memórias ocorreu de forma deliberada, uma vez que o colapso do assentamento se mostrava incompatível com a narrativa legitimadora difundida pela CTNP e reproduzida pelas elites locais. A metodologia adotada fundamenta-se na análise de documentos inéditos relativos à crise da Colônia Neu Danzig, sobretudo aqueles inseridos no Fundo Oswald Nixdorf, sob guarda do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina, articulada a um balanço crítico da produção historiográfica acadêmica e memorialista. Conclui-se que o silenciamento da experiência danziguense operou como um mecanismo de proteção da ordem estabelecida, por meio do qual a exposição de memórias incômodas foi evitada em favor da preservação de uma ordem simbólica e discursiva associada ao progresso e à coesão socialItem “Abaixo os ateus!”: a construção da identidade cristã na carta Martyrium Polycarpi e o culto imperial romano na Ásia menor (séc. II D.C.)(2026-01-29) Silva, Diego Henrique Sanches da; Selvatici, Monica; Rosa, Cláudia Beltrão da; Proença, Wander de LaraA dissertação, intitulada “Abaixo os ateus!: a construção da identidade cristã na carta Martyrium Polycarpi e o Culto Imperial Romano na Ásia Menor (séc. II d.C.)”, investiga o fenômeno do martírio como um mecanismo fundamental na elaboração da identidade do movimento cristão primitivo em oposição à identidade sacra do Império Romano. O presente trabalho estabelece como objetivo geral a análise do martírio como uma construção de memória e uma experiência sociorreligiosa que nutriu o grupo cristão em seu processo de autodefinição. Especificamente, a pesquisa estuda na Martyrium Polycarpi (Mart. Pol.) a figura do mártir como elemento de construção de fronteiras identitárias, analisa a percepção romana do martírio como penalidade judicial em contraste com a experiência cristã da imitatio Christi, e reconstrói a elaboração do martírio como uma memória viva e coletiva que fortaleceu a identidade cristã frente à cultura greco-romana. Metodologicamente, a dissertação articula a análise histórica da fonte principal, a Mart. Pol. – carta anônima que narra o martírio de Policarpo de Esmirna por volta de 156 d.C. – com um referencial teórico pautado nos estudos sobre identidade e memória, aplicando a teoria de identidade de Siân Jones, que entende a identidade como relacional e construída ativamente na demarcação de fronteiras. Nessa perspectiva, o interrogatório romano buscou apagar a fronteira pela imposição do sacrifício, enquanto o martírio reforçou-a, tornando a distinção entre cristão e não-cristão absoluta. Nesse sentido, também utiliza fontes comparadas, como a carta de Plínio a Trajano, para contextualizar a relação conflitiva entre as autoridades romanas e o movimento cristão na Ásia Menor. A pesquisa conclui que a identidade cristã na Ásia Menor do século II se forjou ativamente na fronteira com a cultura romana, utilizando a rejeição ao culto imperial e a celebração dos mártires como os principais marcadores de sua alteridade. A recusa cristã em participar do culto ao imperador e aos deuses tradicionais representava uma profunda ruptura social e política, pois contestava a ideologia imperial que via o soberano como o garantidor da pax deorum e eixo de coesão social. A Mart. Pol. funcionou como um dispositivo de memória e normatividade para a comunidade, construindo modelos exemplares de conduta e o martírio conferiu um valor performativo ao sofrimento, consolidando a fé e marcando a fronteira simbólica entre os eleitos e os incrédulos, permitindo que a comunidade cristã devolvesse a acusação popular de ateísmo aos seus perseguidores, identificando-os como os verdadeiros atheos. Assim, o martírio tornou-se um elemento decisivo que afirmou a contraidentidade cristã frente ao sistema imperialItem A origem da Via Láctea de Tintoretto: a imagem e seu espaço expositivo(2026-01-29) Moroni, Amanda Raíssa Corrêa da Cunha; Visalli, Angelita Marques; Ribeiro, Edméia Aparecida; Mendonça, Paulo Knauss deO objetivo deste trabalho é analisar o quadro A Origem da Via Láctea (1575), de Jacopo Tintoretto, conforme apresentado na Galeria Nacional em Londres, onde está exibido. Desassociado de sua destinação original e sem referências ao espaço para o qual teria sido pensado, sua exibição minimalista não anuncia um fato determinante: o quadro conforme está exposto representa apenas cerca de 2/3 da tela original, de modo que toda a base da composição foi recortada e perdida. Tomando por base o trabalho deste artista veneziano do século XVI, que como outros de sua época, pensava suas encomendas a partir do espaço no qual seria exibida e do tema ao qual estaria vinculada, olhamos para esta imagem e buscamos compreender em que aspectos a primeira destinação, para o caso de imagens como esta, influencia seu significado, sua razão de existência e até seu valor agregado, além do olhar sobre a imagem, que se transforma conforme é inserida em diferentes espaços. Emprestando conceitos e reflexões de outras áreas do conhecimento, como a história da arte e a museologia, para nos debruçarmos sobre aquilo que compete à história social, será analisada a dinâmica entre imagem e espaço e como este é fator fundamental da experiência do observador. Compõe-se uma análise do espaço do museu por meio da Galeria Nacional, em seu desafio de realocar objetos do passado num tempo alheio à sua lógica original e conduzir os modos de percepção de um novo público diante de imagens que se transformam. Espera-se colaborar com a reflexão a respeito das várias camadas que uma mesma imagem pode possuir a partir de sua inserção em diferentes contextos e espaços, ainda que nada em seu visual fosse modificado e estabelecer, tanto a imagem como o espaço físico que a expõe como elementos ativos e profundamente históricos na medida em que são capazes de se transformar mediante a percepção do observadorItem Cozinha digital: modos e usos do estrogonofe retratado por influenciadores digitais no Youtube (2010-2022)(2025-10-20) Oliveira, Rafael Meira de; Martinez, Cláudia Eliane Parreiras Marques; André, Richard Gonçalves; Viotti, Ana Carolina de CarvalhoEsta pesquisa tem como objetivo investigar como os saberes culinários são disseminados no ciberespaço brasileiro, para isso, foi escolhido exclusivamente a receita estrogonofe e um corpus documental do tipo audiovisual nascido digital: vídeos publicados na rede de compartilhamento YouTube. Os documentos analisados foram publicados entre 2010 e 2022 e são formados por um grupo heterogêneo de criadores de conteúdo ou influenciadores digitais culinários. A investigação se apoia nos conceitos de alimento culturalizado proposto por Luce Giard e estratégia e tática, ambos difundidos por Michel de Certeau. A pesquisa contribui, por meio da análise documental, para a compreensão do saber fazer compartilhado em rede, e discorre sobre seus seguintes aspectos: mudanças significativas nas formas de compartilhar o conhecimento culinário, principalmente pelas interferências do mundo digital; as reelaborações nos usos do estrogonofe, recheado de diferentes modos de preparo e sentidos atribuídos; por fim, se propõe a ideia de Cozinha Digital, no qual oralidade, escrita e audiovisual se mesclam de forma inovadora, atravessando os fazeres culináriosItem Não deixe de olhar para o sul mais distante: a campanha Matthew Fontaine Maury pela livre navegação do Amazonas e a política externa do império na década de 1850(2025-03-28) Silva, Marcus Alex da; Arias Neto, José Miguel; Proença, Wander de Lara; Silva Júnior, Waldomiro Lourenço daArticulando discursos antigos e modernos, o oficial militar americano Matthew Fontaine Maury, um precursor da oceanografia, incentivou uma campanha pela livre navegação do rio Amazonas na década de 1850. Por trás do discurso do livre comércio, havia o discurso da civilização e do progresso, que trouxe consigo o pensamento racial desse personagem. Essa campanha repercutiu no Brasil imperial e em seu governo, que, apesar de sua defesa comum da escravidão, percebeu as ideias de Maury como uma ameaça. Essa percepção e ameaça levou à formulação de uma política externa sobre a navegação da Amazônia e desencadeou movimentos diplomáticosItem O ensino de história e a realidade local: a criação de jogos analógicos como recurso didático na educação especial – AH/SD(2025-08-12) Santos, Vander Felipe Ortiz dos; Fiúza, Alexandre Felipe; Lima, Cintia Fiorotti; Moreno, Jean CarlosA aprendizagem histórica é um processo de constante movimento e transformação da cognição e da consciência histórica dos indivíduos que dela participam (Rüsen, 2012). Para que tal aprendizado seja possível é necessário o uso de abordagens diversas, principalmente nos ambientes escolares, levando em conta a diversidade dos estudantes. Assim sendo, esta dissertação discorre sobre o uso de metodologias ativas para o ensino de História através de uma perspectiva local, a partir da aplicação de aulas-oficinas de criação de jogos analógicos com alunos de salas de recurso de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) da região de Londrina/PR. Para tal, foram trabalhados os conceitos teóricos que permeiam a didática e a aprendizagem histórica, a partir de autores como Jörn Rüsen (2012) e Peter Lee (2016), dentre outros. Foi abordado também o papel dos estudantes participantes deste projeto em seu processo de aprendizado, como sujeitos da diversidade com o direito à inclusão e ao conhecimento de sua própria História e de seu pertencimento social e cultural, em uma perspectiva local (Arroyo, 2013). Além disso, foi promovida uma discussão sobre o conceito de jogo analógico, seu impacto no desenvolvimento da cultura (Huizinga, 2019; Caillois, 2021), seu uso em sala de aula e as formas de se construir jogos (Giacomoni, Pereira, 2013; Schell, 2020) de forma eficiente e prática em um ambiente educacional. Também se discorreu sobre as especificidades do ensino para alunos com AH/SD (Renzulli, 2005) em um ambiente de educação especial (Neumann, Vestena, 2016). A partir dos embasamentos teóricos e conceituais citados, foi possível construir uma pesquisa de aplicação prática, realizada durante o ano de 2024 no Colégio Estadual Newton Guimarães. Este trabalho descreve tal iniciativa e analisa os seus resultados utilizando do método de Análise de Conteúdo, de Laurence Bardin (2022). Foi possível, então, tendo como base as discussões teóricas e práticas desenvolvidas pela pesquisa, a construção de conclusões sobre o uso de metodologias ativas por meio da criação de jogos analógicos no Ensino de História na educação especial (AH/SD), examinando suas potencialidades, limitações e perspectivas no cenário trabalhado nesta pesquisaItem A formação do historiador-docente: a presença da didática da história nas licenciaturas em história nas universidades públicas brasileiras(2025-04-04) Correa, Kauany Dandary Coelho; Alves, Ronaldo Cardoso; Pina, Maria Cristina Dantas; Evangelista, Luciana de Fátima MarinhoO historiador-docente transcende a mera função de profissional que ministra a disciplina de História, assumindo também o compromisso de conduzir suas práticas conforme a pesquisa orientadora (Matos, 2021). Nessa ótica, o presente estudo propõe-se a analisar como tal abordagem é implementada na formação desse futuro educador através de uma investigação quantitativa e qualitativa dos conceitos pertinentes à Didática da História (Rüsen, 2001) e à Educação Histórica (Schmidt, 2016), visto que esses campos de pesquisa preconizam a integração contínua entre teoria e prática no ensino. As fontes de análise compreendem as ementas das disciplinas epistemológicas (Historiografia e Teoria da História) e metodológicas (Estágios), presentes nos Projetos Políticos Pedagógicos de universidades públicas brasileiras. A seleção das instituições de Ensino Superior seguiu como critério a abordagem da Didática da História e Educação Histórica em universidades de diferentes regiões do país que disponibilizaram, com maior facilidade, sua documentação. Ademais, busca-se investigar as gradações entre as ementas quanto à incorporação dos referidos conceitos em seus currículos, bem como discorrer sobre o papel dos programas institucionais, como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e o Programa de Residência Pedagógica (PRP), no fomento de uma abordagem integrada ao Ensino de História. Desta maneira, esta pesquisa almeja contribuir para a compreensão de como a relação entre práxis e teoria são indissociáveis na formação de professores de História no contexto brasileiro e a consolidação da cognição histórica situada neste processo.