FLÁVIA WERNER
CRESCIMENTO E PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE
SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS DE
PLANTAS
Londrina
2016
FLÁVIA WERNER
CRESCIMENTO E PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE
SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS DE
PLANTAS
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Agronomia da
Universidade Estadual de Londrina.
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Augusto de
Aguiar e Silva
Coorientador: Dr. Alvadi Antonio Balbinot
Junior
Londrina
2016
Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor, através do Programa de
Geração Automática do Sistema de Bibliotecas da UEL
Werner, Flávia.
Crescimento e produtividade de cultivares de soja em diferentes arranjos espaciais de plantas /
Flávia Werner. - Londrina, 2016.
83 f.
Orientador: Marcelo Augusto de Aguiar e Silva.
Coorientador: Alvadi Antonio Balbinot Junior.
Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Estadual de Londrina, Centro de
Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Agronomia, 2016.
Inclui bibliografia.
1. Soja - Teses. 2. Tipo de crescimento indeterminado - Teses. 3. Densidade de semeadura -
Teses. 4. Espaçamento entre fileiras - Teses. I. Aguiar e Silva, Marcelo Augusto de. II. Balbinot
Junior, Alvadi Antonio. III. Universidade Estadual de Londrina. Centro de Ciências Agrárias.
Programa de Pós-Graduação em Agronomia. IV. Título.
FLÁVIA WERNER
CRESCIMENTO E PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE SOJA EM
DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS DE PLANTAS
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Agronomia
da Universidade Estadual de Londrina.
BANCA EXAMINADORA
______________________________________
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Augusto de
Aguiar e Silva
Universidade Estadual de Londrina - UEL
______________________________________
Coorientador: Dr. Alvadi Antonio Balbinot
Junior
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária -
EMBRAPA Soja
______________________________________
Dra. Marizangela Rizzatti Ávila
Instituto Agronômico do Paraná - IAPAR
______________________________________
Prof. Dr. Mauro Cezar Barbosa
Universidade Estadual de Londrina - UEL
Londrina, 26 de Fevereiro de 2016.
Dedico
Aos meus pais, Clarice e Alceu, pelo apoio
incondicional na minha formação profissional.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente quero agradecer a Deus e a Santa Paulina, por sempre
terem me dado força para enfrentar todas as situações, por mais difíceis que fossem, foi
através da fé que tenho que segui em frente.
Ao meu orientador Prof. Dr. Marcelo Augusto de Aguiar e Silva, pela
orientação, pela dedicação, paciência, pelo apoio, pelo exemplo, conhecimento e
ensinamentos transmitidos.
Ao meu coorientador Dr. Alvadi Antonio Balbinot Junior, pela
disponibilidade, exigência, dedicação, pelo exemplo profissional e pela fé em mim
depositada. Agradeço, sobretudo, por ter me oferecido a oportunidade inicial para que eu
seguisse na carreira acadêmica.
A Universidade Estadual de Londrina e ao Programa de Pós-Graduação
em Agronomia pela oportunidade de realização do Mestrado.
A Capes pela concessão da bolsa de estudos.
A Embrapa Soja pela infraestrutura oferecida.
Aos pesquisadores da Embrapa Soja, Julio Cezar Franchini e Henrique
Debiasi pelo apoio, ensinamentos e incentivo. Também, aos pesquisadores Fernando
Augusto Henning, Liliane Márcia Mertz Henning e Estela de Oliveira Nunes pelo apoio e
amizade.
Ao pessoal de apoio da área de manejo do solo e da cultura da Embrapa
Soja: Agostinho, Éverson, Póla, Duda, Gustavo, Ildefonso e Eliseu. Também ao Claudinei e
ao Rodrigo pela ajuda em algumas análises.
Aos meus pais, Alceu José Werner e Clarice Helena Cerbato Werner pela
educação e os princípios a mim transmitidos. Obrigada pela confiança, e por todo o esforço
que vocês fizeram para me ajudar a conquistar meus objetivos. Não há palavras que
consigam expressar minha gratidão.
A todos os meus familiares que sempre me incentivaram a seguir em
frente, especialmente minhas irmãs Ana Maria e Marina.
Aos meus colegas de trabalho Willian, Roni, Antonio e Isabela por toda
ajuda durante a condução dos experimentos.
Ao André por toda ajuda na condução dos experimentos e apoio durante o
mestrado.
A Julia e ao Cristian Rafael pela amizade, incentivo, compreensão, pelo
exemplo e principalmente pelo apoio incondicional para a realização do mestrado em
Londrina, sem vocês eu não teria conseguido.
Aos meus amigos, José, Ronan, Jaqueline, Rafaela e Adriana pela
amizade, força, compreensão nos momentos difíceis, por estarem sempre me motivando e
me fazendo seguir em frente e pelos momentos alegres proporcionados.
A todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste
trabalho.
Muito obrigada!
WERNER, Flávia. Crescimento e produtividade de cultivares de soja em
diferentes arranjos espaciais de plantas. 2016. 83f. Dissertação de Mestrado em
Agronomia – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2016.
RESUMO
O objetivo do trabalho foi avaliar o crescimento, o desempenho agronômico e a
produtividade de duas cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado em
diferentes arranjos espaciais de plantas, compostos por diferentes espaçamentos
entre fileiras e densidades de semeadura. O experimento foi conduzido na Fazenda
Experimental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja) em
Londrina, Paraná, nas safras 2013/14 e 2014/15. O delineamento experimental foi
em blocos casualizados, em esquema fatorial 2 x 4 x 3, com três repetições. Os
tratamentos constituíram-se da combinação de duas cultivares: BRS 359 RR e BMX
Potência RR, de quatro espaçamentos entre fileiras: 20 cm (reduzido); 20/80 cm
(fileira dupla); 50 cm (usual) e 50 x 50 cm (cruzado) e três densidades de
semeadura: 150, 300 e 450 mil sementes viáveis ha-1. As parcelas foram
constituídas de 10,0 m de comprimento e 5,0 m de largura, totalizando 50,0 m2,
sendo sua área útil de 15,0 m2 (10,0 m de comprimento por 1,5 m de largura). Foram
avaliados a densidade inicial de plantas, massa seca de caules e de folhas, índice
de área foliar (IAF), porcentagem da cobertura do solo com plantas, índice de
vegetação por diferença normalizada (NDVI), densidade final de plantas, altura de
plantas, número de ramos por planta, altura da inserção da primeira vagem,
diâmetro do caule, índice de colheita aparente e produtividade. Os dados obtidos
foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade. A cultivar BRS 359 RR apresenta maior NDVI,
produtividade e índice de colheita aparente em relação a cultivar BMX Potência RR
por possuir menor ciclo de desenvolvimento. O espaçamento reduzido (20 cm)
proporciona menor NDVI no início do ciclo de desenvolvimento da cultura, entretanto
apresenta maior massa seca de folhas e de caules no início do ciclo e diâmetro do
caule. Todos os espaçamentos apresentam o total fechamento do dossel no final do
ciclo, com exceção do espaçamento em fileira dupla (20/80 cm). O espaçamento
usual (50 cm) confere maior produtividade de grãos. A densidade de 150 mil
sementes viáveis ha-1 ocasiona menor NDVI e cobertura do dossel no início do ciclo,
entretanto no final do ciclo essa diferença se dissipa e todas as densidades
apresentam pleno fechamento do dossel. A densidade de 450 mil sementes viáveis
ha-1 apresenta maiores altura de plantas, altura da inserção da primeira vagem,
massa seca de folhas e caules no início do ciclo da cultura e produtividade de grãos
e menores diâmetro do caule e número de ramos por planta.
Palavras-chave: Glycine max L. Tipo de crescimento indeterminado.
Espaçamento entre fileiras. Densidade de semeadura. Biomassa
vegetal.
WERNER, Flávia. Growth and yield of soybean in different spatial arrangements
of plants. 2016. 83p. Dissertation (Master Science in Agronomy) – Universidade
Estadual de Londrina, Londrina, 2016.
ABSTRACT
The aim of this research was to evaluate the growth, agronomic performance and
yield of two soybean cultivars with indeterminate growth habit in different spatial plant
arrangements, composed of different row spacing and plant densities. The
experiment was conducted at the Experimental Farm of the Brazilian Agricultural
Research Company (Embrapa Soja) in Londrina, Paraná, Brazil during 2013/14 and
2014/15 growing seasons. The experimental design was a randomized block, in a
factorial 2 x 4 x 3, with three replications. The treatments consisted of the
combination of two soybean cultivars (BRS 359 RR and BMX Potência RR), four row
spacing: 20 cm (reduced); 20/80 cm (double row); 50 cm (standard) and 50 x 50 cm
(crossed lines) and three sowing densities (150, 300 and 450 000 viable seeds ha-1).
The plots consisted of 10.0 m long and 5.0 m wide, totaling 50.0 m2 and a floor area
of 15.0 m2 (10.0 m long by 1.5 m wide). We evaluated the initial plant density, dry
mass of stems and leaves, leaf area index (LAI), percentage of soil cover with plants,
vegetation index (NDVI), final plant density, plant height , number of branches per
plant, first pod height, stem diameter, apparent harvest index and yield. The data
were submitted to analysis of variance and means were compared by Tukey test at
5% probability. The BRS 359 RR has higher NDVI, grain yield and apparent harvest
index in relation to BMX Potência RR for having a shorter development cycle. The
reduced spacing (20 cm) provides lower NDVI early in the development cycle of
culture, however has a higher dry matter of leaves and stems at the beginning of the
cycle and stem diameter. All spacing present the total closure of the canopy at the
end of the cycle, with the exception of spacing in double rows (20/80 cm). The usual
spacing (50cm) provides higher grain yield. The density of 150 thousands viable
seeds ha-1 leads to lower NDVI and canopy cover early in the cycle. On the other
hand, at the end of the cycle this difference vanishes and all densities have full
canopy closure. The density of 450 thousands viable seeds ha-1 presents greater
plant height, first pod height, dry mass of leaves and stems at the beginning of the
crop cycle and grain yield and lower stem diameter and number of branches per
plant.
Keywords: Glycine max L. Indeterminate growth habit. Row spacings. Seeding
rates. Plant biomass.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 3.1 – Extrato do balanço hídrico climatológico sequencial com CAD
de 75 mm e temperaturas máxima, mínima e média (°C)
durante a condução dos experimentos nas safras 2013/14 (A)
e 2014/15 (B). Londrina, PR............................................................... 38
Figura 4.1 – Extrato do balanço hídrico climatológico sequencial com CAD
de 75 mm e temperaturas máxima, mínima e média (°C)
durante a condução dos experimentos nas safras 2013/14 (A)
e 2014/15 (B). Londrina, PR............................................................... 59
LISTA DE TABELAS
Tabela 3.1 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
27 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura
(médias de duas cultivares), safra 2013/14........................................ 41
Tabela 3.2 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
27 e 35 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
espaçamentos entre fileiras e duas cultivares de soja (médias
de três densidades de semeadura), safra 2013/14. ........................... 42
Tabela 3.3 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
27, 35, 43, 49 e 82 dias após a semeadura (DAS), em
diferentes densidades de semeadura (médias de duas
cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra
2013/14. ............................................................................................. 42
Tabela 3.4 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
27, 35, 43, 49 e 82 dias após a semeadura (DAS), em
diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas
cultivares e três densidades de semeadura), safra 2013/14. ............. 43
Tabela 3.5 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
33 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura
(médias de duas cultivares), safra 2014/15........................................ 44
Tabela 3.6 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
33, 57 e 91 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
densidades de semeadura (médias de duas cultivares e
quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15. .......................... 44
Tabela 3.7 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
33, 57 e 91 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três
densidades de semeadura), safra 2014/15. ....................................... 45
Tabela 3.8 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos
33, 57 e 91 dias após a semeadura (DAS), em duas cultivares
de soja (médias de três densidades de semeadura e quatro
espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15. ..................................... 46
Tabela 3.9 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 27,
35, 43 e 49 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
densidades de semeadura (médias de duas cultivares e
quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14. .......................... 46
Tabela 3.10– Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 27,
35, 43 e 49 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três
densidades de semeadura), safra 2013/14. ....................................... 47
Tabela 3.11 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33
e 57 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades
de semeadura (médias de duas cultivares e quatro
espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15. ..................................... 47
Tabela 3.12 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos
33 e 57 dias após a semeadura (DAS), em diferentes
espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e
três densidades de semeadura), safra 2014/15. ............................. 48
Tabela 3.13 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33
e 57 dias após a semeadura (DAS), em duas cultivares de
soja (médias de três densidades de semeadura e quatro
espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15. ..................................... 49
Tabela 4.1 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), número de ramos por
planta e altura da inserção da primeira vagem (cm), em
diferentes densidades de semeadura (médias de duas
cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra
2013/14. ............................................................................................. 63
Tabela 4.2 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), número de ramos por
planta, altura da inserção da primeira vagem (cm) e diâmetro
do caule (cm), em diferentes espaçamentos entre fileiras
(médias de duas cultivares e três densidades de semeadura),
safra 2013/14. .................................................................................... 64
Tabela 4.3 – Diâmetro do caule (cm) e produtividade de grãos (kg ha-1),
em diferentes densidades de semeadura e duas cultivares de
soja (médias de quatro espaçamentos entre fileiras), safra
2013/14. ............................................................................................. 65
Tabela 4.4 – Produtividade de grãos (kg ha-1) em diferentes espaçamentos
entre fileiras e duas cultivares de soja (médias de três
densidades de semeadura), safra 2013/14. ....................................... 66
Tabela 4.5 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), massa seca de folhas aos
30 dias após semeadura (DAS) (g m-2), índice de área foliar
(IAF), massa seca de caules aos 62 DAS (g m-2),massa seca
de folhas aos 62 DAS (g m-2), densidade final (mil plantas ha-
1),altura da inserção da primeira vagem (cm) e diâmetro do
caule (cm) em diferentes densidades de semeadura (médias
de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra
2014/15. ............................................................................................. 67
Tabela 4.6 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), massa seca de folhas aos
30 dias após semeadura (DAS) (g m-2) e densidade final (mil
plantas ha-1), em diferentes espaçamentos entre fileiras
(médias de duas cultivares e três densidades de semeadura),
safra 2014/15. .................................................................................... 68
Tabela 4.7 – Massa seca de folhas aos 30 dias após semeadura (DAS) (g
m-2), massa seca de caules aos 62 DAS (g m-2), número de
ramos por planta e produtividade de grãos (kg ha-1) de duas
cultivares de soja (médias de quatro espaçamentos entre
fileiras e de três densidades de semeadura), safra 2014/15. ............. 69
Tabela 4.8 – Massa seca de caules aos 30 dias após semeadura (DAS) (g
m-2), índice de colheita aparente e diâmetro do caule (cm) em
diferentes espaçamentos entre fileiras e duas cultivares de
soja (médias de três densidades de semeadura), safra
2014/15. ............................................................................................. 70
Tabela 4.9 – Massa seca de caules aos 30 dias após semeadura (DAS) (g
m-2), índice de colheita aparente, altura da inserção da
primeira vagem(cm) e altura de plantas (cm)em diferentes
densidades de semeadura e duas cultivares de soja (médias
de quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15. ..................... 71
Tabela 4.10 – Número de ramos por planta e altura da inserção da primeira
vagem (cm) em diferentes espaçamentos entre fileiras e
densidades de semeadura (médias de duas cultivares), safra
2014/15. ............................................................................................. 72
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................. 14
2 REVISÃO DE LITERATURA ........................................................... 16
2.1 A CULTURA DA SOJA ........................................................................... 16
2.2 DENSIDADES DE SEMEADURA NA CULTURA DA SOJA ............................... 18
2.3 ESPAÇAMENTOS ENTRE FILEIRAS NA CULTURA DA SOJA ......................... 20
2.4 CONDIÇÕES AMBIENTAIS PARA O CULTIVO ............................................ 22
2.4.1 Necessidades hídricas ..................................................................... 22
2.4.2 Temperatura .................................................................................... 23
2.4.3 Fotoperíodo ...................................................................................... 24
2.5 CULTIVARES ....................................................................................... 24
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 27
3 ARTIGO A: DINÂMICA DO CRESCIMENTO DE CULTIVARES DE
SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS DE
PLANTAS ........................................................................................ 33
3.1 RESUMO ............................................................................................ 33
3. 2 ABSTRACT ......................................................................................... 34
3.3 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 35
3.4 MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................ 36
3.4.1 Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) ................. 39
3.4.2 Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel ............................... 39
3.4.3 Análise Estatística ............................................................................ 40
3.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................. 40
3. 6 CONCLUSÕES ..................................................................................... 49
3. 7 REFERÊNCIAS .................................................................................... 50
4 ARTIGO B: DESEMPENHO AGRONÔMICO E PRODUTIVIDADE DE
CULTIVARES DE SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS
ESPACIAIS ...................................................................................... 54
4.1 RESUMO ............................................................................................ 54
4.2 ABSTRACT ......................................................................................... 55
4.3 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 56
4.4 MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................ 57
4.4.1 Densidade inicial de plantas ............................................................ 60
4.4.2 Índice de área foliar (IAF) ................................................................. 60
4.4.3 Massa seca de caules e de folhas ................................................... 60
4.4.4 Densidade final de plantas ............................................................... 61
4.4.5 Altura de plantas .............................................................................. 61
4.4.6 Altura da inserção da primeira vagem.............................................. 61
4.4.7 Diâmetro do caule ............................................................................ 61
4.4.8 Número de ramos por planta ........................................................... 61
4.4.9 Índice de colheita aparente .............................................................. 62
4.4.10 Produtividade de grãos .................................................................... 62
4.4.11 Análise Estatística ............................................................................ 62
4.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................. 62
4.6 CONCLUSÕES ..................................................................................... 73
4. 7 REFERÊNCIAS .................................................................................... 74
ANEXOS ................................................................................................................... 79
Anexo 4.1 - Resumo da análise de variância para as características
agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades
de semeadura na safra 2013/2014 em Londrina-PR. ...................... 79
Anexo 4.2 - Resumo da análise de variância para as características
agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades
de semeadura na safra 2013/2014 em Londrina-PR. ...................... 80
Anexo 4.3 - Resumo da análise de variância para as características
agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades
de semeadura na safra 2014/2015 em Londrina-PR. ...................... 81
Anexo 4.4 - Resumo da análise de variância para as características
agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades
de semeadura na safra 2014/2015 em Londrina-PR ....................... 82
5 CONCLUSÕES GERAIS ................................................................. 83
14
1 INTRODUÇÃO
A soja é a cultura agrícola que mais cresceu no Brasil nas últimas
décadas, muitos fatores contribuíram para que esse crescimento ocorresse. Dentre
eles cita-se a facilidade de mecanização da cultura, grande aporte tecnológico,
empreendedorismo dos agricultores, adequada aptidão da espécie às condições
edafoclimáticas brasileiras e incentivos fiscais.
O complexo agroindustrial da soja é destaque na economia nacional.
O grão de soja é amplamente utilizado na alimentação animal para a fabricação de
rações, biodiesel e vem apresentando uso crescente para a alimentação humana.
Atualmente, o Brasil é o principal exportador de grãos de soja e seus derivados e o
segundo maior produtor mundial.
Devido à importância mundial da cultura da soja, foram
desenvolvidas novas tecnologias para aprimorar a produção mundial, como o caso
da resistência ao glyphosate e a introdução da soja-BT, portadora de genes oriundo
da bactéria Bacillus thuringiensis, os quais sintetizam toxinas letais a várias espécies
de lagartas.
A introdução de cultivares com tipo de crescimento indeterminado,
de ciclo precoce, nova arquitetura de plantas, maior potencial de produção de grãos,
folíolos menores e com inclinação vertical tem levantado vários questionamentos
quanto ao manejo da cultura da soja, especialmente no que tange ao ajuste de
espaçamento e da densidade de plantas.
Novos sistemas de produção vêm sendo testados, como é o caso da
semeadura cruzada, que consiste na dupla semeadura das sementes de soja, a
primeira é semeada no sentido ao que o agricultor vem realizando na lavoura e a
segunda no sentido transversal à primeira semeadura, formando um quadriculado.
Utilizando essa técnica alguns produtores observaram um aumento de
produtividade, o que levantou dúvidas sobre o porquê desse sistema causar esse
resultado. Apesar disso não há muitas informações na literatura que indiquem qual é
o efeito dessa técnica sobre a cultura da soja.
Outro sistema de produção de soja é o de fileiras duplas que
consiste na semeadura de duas fileiras de semeadura mais próximas umas das
outras do que utilizado usualmente e de outra fileira dupla mais distante da outra
15
fileira dupla, sistema esse muito utilizado nos Estados Unidos, inclusive adotado
pelo recordista mundial de produtividade de soja.
O sistema de produção de soja em espaçamento reduzido consiste
na semeadura mais próxima das linhas de semeadura do que o utilizado usualmente
e vem sendo estudado no Brasil por demonstrar melhorias no âmbito econômico e
ambiental.
No entanto, é necessário um estudo mais aprofundado sobre a
utilização de novas cultivares, a interação da população de plantas, sua disposição
na área e qual o efeito disso no rendimento final de grãos.
Cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado, seriam
melhor adaptadas aos novos sistemas de produção (espaçamento reduzido, em
fileiras duplas e semeadura cruzada), permitindo também o aumento da densidade
de plantas. Nesses sistemas a interceptação da radiação solar seria maior nas fases
iniciais de desenvolvimento da soja, quando em comparação ao sistema tradicional,
por apresentar maior rapidez do fechamento entrelinhas.
Sendo assim, o objetivo do trabalho foi avaliar o crescimento, o
desempenho agronômico e a produtividade de duas cultivares de soja com tipo de
crescimento indeterminado em diferentes arranjos espaciais de plantas, compostos
por diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura, visando
assim o desenvolvimento de novos sistemas que proporcionem um aumento
significativo na produtividade da cultura da soja.
16
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A CULTURA DA SOJA
A soja é uma planta leguminosa pertencente à família Fabaceae
(Leguminosae), do gênero Glycine, espécie Glycine Max. Foi domesticada a cerca
de 1100 a.C., na região nordeste da China, sendo considerada, juntamente com o
arroz, o trigo, a cevada e o milheto um dos cinco grãos sagrados (NOGUEIRA et al.,
2009).
Essa leguminosa é uma das culturas mais antigas, e já era cultivada
há pelo menos cinco mil anos. Sua propagação pelo mundo deu-se por intermédio
de viajantes ingleses e por imigrantes japoneses e chineses (MISSÃO, 2006).
No Brasil sua introdução data de 1882 no estado da Bahia, porém o
primeiro cultivo comercial realizado foi no estado do Rio Grande do Sul em 1914.
Entretanto, foi somente a partir dos anos 40 que o seu cultivo adquiriu importância
econômica, sendo cultivada em uma área de 640 ha com produção de 450
toneladas apresentando o primeiro registro estatístico nacional. Após, foi instalada a
primeira indústria processadora de soja do país, figurando assim no cenário
internacional como produtor de soja (CISOJA, 2015).
Em todos os países onde a soja possui posição de destaque sendo
cultivada em larga escala há a formação de uma complexa estrutura de produção,
armazenamento, processamento e de comercialização. A grande demanda no
mercado internacional proporcionou rápida expansão dessa cultura no Brasil, que
ocorreu pela tomada de áreas cultivadas com outras culturas e, principalmente, da
conquista de novas fronteiras agrícolas (REZENDE; CARVALHO 2007).
O sucesso da cultura da soja no país deve-se principalmente aos
avanços tecnológicos ligados ao uso de cultivares adaptadas que apresentam altas
produtividade, a mecanização e o conhecimento de estratégias adequadas de
manejo cultural e fitossanitário e a ampliação da área cultivada. Neste âmbito, a soja
foi uma das culturas agrícolas que possibilitou a exploração agrícola do Cerrado
brasileiro. A partir deste processo houve o desenvolvimento de regiões que até
alguns anos atrás eram de baixo desenvolvimento econômico e, consequentemente,
17
pouco povoadas. Atualmente, muitas dessas regiões se destacam em termos de
produção de soja e vem contribuindo para consolidação do país como um dos
maiores produtores mundiais de soja (ANDRADE et al., 2014).
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, ficando atrás
somente dos Estados Unidos. A soja se destaca no cenário nacional dentro das
culturas de grãos, sendo a primeira colocada em área cultivada (LUDWIG et al.,
2011). Na safra de 2014/2015 foram cultivados no país 32,1 milhões de hectares de
soja, que produziram 96,3 milhões de toneladas de grãos.
Neste cenário, os estados do Mato Grosso, do Paraná e do Rio
Grande do Sul possuem destaque, produzindo 28,3, 17,2 e 14,8 milhões de
toneladas, respectivamente, representando 62,6% do total produzido. A perspectiva
da produção brasileira para a safra 2015/2016 é em torno de 102 milhões de
toneladas de grãos (CONAB, 2016). O maior produtor de soja, os Estados Unidos,
atingiu na safra 2014/2015 um total de 106,9 milhões de toneladas de grãos em uma
área de 33,4 milhões de hectares (USDA, 2016).
A obtenção de uma boa lavoura de soja depende de diversos
fatores, como o bom manejo do solo, semeadura na época indicada e com
disponibilidade hídrica, correta utilização de agroquímicos, regulagem da semeadora
(densidade, espaçamento e profundidade) e sementes que possuam uma boa
qualidade genética, física, sanitária e fisiológica (VAZQUEZ; CARVALHO; BORBA,
2008).
A cultura da soja tem sido alvo de intensa atividade de pesquisa
dirigida à obtenção de informações que possibilitem aumentos na produtividade e
redução nos custos de produção. Isso requer a constante reformulação e adaptação
de novas técnicas de cultivo. Ecofisiologicamente, a cultura da soja durante seu
desenvolvimento e crescimento é exigente em diversos fatores, como o fotoperíodo,
a temperatura e a disponibilidade hídrica (BARBOSA et al., 2013).
A análise do crescimento pode ser realizada com base na
quantificação da matéria seca, que é considerado um importante método para
compreender o comportamento de diferentes materiais genéticos; a maioria dos
processos fisiológicos que afetam a produtividade de uma cultura está relacionada
com esse caráter (BENINCASA, 2003). A restrição de fotoassimilados influencia o
crescimento e desenvolvimento das plantas, refletindo em menor estatura e
consequentemente em um menor número de nós (MUNDSTOCK; THOMAS, 2005).
18
2.2 DENSIDADES DE SEMEADURA NA CULTURA DA SOJA
A interação entre a planta, o ambiente de produção e o manejo
cultural define a produtividade das culturas. Dentre as práticas de manejo, a época
de semeadura, a escolha da cultivar, os espaçamentos e a densidades de
semeadura são fatores que influenciam o rendimento da soja e seus componentes
da produção (MAUAD et al., 2010).
A variação na densidade de semeadura e no espaçamento entre
fileiras altera o arranjo de plantas, modificando assim a área disponível para cada
planta, refletindo assim em uma competição intraespecífica diferenciada (RAMBO et
al., 2003).
A máxima produtividade só é alcançada com um estande de plantas
ajustado (MATTIONI; SCHUCH; VILLELA, 2013). O máximo potencial de produção
da cultura começa no estabelecimento inicial da mesma, sendo assim, uma
formação adequada da população e do espaçamento de plantas é primordial para o
desenvolvimento vegetativo vigoroso, proporcionando a produção de maior número
de estruturas reprodutivas (PIRES et al., 1998).
A densidade de semeadura é fator determinante para o arranjo das
plantas no ambiente de produção e interfere no crescimento e desenvolvimento da
soja. Dessa maneira, uma adequada população de plantas possibilita maior
rendimento, altura de planta e de inserção da primeira vagem, ausência de
acamamento de plantas, adequando assim à colheita mecanizada, diminuindo as
perdas na colheita (GAUDÊNCIO et al., 1990). No entanto, se o ajuste da densidade
ocasionar poucas plantas por hectare, estas irão apresentar menor crescimento em
altura e maior número de ramificações laterais, fenômeno conhecido como
plasticidade fenotípica, contudo isto aumentará a probabilidade de maiores perdas
na colheita, restringindo a produção (HEIFFIG et al., 2006).
Até a década de 1980, a densidade utilizada para a cultura da soja
era de 400 mil plantas ha-1, com o intuito de que uma maior quantidade de plantas
proporcionasse maior competição entre as plantas e, portanto ocasionasse um
aumento na altura e sombreamento do solo mais rápido e uniforme, competindo
assim com as plantas daninhas e suprimindo o seu desenvolvimento. Todavia, com
o advento de novas tecnologias como os herbicidas de pós-emergência e cultivares
19
resistentes ao uso dessas substâncias, essa razão teve sua importância minimizada
(VAZQUEZ; PERES; TARSITANO, 2014).
Com o desenvolvimento de cultivares de maior porte e a melhoria
dos atributos do solo possibilitaram para que houvesse a redução da densidade de
plantas, permitindo utilizar 300 mil plantas ha-1 e, em condições que favorecessem
ao acamamento das plantas, de 200 mil a 250 mil plantas ha-1 (EMBRAPA, 2011).
França Neto, Krzyzanowski e Henning (2010) relatam que as cultivares modernas de
soja possuem alta produtividade, mesmo em baixas densidades (180 a 250 mil
plantas ha-1).
Conforme Caliskan et al. (2007), não existe uma densidade de
plantas e um espaçamento ideais para todas as cultivares de soja e ambientes,
sendo pertinente a consideração da interação entre o espaçamento e densidade de
plantas para cada condição de cultivo. Norsworthy e Shipe (2005) reiteram essa
afirmação, sugerindo a necessidade de se agrupar genótipos que respondam ou não
à redução do espaçamento, otimizando o potencial da cultivar. Segundo Edwards,
Purcell e Karcher (2005), cultivares que possuam plantas compactas (baixa
capacidade de ramificação e baixa estatura) e que alcançam o pleno enchimento
dos grãos antes de 90 dias após a semeadura necessitam de maiores densidades
de plantas em relação a cultivares mais tardias, que apresentam maior ramificação e
maior estatura.
Pricinotto e Zucareli (2014) utilizando duas populações de plantas de
soja (250 e 450 mil plantas ha-1) observaram que a maior população resultou em
maior altura de plantas, maior acamamento e menor produtividade de grãos. Por
outro lado Kuss et al. (2008) avaliando o desempenho da soja em duas densidades
de semeadura (250 e 400 mil plantas ha-1) em diferentes níveis de irrigação
constataram que a população de 400.000 plantas ha-1aumentou a produtividade de
grãos da soja não irrigada, podendo ser uma alternativa para reduzir as perdas por
estresse hídrico em soja, também a maior densidade de semeadura proporcionou
maior massa seca de parte aérea.
Linzmeyer Junior et al. (2008) avaliando duas densidades de
semeadura (140 e 180 mil plantas ha-1) observaram que a menor densidade
promove menor altura de plantas e maior diâmetro do caule, assim como maior
massa seca de parte aérea, entretanto as densidades não ocasionam diferenças na
área foliar e na produtividade. Thompson et al. (2015) avaliando diferentes
20
densidades de semeadura utilizando cultivares com grupos de maturidade distintos
não observaram aumento no rendimento de grãos.
2.3 ESPAÇAMENTOS ENTRE FILEIRAS NA CULTURA DA SOJA
Diversos fatores estão associados aos resultados positivos
alcançados com os ajustes no arranjo de plantas das culturas, como a maior
eficiência do uso da água, devido ao rápido fechamento do dossel e,
consequentemente maior redução de perdas por evaporação, maior cobertura do
solo, melhor disposição horizontal de raízes, diminuição da competição
intraespecífica,maior aproveitamento dos nutrientes presentes na solução do solo e
um aumento da interceptação da radiação solar pelas culturas (RAMBO et al., 2004;
BALBINOT JUNIOR; FLECK, 2005).
Com a finalidade de aumentar a produtividade de grãos, novas
técnicas de semeadura de soja estão sendo propostas e avaliadas no Brasil e no
exterior. A semeadura em fileiras duplas ou em fileiras pareadas é utilizada
frequentemente nos Estados Unidos, sendo esta técnica utilizada pelo recordista
mundial de produtividade de soja. Nesse sistema de arranjo de plantas é possível
aumentar a penetração de luz e agroquímicos no dossel, aumentando a taxa
fotossintética, a sanidade e a longevidade das folhas próximas ao solo, podendo
ocasionar um aumento na produtividade de grãos (BRUNS, 2011).
Recentemente, outra técnica de semeadura denominada
‘semeadura cruzada’ vem sendo testada, na qual uma operação de semeadura é
realizada posicionando metade das sementes na fileira de semeadura, seguida de
outra operação similar no sentido perpendicular à primeira, formando um
quadriculado (BALBINOT JUNIOR et al., 2015). Segundo Lima et al. (2012) este tipo
de semeadura é observado nas margens de áreas de cultivo como forma de
compensar as falhas de locais de manobras de início de semeadura. A partir disto,
alguns produtores verificaram um aumento da produção de grãos por área nessa
situação e começaram a realizar testes em suas propriedades, inclusive essa
técnica foi utilizada por alguns ganhadores do concurso de produtividade promovido
pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), nas safras 2010/11 e 2011/12.
Entretanto, na literatura científica, há poucas informações que indiquem os efeitos
21
dessa técnica na produtividade de grãos e a sua interação com cultivares e
densidades de semeadura (PROCÓPIO et al., 2013).
Outra técnica adotada é a redução no espaçamento que ao manter a
mesma população de plantas do que em espaçamentos mais amplos, proporciona
melhor distribuição espacial das plantas na área e aumenta o aproveitamento da
radiação solar, pela redução da densidade de plantas nas fileiras de semeadura
(TOURINO; REZENDE; SALVADOR, 2002). Desse modo, a soja poderia tolerar
maiores níveis de desfolhamento quando cultivada em espaçamento reduzido entre
fileiras do que em maiores espaçamentos, pois as vantagens do espaçamento mais
estreito (como maior acúmulo de massa seca e maior área foliar) permitiriam maior
perda de área foliar, resultando na mesma interceptação de luz de plantas menos
desfolhadas em espaçamentos mais amplos, mantendo a produtividade de grãos
semelhante em ambos os espaçamentos (PARCIANELLO et al., 2004). Essa
operação possibilita elevada produção de fotoassimilados, e efeitos benéficos da
cobertura rápida do solo, proporcionando a manutenção de água e temperatura em
níveis adequados, principalmente no início do desenvolvimento da cultura
(MAEHLER et al., 2003).
Holtz et al. (2014) observaram que o espaçamento reduzido (30 cm)
proporcionou um fechamento foliar mais rápido em relação a outros espaçamentos,
quanto a produtividade, o espaçamento de plantio cruzado acarretou a menor
produtividade em relação aos outros espaçamentos avaliados. Heiffig et al. (2006)
também observaram um fechamento foliar das entrelinhas em menor período de
tempo em espaçamentos de 20 e 30 cm, entretanto a produtividade não foi alterada
pelos espaçamentos avaliados.
Silva et al. (2013) observaram maior altura de plantas nos
espaçamentos de 40 e 45 cm assim como um fechamento foliar das entrelinhas
mais rápido, entretanto a máxima produtividade obtida foi no espaçamento de 50
cm. Cox e Cherney (2011) constataram que o espaçamento reduzido de 19 cm
proporcionou maiores índice de área foliar (IAF), massa seca total de plantas e
produtividade de grãos. Bruin e Pedersen (2008) observaram maior produtividade de
grãos utilizando o espaçamento de 38 cm em relação ao espaçamento de 76 cm.
Procópio et al. (2014) estudando o efeito de fileiras duplas (19/38 e
19/57 cm) e espaçamento reduzido (19 cm) na cultura da soja não observaram efeito
de espaçamentos na produção de matéria seca de plantas de soja, contudo o
22
espaçamento reduzido ocasionou menor produtividade e o espaçamento em fileiras
duplas não apresentou diferenças significativas em relação a espaçamentos
tradicionais utilizados na cultura da soja.
Balbinot Junior et al. (2015) avaliando os espaçamentos de 40 e 60
cm e o cruzamento ou não das linhas de semeadura, observaram uma maior
produção de massa seca de plantas e de rendimento de grãos no maior
espaçamento avaliado, todavia o cruzamento das linhas não proporcionou aumento
na produtividade de grãos.
2.4 CONDIÇÕES AMBIENTAIS PARA O CULTIVO
2.4.1 Necessidades hídricas
A cultura da soja necessita de 450 a 800 mm de água em todo o seu
ciclo, dependendo das condições climáticas, do manejo da cultura e da duração do
ciclo. A máxima necessidade de água é durante a floração-enchimento de grãos (7 a
8 mm dia-1), diminuindo após esse período (PEIXOTO et al., 2000).
A maior disponibilidade de água necessária para a cultura da soja
ocorre em dois períodos de desenvolvimento da soja: germinação-emergência e
floração-enchimento de grãos. Durante a germinação-emergência, excesso ou déficit
de água são desfavoráveis à obtenção de uma boa uniformidade na população de
plantas. A semente de soja necessita absorver 50% de umidade para garantir
adequada germinação. Nessa fase, o conteúdo de água no solo não deve exceder a
85% do máximo total de água disponível e nem ser inferior a 50% (MORAES et al.,
2004).
O déficit hídrico combinado com temperaturas próximas a 40ºC
provocam alterações fisiológicas na planta, como o fechamento estomático e o
enrolamento de folhas o que antecipa a floração, reduzindo assim o ciclo vegetativo,
causando a queda prematura de folhas e de flores e abortamento de vagens,
resultando na redução do rendimento de grãos (EMBRAPA, 2000).
O estresse hídrico afeta consideravelmente a produtividade da soja,
principalmente quando o déficit ocorre durante o desenvolvimento da vagem e
durante o enchimento das sementes. A fotossíntese usualmente é afetada pelo
23
estresse hídrico, com a redução principalmente ocorrendo em função da limitação
estomática (BEZERRA; MOSQUIM, 1999).
De acordo com Bergamaschi, Berlato e Westphalem (1977) o
consumo de água pela cultura da soja depende, além do estádio de
desenvolvimento, também da demanda evaporativa da atmosfera, e o seu valor
absoluto pode variar, tanto em função das condições climáticas de cada região como
em função do ano e época de semeadura (condições de tempo) na mesma região
climática. De acordo com Almeida et al., (1997) o excesso e a falta de água no solo
afetam o crescimento e rendimento de plantas de soja, sendo que, em longos
períodos de seca pode haver uma queda considerável na produção de grãos.
2.4.2 Temperatura
A melhor adaptação da planta de soja está entre as temperaturas de
20ºC e 30ºC, sendo a temperatura ideal para seu crescimento próxima de 30ºC.
Modificações de temperatura entre anos e locais alteram a data de floração e a
duração do período reprodutivo, para uma mesma data de semeadura (FARIAS,
2000).
Temperaturas mais baixas ocasionam aumento no período para que
ocorra o florescimento. Barros e Sediyama (2009) relatam que a indução floral é
ótima quando a temperatura do ar encontra-se entre 20º e 30ºC. A previsão da data
de floração, bem como de outros estádios de desenvolvimento são de extrema
importância para o manejo da cultura, como também para uso em modelo de
crescimento e produção de soja. Uma previsão acertada da duração entre a
emergência e a floração determina ainda a produção de matéria seca e, portanto, o
rendimento de grãos (WANG et al., 1997; RODRIGUES et al., 2001).
A floração não é induzida quando ocorrem temperaturas abaixo de
13ºC. As diferenças de data de floração, entre anos, apresentadas por uma cultivar
semeada numa mesma época, são devido a variações do comprimento do dia e de
temperatura. A floração precoce ocorre, em consequência de temperaturas mais
altas, podendo resultar na diminuição na altura de planta (EMBRAPA, 2000).
24
2.4.3 Fotoperíodo
O fotoperíodo (número de horas de luz por dia) é o fator de maior
importância na determinação da proporção entre os períodos vegetativos e
reprodutivos de plantas de soja, interferindo em diversas características das plantas
de soja, dentre elas: altura de planta, massa de grãos, número de ramificações,
número de vagens por planta, maturação, entre outras (BARROS; SEDIYAMA,
2009).
A adaptação de diferentes cultivares a determinadas regiões
depende, além das exigências hídricas e térmicas, de sua exigência fotoperiódica. A
sensibilidade ao número de horas de luz por dia é característica variável entre
cultivares, ou seja, cada cultivar possui seu fotoperíodo crítico, acima do qual o
florescimento não é induzido, devido a esse fator, a soja é considerada planta de dia
curto (EMBRAPA, 2000).
A sensibilidade fotoperiódica varia com o genótipo e o grau de
resposta ao estímulo de luz, sendo o principal fator determinante da adaptação das
diferentes cultivares. Nas cultivares de soja sensíveis, a resposta ao fotoperíodo é
quantitativa, e não absoluta, ou seja o tempo necessário para o florescimento,
depende do comprimento do dia, sendo mais rápida a indução em dias curtos do
que em dias longos. Dessa maneira, a indução floral promove a transição dos
meristemas vegetativos (diferenciação de caule e folhas) em reprodutivos
(primórdios florais), determinando o tamanho final das plantas (número de nós) e,
portanto, seu potencial de rendimento de grãos (RODRIGUES et al., 2001).
2.5 CULTIVARES
No Brasil há um grande número de cultivares de soja, apesar disso
há pouca variabilidade genética entre elas em razão, basicamente, por serem
originárias de poucos ancestrais, resultando assim em uma base genética estreita
(Miranda et al., 2007). Atualmente são registradas no Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento 1490 cultivares de soja (Glycine max (L.) Merrill)
(MAPA, 2016).
A soja é cultivada em uma ampla faixa do país, sendo assim para
atenuar o efeito da interação entre genótipos e ambientes, foram propostas a
25
estratificação de áreas heterogêneas em sub-regiões mais homogêneas e a
recomendação de genótipos com ampla adaptabilidade e estabilidade em diversos
ambientes (PELUZIO et al., 2005).
Recentemente, a sojicultura nacional sofreu algumas modificações,
tanto com a introdução do sistema de semeadura direta, quanto com o surgimento
de cultivares mais produtivas e das cultivares transgênicas Roundup Ready™
(SOUZA et al., 2010). Anteriormente ao advento dessas novas cultivares, a
utilização de cultivares que possuem tipo de crescimento determinado era
predominante nas cultivares de soja brasileiras, o que é considerado uma das
limitações para o aumento da produtividade de grãos. Entretanto, nos últimos anos
houve um incremento significativo de cultivares de soja com tipo de crescimento
indeterminado (PERINI et al., 2012).
As cultivares com tipo de crescimento indeterminado apresentam
ciclo de desenvolvimento inferior a 120 dias, plantas baixas, arquitetura compacta,
folíolos pequenos e alto potencial de rendimento de grãos, que são atributos cada
vez mais almejados em programas de melhoramento genético de soja (SOUZA et
al., 2010; PROCÓPIO et al., 2013).
Os genótipos de soja indeterminados são classificados como plantas
que possuem apenas inflorescência axilar, sendo que nestas a gema apical mantêm
o crescimento vegetativo após início do florescimento. Os genótipos determinados
possuem inflorescência racemosa terminal e axilar, o crescimento vegetativo
praticamente cessa após o florescimento, crescendo somente até 10% da altura
final. Os genótipos que possuem hábito de crescimento semideterminado possuem
inflorescência racemosa terminal e axilar, atingindo 70% da altura final ao florescer
(NOGUEIRA et al., 2009).
As características morfofisiológicas das cultivares de soja podem
impactar decisivamente no arranjo espacial de plantas que maximize o crescimento
e a produtividade da cultura (PROCÓPIO et al., 2013; BALBINOT JUNIOR et al.,
2015). Segundo esses autores, cultivares que apresentam ciclo curto (inferior a 110
dias entre a emergência e a colheita), plantas baixas (inferior a 80 cm de altura) e
pouca ramificação podem responder favoravelmente à redução do espaçamento e
ao aumento da densidade de semeadura. Por outro lado, cultivares mais tardias e
que apresentam vigoroso crescimento de plantas são menos responsivas à redução
do espaçamento e/ou ao aumento da densidade. Todavia, frente à grande
26
importância da cultura da soja para o Brasil, há carência de pesquisas que elucidem
a resposta das cultivares da oleaginosa às alterações no arranjo espacial de plantas.
27
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33
3 ARTIGO A: DINÂMICA DO CRESCIMENTO DE CULTIVARES DE SOJA EM
DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS DE PLANTAS
3.1 RESUMO
O crescimento vegetal é determinado pelo genótipo, pelo ambiente e pela interação
desses dois fatores. O ambiente pode ser alterado modificando o arranjo espacial de
plantas, determinado pela densidade de semeadura e pelo espaçamento entre as
fileiras e pode influenciar no crescimento e desenvolvimento das culturas. O objetivo
do trabalho foi avaliar a dinâmica do crescimento de duas cultivares de soja com tipo
de crescimento indeterminado, em diferentes arranjos espaciais de plantas,
compostos por espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura. O
experimento foi conduzido na Fazenda Experimental da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja) em Londrina, Paraná, nas safras 2013/14 e
2014/15. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, esquema fatorial
2 x 4 x 3, com três repetições. Os tratamentos constituíram-se da combinação de
duas cultivares: BRS 359 RR e BMX Potência RR, de quatro espaçamentos entre
fileiras: 20 cm (reduzido); 20/80 cm (fileira dupla); 50 cm (usual) e 50 x 50 cm
(cruzado) e três densidades de semeadura: 150, 300 e 450 mil sementes viáveis ha-
1. As parcelas foram constituídas de 10,0 m de comprimento e 5,0 m de largura,
totalizando 50,0 m2. Foram avaliados o índice de vegetação por diferença
normalizada (NDVI) e a porcentagem da cobertura do solo pelo dossel. Os dados
obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A cultivar BRS 359 RR apresenta maior
NDVI em relação a cultivar BMX Potência RR por possuir menor ciclo de
desenvolvimento. O espaçamento reduzido (20 cm) proporciona menor NDVI no
início do ciclo de desenvolvimento da cultura. Todos os espaçamentos apresentam o
total fechamento do dossel no final do ciclo, com exceção do espaçamento em fileira
dupla (20/80 cm). A densidade de 150 mil sementes viáveis ha-1 ocasiona menor
NDVI e cobertura do dossel no início do ciclo, entretanto no final do ciclo essa
diferença se dissipa e todas as densidades apresentam pleno fechamento do dossel.
Palavras-chave: Glycine max L. Densidade de semeadura. Espaçamentos entre
fileiras. Tipo de crescimento indeterminado. Cobertura do solo pelas plantas de soja.
34
GROWTH DYNAMICS OF SOYBEAN CULTIVARS IN DIFFERENT SPATIAL
PLANT ARRANGEMENT
3. 2 ABSTRACT
The plant growth is determined by genotype, environmental conditions and by
interaction among these two factors. The environment can be altered by modifying
the spatial plant arrangement, determined by seeding density and row spacing. The
spatial plant arrangement may influence significantly the plant growth. The aim of
this work was to evaluate the dynamics of plant growth in two soybean cultivars with
indeterminate growth habit in different spatial plant arrangement, composed by
different row spacing and seeding rates. The experiment was conducted at the
Experimental Farm of the Brazilian Agricultural Research Company (Embrapa Soja)
in Londrina, Paraná state, Brazil, in the 2013/14 and 2014/15 growing seasons. The
experimental design was a randomized block, factorial 2 x 4 x 3 with three
replications. The treatments consisted of the combination of two soybean cultivars:
BRS 359 RR and BMX Potência RR, four row spacing: 20 cm (reduced); 20/80 cm
(double row); 50 cm (standard) and 50 x 50 cm (crossed lines) and three sowing
rates(150, 300 and 450 thousands viable seeds ha-1).The plots consisted of 10.0m
long and 5.0 m wide, totaling 50.0 m2. Were evaluated the Normalized Difference
Vegetation Index (NDVI) and the percentage of ground cover by canopy. The data
were submitted to analysis of variance and means were compared by Tukey test at
5% probability. The BRS 359 RR has higher NDVI in relation to cultivate BMX
Potência RR for having a shorter development cycle. The reduced spacing (20 cm)
provides lower NDVI at the beginning of the crop growth cycle. All row spacing
present the total closure of the canopy at the end of the cycle, with the exception of
spacing in double rows (20/80 cm). The density of 150 thousands viable seeds ha-1
leads to lower NDVI and canopy cover early in the cycle, however at the end of the
cycle this difference vanishes and all densities have full canopy closure.
Keywords: Glycine max L. Seeding rate. Row spacing. Indeterminate growth habit.
Ground cover by soybean plants.
35
3.3 INTRODUÇÃO
O crescimento de plantas é definido pelo genótipo, pelo ambiente e
pela interação entre estes. A escolha das cultivares e de algumas práticas de
manejo, tais como a época de semeadura e o arranjo espacial de plantas podem
modificar o crescimento, o desenvolvimento de plantas e a produtividade das
culturas (GUIMARÃES et al., 2008; MAUAD et. al, 2010; PROCÓPIO et al., 2014).
Nos últimos anos na sojicultura brasileira houve a introdução de
cultivares transgênicas, mais produtivas, que apresentam tipo de crescimento e
porte diferentes das cultivares usadas até a década de 1990 (TREZZI et al. 2013).
Entretanto, há poucos trabalhos com arranjo de plantas considerando a introdução
dessas novas cultivares que apresentam como atributos tipo de crescimento
indeterminado, ciclo de desenvolvimento precoce e arquitetura compacta, que são
características cada vez mais desejadas em programas de melhoramento genético
de soja (SOUZA et al., 2010).
O arranjo espacial de plantas, determinado pelo espaçamento entre
as fileiras e pela densidade de semeadura, pode influenciar o ambiente de
crescimento e desenvolvimento das culturas, afetando a competição intraespecífica
e, deste modo, a quantidade de recursos do ambiente, como água, luz e nutrientes,
disponíveis para cada indivíduo (RAMBO et al. 2004; BRUIN; PEDERSEN 2008;
HANNA et al. 2008; COX; CHERNEY; SHIELDS, 2010; WALKER et al. 2010;
BOARD; KAHLON 2013).
A modificação da densidade de semeadura e do espaçamento entre
as fileiras influenciam as características estruturais da planta, alterando a velocidade
de fechamento das entrelinhas (HEIFFIG et al. 2006; SILVA et al. 2013), a produção
de fitomassa e cobertura do solo pelas plantas (COX; CHERNEY, 2011), podendo
contribuir no controle de plantas daninhas (SOUZA et al., 2010), pragas e doenças
(LIMA et al. 2012), proporcionar a redução do acamamento das plantas (BALBINOT
JR. 2011) e potencializar a produtividade de grãos (RIGSBY; BOARD 2003;
PROCÓPIO et al., 2013; BALBINOT JUNIOR et al., 2015).
Independentemente da complexidade que envolve o crescimento
das culturas, a verificação do incremento de biomassa vegetal é uma forma
extremamente exata para estimar o crescimento e mensurar a contribuição de
diferentes processos fisiológicos sobre o desempenho vegetal (BENINCASA, 2003).
36
Dispõe-se de várias formas para se estimar o crescimento das
plantas, dentre elas os mais utilizados são os índices de vegetação que monitoram e
estimam as mudanças na biomassa e no desenvolvimento vegetal. O perfil temporal
do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) pode ser empregado
para detectar variações na fenologia das culturas, duração do período de
crescimento, pico de verde, modificações fisiológicas das folhas e períodos de
senescência (PONZONI; SHIMABUKURO; KUPLICH, 2012).
O NDVI detecta a presença de clorofila e outros pigmentos
responsáveis pela absorção da radiação solar na banda do vermelho (HUETE et al.,
2002), consistindo no cálculo da diferença entre emissão e reflexão de dois
comprimentos de onda do espectro eletromagnético: infravermelho próximo (0,725-
1,1 µm) e vermelho (0,58-0,68 µm), e seu valor varia de -1 a 1, de acordo com a
fórmula: NDVI= (ρivρ-ρv)/(ρivρ+ρv), onde ρivρ é a refletância no infravermelho
próximo; ρv é a refletância no vermelho. À medida que o verde se intensifica e a
cobertura vegetal se amplia o NDVI aumenta (LIRA et al. 2009; RAMME;
LAMPARELLI; ROCHA, 2010).
Diante do exposto o objetivo do trabalho foi avaliar a dinâmica do
crescimento de duas cultivares de soja de tipo de crescimento indeterminado em
diferentes arranjos espaciais de plantas, compostos por diferentes espaçamentos
entre fileiras e densidades de semeadura.
3.4 MATERIAL E MÉTODOS
Foram realizados dois experimentos nas safras 2013/14 e 2014/15,
na Fazenda Experimental da Embrapa Soja, em Londrina, PR (23°11’ S, 51°11’W e
altitude de 620 m), utilizando a mesma área experimental. O solo foi classificado
como Latossolo Vermelho distroférrico (SANTOS et al., 2006), e apresentava os
seguintes atributos, na camada de 0 a 20 cm, antes da implantação dos
experimentos: 21,4 g dm-3 de matéria orgânica; 4,9 de pH em CaCl2; 8,6 mg dm-3 de
P; 0,55 cmolc dm-3 de K; 3,7 cmolc dm-3 de Ca; 1,4 cmolc dm-3 de Mg; e 48% de
saturação da CTC por bases.
O clima da região é do tipo Cfa, descrito como clima subtropical
úmido com verão quente, segundo a classificação de Köppen. A temperatura média
37
no mês mais frio é inferior a 16ºC (mesotérmico) e temperatura média no mês mais
quente é acima de 27ºC, com verões quentes, geadas pouco frequentes e tendência
de concentração das chuvas nos meses de verão, contudo sem estação seca
definida. A precipitação média anual é de 1.605 mm, sendo dezembro, janeiro e
fevereiro os meses mais chuvosos e junho, julho e agosto os mais secos (WREGE
et. al, 2011; ALVARES et. al, 2014, IAPAR, 2016).
A cobertura vegetal presente na área experimental foi manejada
mecanicamente aos onze dias antes da semeadura da soja em ambas as safras,
utilizando-se um triturador de restos culturais (triton). Nove dias após essa operação,
a vegetação remanescente foi dessecada quimicamente com glyphosate (1.080 g
i.a. ha-1) e carfentrazone-ethyl (30 g i.a. ha-1).
A semeadura da soja foi realizada em sistema plantio direto, em
30/10/2013, sobre palha de trigo, e em 12/11/2014, sobre palha de aveia-preta. As
sementes foram tratadas com Carboxina (30 mL i.a 50 kg-1 de sementes) e Tiram
(30 mL i.a 50 kg-1 de sementes) e inoculadas com Bradyrhizobium elkanii na
concentração de 5 x 109 UFC ml-1 (100 ml 50 kg-1 de sementes). Foram utilizadas
duas semeadoras para a semeadura do experimento, devido a diferença de
espaçamento entre as fileiras, sendo utilizada a semeadora Semeato, modelo SHM
11/13 para os espaçamentos entre fileiras de 50 cm (usual) e 50 x 50 cm (cruzado) e
Imasa MPS 1800 para os espaçamentos entre fileiras de 20 cm (reduzido) e 20/80
cm (fileira dupla).
A adubação de base constitui-se da aplicação de 350 kg ha-1 de
superfosfato simples e 250 kg ha-1 de cloreto de potássio na safra de 2013/14 e 122
kg ha-1 de superfosfato triplo e 250 kg ha-1 de cloreto de potássio na safra 2014/15,
aplicados a lanço 10 dias antes da semeadura. O controle de doenças, insetos-
praga e plantas daninhas foi efetuado conforme as indicações técnicas preconizadas
para a cultura da soja (EMBRAPA, 2011). Os dados meteorológicos foram obtidos
na estação agrometeorológica da Embrapa Soja. O balanço hídrico climatológico
sequencial (BHCS) de Thornthwaite e Mather (1955) foi calculado para as safras
2013/14 (Figura 3.1A) e 2014/15 (Figura 3.1B) durante a condução dos
experimentos à campo. A evapotranspiração de referência (ETo) foi calculada
durante os decêndios da condução do experimento pela equação de Penman-
Monteith e transformada em evapotranspiração da cultura da soja (ETc = ETo x Kc)
conforme recomendação de coeficiente da cultura (Kc) pela FAO (ALLEN et al.,
38
1998). A capacidade de água disponível no solo (CAD) utilizada para o cálculo do
BHC foi de 75 mm (FARIAS et al., 2001).
Figura 3.1 – Extrato do balanço hídrico climatológico sequencial com CAD de 75
mm e temperaturas máxima, mínima e média (°C) durante a condução dos
experimentos nas safras 2013/14 (A) e 2014/15 (B). Londrina, PR
As cultivares utilizadas foram a BMX Potência RR, que possui tipo
de crescimento indeterminado e grupo de maturidade relativa 6.7 e a cultivar BRS
359 RR, tipo de crescimento indeterminado e grupo de maturidade relativa 6.0. O
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
-30
-20
-10
0
10
20
30
40
50
2
-o
u
t
3
-o
u
t
1
-n
o
v
2
-n
o
v
3
-n
o
v
1
-d
e
z
2
-d
e
z
3
-d
e
z
1
-j
a
n
2
-j
a
n
3
-j
a
n
1
-f
e
v
2
-f
e
v
3
-f
e
v
T
e
m
p
e
ra
tu
ra
(
C
)
(m
m
)
Decêndio
DEF EXC
Temperatura média (°C) Temperatura Máxima (°C)
Temperatura Mínima (°C)
A
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
-40
-20
0
20
40
60
80
100
1
-o
u
t
2
-o
u
t
3
-o
u
t
1
-n
o
v
2
-n
o
v
3
-n
o
v
1
-d
e
z
2
-d
e
z
3
-d
e
z
1
-j
a
n
2
-j
a
n
3
-j
a
n
1
-f
e
v
2
-f
e
v
3
-f
e
v
1
-m
a
r
T
e
m
p
e
ra
tu
ra
(
C
)
(m
m
)
Decêncdio
DEF EXC
Temperatura média (°C) Temperatura máxima (°C)
Temperatura mínima (°C)
B
39
delineamento experimental foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 2 x 4 x
3, com três repetições. Os tratamentos foram formados pela combinação de duas
cultivares: BRS 359 RR e BMX Potência RR, quatro espaçamentos entre fileiras: 20
cm (reduzido); 20/80 cm (fileira dupla); 50 cm (usual) e 50 x 50 cm (cruzado) e três
densidades de semeadura (150, 300 e 450 mil sementes viáveis ha-1). As parcelas
mediam 10,0 m de comprimento e 5,0 m de largura, totalizando 50,0 m2, sendo sua
área útil de 15,0 m2 (10,0 m de comprimento por 1,5 m de largura). As variáveis
analisadas estão descritas a seguir:
3.4.1 Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI)
Para estimar o fechamento das entrelinhas foi utilizado o aparelho
Green Seeker® 505 Handheld Sensor, que possui dimensões de 35,5 cmx 35,5 cm x
129,5 cm, é portátil e equipado com um sensor ativo e não imageador capaz de
calcular o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI). As leituras foram
realizadas com horário padronizado às 13 horas a uma altura de 30 cm acima do
topo do dossel.
Foram realizadas para a safra 2013/2014 cinco avaliações aos 27,
35, 43, 49 e 82 (estádios V3, V4, V5, V6 e R4, respectivamente) dias após a
semeadura (DAS) e para safra de 2014/2015 foram realizadas três avaliações aos
33, 57 e 91 DAS (estádios V4, R1 e R5, respectivamente).
3.4.2 Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel
Para a avaliação da cobertura do solo pelo dossel foi utilizado um
aparato que consistia de um perfilado de seção retangular (2,5 cm x 5,0 cm) em
duralumínio com 2,3 m de altura, e braço horizontal de 1,5 m, cruzando-se num
ângulo reto a 20 cm, ficando o comprimento útil do braço em 1,3 m e altura útil em
2,1 m. Para que o conjunto fosse colocado no prumo, foram usados dois níveis
afixados com lacres plásticos em duas faces, perpendiculares entre si, da barra
vertical no suporte de duralumínio. Esses níveis ficavam à altura dos olhos do
40
operador, para que, ao visualizar simultaneamente ambos os níveis, pudesse
aprumar o sistema na posição correta para fotografar.
Na extremidade do braço horizontal do conjunto foi afixada uma
câmera fotográfica (Sony DSC-H9), disparada à distância por meio de controle
remoto. O display articulado de LCD da câmera permitia que o operador do controle
remoto visualizasse a imagem antes de fotografar. Em cada parcela foi selecionado
um único local em todas as avaliações para o posicionamento da haste vertical do
aparato. As fotos foram analisadas com o auxílio do software Siscob®, desenvolvido
pela Embrapa Instrumentação Agropecuária. Foram realizadas para a safra
2013/2014 quatro avaliações aos 27, 35, 43 e 49 dias após a semeadura (DAS)
(estádios V3, V4, V5 e V6, respectivamente) e para safra de 2014/2015 foram
realizadas duas avaliações aos 33 e 57 DAS (estádios V4 e R1, respectivamente).
3.4.3 Análise Estatística
Os dados obtidos foram analisados quanto a normalidade e
homocedasticidade, utilizando-se os testes de Shapiro-Wilk e de Cochran,
respectivamente, os quais indicaram não ser necessária a transformação dos dados.
Posteriormente, os dados foram submetidos à análise de variância,sendo as médias
do fator cultivar comparadas pelo teste F e as médias dos demais fatores
comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade, separadamente para safra
de cultivo. As análises foram executadas através do programa computacional
Sistema para Análise de Variância - SISVAR (FERREIRA, 2011).
3.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Não houve interação tripla entre os fatores estudados (cultivares x
densidades x espaçamentos) para nenhuma característica avaliada em ambas as
safras. Na safra 2013/2014 observou-se interação dupla entre espaçamentos e
densidades para o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27 dias
após a semeadura (DAS). O espaçamento reduzido (20 cm) nas densidades de 300 e
450 mil sementes viáveis ha-1 apresentou os menores valores de NDVI (Tabela 3.1),
devido ao maior espaço entre as plantas na linha de semeadura. Em todos os
41
espaçamentos as menores densidades (150 e 300 mil sementes viáveis ha-1)
apresentaram menores valores de NDVI por possuírem menor quantidade de plantas
no total das parcelas, resultando assim em maior refletância do vermelho e,
consequentemente, menores valores de NDVI (JABOINSKI, 2011). Vale ressaltar que
as condições meteorológicas foram adequadas ao crescimento vegetativo das plantas
de soja (Figura 3.1A).
Tabela 3.1 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27 dias
após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades
de semeadura (médias de duas cultivares), safra 2013/14.
Espaçamentos (cm)
Densidade (mil
20 20/80 50 50 x 50
sementes viáveis ha-1)
150 0,22 Ba1 0,26 Ca 0,25 Ca 0,28 Ca
300 0,27 ABb 0,35 Ba 0,35 Ba 0,35 Ba
450 0,31 Ab 0,44 Aa 0,42 Aa 0,41 Aa
CV(%) 10,6
1Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey à 5% de significância.
Houve interação entre espaçamentos e cultivares para o NDVI aos 27 e
35 DAS. O NDVI aos 27 DAS foi menor no espaçamento de 20 cm para ambas as
cultivares (Tabela 3.2), isso se deve a menor quantidade de plantas na linha de
semeadura. Aos 35 DAS, somente a cultivar BRS 359 RR no espaçamento reduzido
(20 cm) apresentou menor NDVI. Entre as cultivares somente houve diferença no
espaçamento usual (50 cm), em que a cultivar BRS 359 RR apresentou maior NDVI
aos 27 e 35 DAS, devido esta possuir um ciclo mais curto em relação a cultivar BMX
Potência RR. Mesmo com a utilização de cultivares com tipo de crescimento
indeterminado, ciclo curto e arquitetura compacta de plantas, verificou-se o efeito da
compensação dos espaços vazios pelo maior crescimento de cada indivíduo na área
(PROCÓPIO et al., 2013).
42
Tabela 3.2 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27 e 35
dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras e duas
cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Espaçamentos (cm)
Cultivares
20 20/80 50 50 x 50
NDVI aos 27 DAS
BRS 359 RR 0,26 Ab1 0,36 Aa 0,37 Aa 0,35 Aa
BMX Potência RR 0,27 Ab 0,34 Aa 0,31 Bab 0,35 Aa
CV(%) 10,6
NDVI aos 35 DAS
BRS 359 RR 0,37 Ab 0,44 Aab 0,49 Aa 0,48 Aa
BMX Potência RR 0,41 Aa 0,44 Aa 0,41 Ba 0,46 Aa
CV(%) 12,4
1
Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey e pelo teste F, respectivamente, à 5% de significância.
O NDVI em todas as avaliações para a safra 2013/14 apresentou
efeito isolado de densidade de semeadura, sendo o NDVI aos 27, 35, 43 e 49 DAS
maior para a maior densidade de semeadura (Tabela 3.3). No entanto, aos 82 DAS,
as densidades de semeadura avaliadas não diferiram quanto ao valor de NDVI,
demonstrando a alta plasticidade fenotípica da cultura da soja. Dos estádios iniciais
da cultura, houve incremento da biomassa verde, o qual foi acompanhado por
aumento dos valores de NDVI. Segundo Rodrigues et al. (2013) o valor máximo de
NDVI coincide quando a cultura apresenta o máximo vigor vegetativo. Após esse pico,
inicia-se o decréscimo dos valores do NDVI, que acompanham o ciclo evolutivo e a
diminuição do vigor da cultura, até a mesma finalizar o ciclo e no ponto de maturação
o NDVI apresenta em torno de 50% do valor máximo obtido.
Tabela 3.3 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27, 35, 43,
49 e 82 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura
(médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Densidade (mil NDVI NDVI aos NDVI aos NDVI aos NDVI aos
sementes viáveis ha-1) 27 DAS 35 DAS 43 DAS 49 DAS 82 DAS
150 0,25 C1 0,35 C 0,55 C 0,62 C 0,85 A
300 0,33 B 0,44 B 0,67 B 0,71 B 0,85 A
450 0,39 A 0,53 A 0,77 A 0,79 A 0,86 A
CV (%) 10,6 12,4 10,7 11,0 2,1
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey
à 5% de significância.
Houve efeito isolado de espaçamento para o NDVI em todas as
avaliações para a safra 2013/14 sendo que, no início do desenvolvimento da cultura o
NDVI foi menor para os espaçamentos reduzido (20 cm) e fileira dupla (20/80 cm)
43
(Tabela 3.4), devido à disposição das plantas na área. Para o espaçamento reduzido
há menor quantidade de plantas na linha de semeadura e para o espaçamento em
fileira dupla há um espaço mais amplo entre as linhas de semeadura, ocasionando
assim menores valores de NDVI.
Já aos 82 DAS o NDVI foi menor somente para o espaçamento fileira
dupla (20/80 cm), isso ocorreu devido à distância entre uma fileira dupla e outra ser
muito ampla, mesmo a cultura da soja apresentando alta plasticidade fenotípica não
conseguiu preencher o espaço entre elas. Heiffig et al. (2006) observaram que foi
proporcionado o total fechamento nas entrelinhas, em menor espaço de tempo, nos
espaçamentos de 20 e 30 cm entre linhas e população de 210, 280 e 350 mil plantas
ha-1.
Tabela 3.4 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27, 35, 43,
49 e 82 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras
(médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Espaçamentos (cm)
NDVI aos NDVI aos NDVI aos NDVI aos NDVI aos
27 DAS 35 DAS 43 DAS 49 DAS 82 DAS
20 0,27 B1 0,39 B 0,63 B 0,67 A 0,85 A
20/80 0,35 A 0,44 AB 0,64 B 0,70 A 0,83 B
50 0,34 A 0,45 A 0,67 AB 0,72 A 0,86 A
50 x 50 0,35 A 0,47 A 0,71 A 0,73 A 0,86 A
CV (%) 10,6 12,4 10,7 11,0 2,1
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey
à 5% de significância.
Para a safra 2014/15 as condições meteorológicas também foram
adequadas ao crescimento vegetativo das plantas de soja (Figura 3.1B). Houve
interação entre espaçamentos e densidades para o NDVI aos 33 DAS, em que a
densidade de 150 mil sementes viáveis ha-1 em todos os espaçamentos avaliados
obteve os menores valores de NDVI (Tabela 3.5). Isso decorreu em razão da menor
quantidade de plantas na área e estas por serem menores não conseguiram encobrir o
solo e, consequentemente atingiram menores valores de NDVI.
Na densidade de 300 mil sementes viáveis ha-1, o espaçamento em
fileira dupla (20/80 cm) proporcionou o maior NDVI, devido a maior quantidade de
plantas na linha de semeadura. O maior índice de fechamento pode auxiliar no
controle das plantas daninhas e no melhor aproveitamento da radiação
fotossinteticamente ativa (RFA). Entretanto, índices precoces de fechamento,
observados normalmente em espaçamentos reduzidos e sem a compensação da
44
densidade de plantas, podem acarretar autossombreamento das folhas do terço
inferior e redução da circulação de ar, ocasionando desse modo, menor eficiência no
uso da RFA e microclima favorável ao desenvolvimento de algumas doenças (SILVA
et al., 2013).
Tabela 3.5 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33 dias
após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades
de semeadura (médias de duas cultivares), safra 2014/15.
Espaçamentos (cm)
Densidade
20 20/80 50 50 x 50
(mil sementes viáveis ha-1)
150 0,30 Ca1 0,32 Ba 0,29 Ba 0,28 Ba
300 0,40 Bb 0,48 Aa 0,32 Bb 0,38 Ab
450 0,52 Aa 0,50 Aa 0,50 Aa 0,45 Aa
CV(%) 13,9
1
Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey à 5% de significância.
O NDVI em todas as avaliações na safra 2014/15 apresentou efeito
isolado de densidade de semeadura, apresentando aos 33 DAS o maior NDVI para a
maior densidade de semeadura (Tabela 3.6) e aos 57 DAS foi menor na menor
densidade. Entretanto, aos 91 DAS as densidades de semeadura avaliadas não
diferiram entre si, assim como na safra 2013/14 (Tabela 3.3), demonstrando a alta
plasticidade fenotípica da soja. Isso indica que, com o avanço do ciclo da cultura, as
plantas apresentaram características de alta plasticidade, ou seja, capacidade de se
adaptar às condições ambientais e de manejo, por meio de modificações na
morfologia, sobretudo emitindo mais ramos e ramos maiores em baixas densidades
de plantas (FERREIRA JUNIOR et al., 2010; HOLTZ et al., 2014).
Tabela 3.6 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33, 57 e 91
dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias de
duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Densidade (mil sementes NDVI aos 33
DAS
NDVI aos 57
DAS
NDVI
aos 91 DAS viáveis ha-1)
150 0,30 C1 0,70 B 0,75 A
300 0,39 B 0,73 AB 0,75 A
450 0,49 A 0,76 A 0,76 A
CV (%) 14,1 8,1 3,6
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
45
Houve efeito isolado de espaçamentos para o NDVI na safra 2014/15
em todas as avaliações. O espaçamento em fileira dupla apresentou os menores
valores de NDVI aos 57 e 91 DAS (Tabela 3.7), causado pela maior distância entre as
linhas de semeadura. Para todos os outros espaçamentos avaliados aos 91 DAS não
houve diferença entre os valores de NDVI em razão da melhor distribuição das
plantas na área o que ocasionou a menor refletância do vermelho e
consequentemente maiores valores de NDVI. Resultados semelhantes foram obtidos
por Holtz et al. (2014) em que os espaçamentos de 30, 40, 50 e 50 x 50 cm (cruzado)
obtiveram o fechamento do dossel e os maiores espaçamentos (60 e 70 cm) não
conseguiram fechar o dossel, assim como entre as fileiras duplas (20/80 cm) no
presente estudo. Outros autores concordam com os resultados obtidos como os de,
Heitholt, Farr e Eason (2005) no de 71 cm, Heiffig et al. (2006) nos espaçamentos de
60 e 70 cm e Knebel et al. (2006) no de 65 cm que não atingiram 100% do
fechamento das entrelinhas.
Tabela 3.7 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33, 57 e 91
dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de
duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Espaçamentos (cm)
NDVI aos 33
DAS
NDVI aos 57
DAS
NDVI
aos 91 DAS
20 0,40 AB1 0,75 A 0,76 A
20/80 0,43 A 0,70 B 0,73 B
50 0,37 B 0,74 AB 0,75 AB
50 x 50 0,37 B 0,74 AB 0,76 A
CV (%) 14,1 8,1 3,6
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
Para a safra 2014/15 o NDVI em todas as avaliações apresentou
efeito isolado de cultivares. Aos 33 e 57 DAS a cultivar BRS 359 RR obteve os
maiores valores de NDVI (Tabela 3.8), devido ao seu menor ciclo em relação a
cultivar BMX Potência RR. Entretanto, aos 91 DAS a cultivar BMX Potência RR
apresentou maior valor de NDVI em relação a cultivar BRS 359 RR. Isso aconteceu
devido à diferença do ciclo das cultivares, pois a cultivar BMX Potência RR aos 91
DAS se encontrava em uma fase reprodutiva anterior, por isso o NDVI apresentou um
maior valor em relação à BRS 359 RR que já estava em um estado avançado de
enchimento de grãos e se encaminhado para a maturação de grãos.
46
Tabela 3.8 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33, 57 e 91
dias após a semeadura (DAS), em duas cultivares de soja (médias de três
densidades de semeadura e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Cultivares
NDVI aos 33
DAS
NDVI aos 57
DAS
NDVI
aos 91 DAS
BRS 359 RR 0,43 A1 0,75 A 0,74 B
BMX Potência RR 0,35 B 0,71 B 0,76 A
CV (%) 14,1 8,1 3,6
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste F à 5%
de significância.
A porcentagem da cobertura do solo pelo dossel em todas as
avaliações na safra 2013/14 apresentou efeito isolado de densidade de semeadura.
Em todas as avaliações a maior densidade de semeadura (450 mil sementes viáveis
ha-1) apresentou o maior valor de cobertura do solo pelo dossel (Tabela 3.9), em
função da maior quantidade de plantas na área, ocasionando também a maior
cobertura da área pelas plantas. Heiffig et al. 2006 observaram que a população de
350 mil plantas ha-1 obteve o menor tempo de fechamento nas entrelinhas em relação
as populações de 70, 140, 210 e 280 mil plantas ha-1.
Tabela 3.9 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 27, 35, 43 e
49 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias
de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Densidade (mil CSD aos CSD aos CSD aos CSD aos
sementes viáveis ha-1) 27 DAS (%) 35 DAS (%) 43 DAS (%) 49 DAS (%)
150 7,7 C1 18,6 C 39,5 C 52,4 C
300 14,7 B 32,0 B 61,2 B 69,8 B
450 22,1 A 42,1 A 73,8 A 81,1 A
CV (%) 22,0 22,0 16,3 14,3
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
A porcentagem da cobertura do solo pelo dossel apresentou efeito
isolado de espaçamento em todas as avaliações na safra 2013/14. Aos 27 e 35 DAS
os espaçamentos reduzido (20 cm) e fileira dupla (20/80 cm) apresentaram os
menores valores de porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (Tabela 3.10).
Para o espaçamento reduzido isso decorreu da menor quantidade de plantas na linha
de semeadura e para o espaçamento em fileira dupla pela ampla distância entre as
fileiras duplas. Aos 43 e 49 DAS a porcentagem da cobertura do solo pelo dossel foi
maior no espaçamento cruzado (50 x 50 cm) pela disposição das plantas na área que
ocupam melhor o espaço disponível, não diferindo do espaçamento usual. Heiffig et
al. (2006) observaram que para a população de 140 mil plantas ha-1, nos
47
espaçamentos de 60 e 70 cm, o tempo de fechamento foliar foi muito extenso e não
foi total, sendo de 78% de fechamento para o espaçamento de 60 cm e de 60% para
o espaçamento de 70 cm. Sendo o mesmo efeito observado para as populações de
210 e 280 mil plantas ha-1, contudo, com resultados mais favoráveis de fechamento
nas entrelinhas.
Tabela 3.10 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 27, 35, 43 e
49 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias
de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Espaçamentos (cm)
CSD aos CSD aos CSD aos CSD aos
27 DAS (%) 35 DAS (%) 43 DAS (%) 49 DAS (%)
20 12,75 B1 28,2 B 58,27 B 66,8 B
20/80 12,73 B 25,7 B 44,09 C 55,3 C
50 16,04 A 34,4 A 62,0 AB 71,0 AB
50 x 50 17,93 A 35,3 A 68,4 A 78,2 A
CV (%) 22,0 22,0 16,3 14,3
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
Na safra 2014/15 aos 33 DAS, a densidade de semeadura de 450 mil
sementes viáveis ha-1, apresentou a maior porcentagem de cobertura do solo pelo
dossel (Tabela 3.11), pela maior quantidade de plantas dispostas na área. Já aos 57
DAS as densidades de 300 e 450 mil sementes viáveis ha-1 se igualaram e somente a
densidade de 150 mil sementes viáveis ha-1 não alcançou a cobertura total do solo
pelo dossel. Holtz et al. (2014) observaram diferenças no tempo de fechamento para
os estandes de 160 e 240 mil plantas ha-1, em que a densidade de 160 mil plantas ha-
1 obteve o fechamento do dossel com 61 DAS e a densidade de 240 mil plantas ha-1
com 57 DAS já apresentava o fechamento do dossel.
Tabela 3.11 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33 e 57
dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias de
duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Densidade (mil sementes viáveis
ha-1)
CSD aos 33 DAS (%) CSD aos 57 DAS (%)
150 16,3 C1 79,1 B
300 27,1 B 89,8 A
450 39,4 A 91,1 A
CV (%) 20,7 9,9
1Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
O espaçamento em fileira dupla (20/80 cm) apresentou a menor
cobertura do dossel aos 33 e 57 DAS (Tabela 3.12) na safra 2014/15, já que o espaço
48
entre uma fileira dupla e outra é amplo e assim as plantas não conseguiram fechar o
dossel. Aos 33 DAS, os espaçamentos, usual (50 cm) e cruzado (50 x 50 cm),
apresentaram uma menor porcentagem de cobertura do solo pelo dossel pela maior
distância das linhas de semeadura em relação ao espaçamento reduzido (20 cm),
mas aos 57 DAS os espaçamentos já apresentaram uma similaridade e fechamento
do dossel. Entretanto, em espaçamentos intermediários, há uma distribuição
equidistante e espacial do sistema radicular e da parte aérea das plantas,
favorecendo assim o melhor aproveitamento dos recursos do ambiente como água,
luz e nutrientes (SILVA et al., 2013). Para Knebel et al. (2006), em tais condições as
plantas apresentam um crescimento mais harmônico, não exigindo das plantas o
alongamento do caule em busca de luminosidade de qualidade, atenuando desse
modo, o acamamento e o autossombreamento.
Tabela 3.12 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33 e 57
dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de
duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Espaçamentos (cm) CSD aos 33 DAS (%) CSD aos 57 DAS (%)
20 36,5 A1 92,8 A
20/80 20,6 C 73,3 B
50 26,1 B 90,7 A
50 x 50 27,1 B 89,8 A
CV (%) 20,7 9,9
1Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
A cultivar BRS 359 RR obteve uma maior porcentagem da cobertura
do solo pelo dossel aos 33 e 57 DAS (Tabela 3.13) na safra 2014/15, visto que esta
apresenta um ciclo mais curto em relação a cultivar BMX Potência RR levando assim
a uma cobertura vegetal mais expressiva no começo do desenvolvimento da cultura.
49
Tabela 3.13 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33 e 57
dias após a semeadura (DAS), em duas cultivares de soja (médias de três
densidades de semeadura e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Cultivares CSD aos 33 DAS (%) CSD aos 57 DAS (%)
BRS 359 RR 33,6 A1 90,3 A
BMX Potência RR 21,6 B 83,1 B
CV (%) 20,7 9,9
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste F à 5%
de significância.
3. 6 CONCLUSÕES
A cultivar BRS 359 RR apresenta maior NDVI em relação a cultivar
BMX Potência RR por possuir menor ciclo de desenvolvimento.
O espaçamento reduzido (20 cm) proporciona menor NDVI no início
do ciclo de desenvolvimento da cultura.
Todos os espaçamentos apresentam o total fechamento do dossel
no final do ciclo, com exceção do espaçamento em fileira dupla (20/80 cm).
A densidade de 150 mil sementes viáveis ha-1 ocasiona menor NDVI
e cobertura do dossel no início do ciclo, entretanto no final do ciclo essa diferença se
dissipa e todas as densidades apresentam pleno fechamento do dossel.
50
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54
4 ARTIGO B: DESEMPENHO AGRONÔMICO E PRODUTIVIDADE DE
CULTIVARES DE SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS
4.1 RESUMO
O arranjo espacial de plantas, composto pela densidade de semeadura e pelo
espaçamento entre fileiras, influencia a competição intraespecífica por água, luz e
nutrientes, podendo modificar atributos morfofisiológicos e a produtividade da soja.
O objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho agronômico e a produtividade de
duas cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado, em diferentes
arranjos espaciais, compostos por diferentes espaçamentos entre fileiras e
densidades de semeadura. O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja) em Londrina,
Paraná, nas safras 2013/14 e 2014/15. O delineamento experimental foi em blocos
casualizados, esquema fatorial 2 x 4 x 3, com três repetições. Os tratamentos
constituíram-se da combinação de duas cultivares: BRS 359 RR e BMX Potência
RR, de quatro espaçamentos entre fileiras: 20 cm (reduzido); 20/80 cm (fileira dupla);
50 cm (usual) e 50 x 50 cm (cruzado) e três densidades de semeadura: 150, 300 e
450 mil sementes viáveis ha-1. As parcelas foram constituídas de 10,0 m de
comprimento e 5,0 m de largura, totalizando 50,0 m2. Foram avaliadas a densidade
inicial de plantas, massa seca de caules e de folhas, índice de área foliar (IAF),
densidade final de plantas, altura de plantas, número de ramos por planta, altura da
inserção da primeira vagem, diâmetro do caule, índice de colheita aparente e
produtividade de grãos. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e
as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A cultivar
BMX Potência RR apresenta menor produtividade e índice de colheita aparente em
relação a cultivar BRS 359 RR. A densidade de semeadura de 450 mil sementes
viáveis ha-1 apresenta maiores altura de plantas, altura da inserção da primeira
vagem, massa seca de folhas e caules no início do ciclo da cultura e produtividade
de grãos e menores diâmetro do caule e número de ramos por planta. O
espaçamento reduzido (20 cm) apresenta maior massa seca de folhas e de caules
no início do ciclo e diâmetro do caule. O espaçamento usual (50 cm) confere maior
produtividade de grãos.
Palavras-chave: Glycine max L. Densidade de semeadura. Espaçamentos entre
fileiras. Tipo de crescimento indeterminado. Biomassa vegetal.
55
AGRONOMIC PERFORMANCE AND GRAIN YIELD OF SOYBEAN CULTIVARS IN
DIFFERENT SPATIAL PLANT ARRANGEMENT
4.2 ABSTRACT
The spatial plant arrangement, comprising the seeding rate and the row spacing
influences the intraspecific competition for water, light and nutrients, and thus can
modify the morphophysiological attributes and the grain yield. In this context, the
aim of this workwas to evaluate the agronomic performance and grain yield of two
soybean cultivars with indeterminate growth habit in different spatial plant
arrangement, composed by different row spacing and seeding rates. The experiment
was conducted at the Experimental Farm of the Brazilian Agricultural Research
Corporation (Embrapa Soja) in Londrina, Paraná state, Brazil, during 2013/14 and
2014/15 growing seasons. The experimental design was a randomized block,
factorial 2 x 4 x 3 with three replications. The treatments consisted of the combination
of two soybean cultivars: BRS 359 RR and BMX Potência RR, four row spacing: 20
cm (reduced); 20/80 cm (double row); 50 cm (standard) and 50 x 50 cm (crossed
lines) and three sowing rates(150, 300 and 450 thousands viable seeds ha-1). The
plots were built 10.0 m long and 5.0 m wide, totaling 50.0 m2. Were evaluated the
initial plant density, dry mass of stems and leaves, leaf area index (LAI), final plant
density, plant height, number of branches per plant, first pod height, stem diameter,
apparent harvest index and grain yield. The data were submitted to analysis of
variance and means were compared by Tukey test at 5% probability. Cultivar BMX
Potência RR has lower productivity and apparent harvest index relative BRS 359 RR.
The seeding rate of 450,000 viable seeds ha-1 presents greater plant height, first pod
height, dry mass of leaves and stems at the beginning of the crop cycle and grain
yield and lower stem diameter and number of branches per plant. The reduced
spacing (20 cm) is more dry mass of leaves and stems at the beginning of the cycle
and stem diameter. The usual spacing (50 cm) provides higher grain yield.
Keywords: Glycine max L. Seeding rate. Row spacing. Indeterminate growth habit.
Plant biomass.
56
4.3 INTRODUÇÃO
Com a consolidação do sistema plantio direto e o advento das
cultivares transgênicas, o cultivo da soja sofreu expressivas mudanças.
Principalmente, na região Sul do Brasil, houve um aumento significativo da utilização
de cultivares que apresentavam crescimento indeterminado, arquitetura compacta
das plantas, alta precocidade, folíolos e porte menores e, especialmente, alto
potencial de produtividade de grãos (SOUZA et al., 2010; PROCÓPIO et al., 2013).
A cultura da soja dispõe de grande plasticidade fenotípica
(MUNDSTOCK; THOMAS, 2005; FERREIRA JUNIOR et al., 2010; HOLTZ et al.,
2014), possuindo alta adaptabilidade às diferentes condições ambientais e de
manejo, em razão de alterações morfológicas e da arquitetura de plantas. Estas
transformações podem estar relacionadas com a fertilidade do solo, densidade de
plantas e espaçamento entrelinhas (PIRES et al.,1998; RAMBO et al., 2003; HANNA
et al., 2008; BALBINOT JUNIOR et al., 2015a).
O arranjo espacial das plantas de soja pode ser ajustado, alterando
o espaçamento entre fileiras e a densidade de semeadura, o que pode refletir em
aumentos significativos na produtividade de grãos, sem haver alteração na
sustentabilidade dos sistemas de produção. Através desse ajuste, é possível
diminuir a competição intraespecífica por água, luz e nutrientes, potencializando o
aproveitamento desses recursos pelas plantas cultivadas (HEIFFIG et al., 2006;
COX; CHERNEY; SHIELDS, 2010; WALKER et al., 2010).
Adicionalmente, o arranjo espacial é uma importante prática de
manejo que pode aumentar a interceptação da radiação solar por meio da cobertura
integral do solo (HEITHOLT; FARR; EASON, 2005; FONTANA et al., 2012). No
entanto, a diminuição das entrelinhas pode determinar diferentes características
morfológicas e siológicas nas plantas (MADALOSSO et al., 2010).
As características morfofisiológicas, particularmente o número de
ramos por planta, comprimento de ramos e números de nós férteis, têm relação
direta com o potencial produtivo da planta de soja, essencialmente mais produtiva,
por apresentar maior número de possíveis locais para surgimento de gemas
reprodutivas. Sob outra perspectiva, o número e comprimento de ramos podem
representar demanda adicional, desviando fotoassimilados que poderiam ser melhor
57
aproveitados na fixação e na produção de estruturas reprodutivas (COOPERATIVE
EXTENSION SERVICE AMES, 1994; NAVARRO JUNIOR; COSTA, 2002).
Além de alta produtividade, procura-se que no cultivo da soja as
cultivares apresentem grau de acamamento, altura de inserção da primeira vagem e
de planta favoráveis à colheita mecanizada. Essas características podem ser
influenciadas pela época de florescimento, que ao ocorrer de forma precoce pode
acarretar uma redução significativa no porte das plantas e na altura da inserção da
primeira vagem, ocasionando assim uma queda brusca na produtividade da lavoura
(CARVALHO et al., 2010; BALBINOT JUNIOR, 2011).
O arranjo espacial de plantas já vem sendo estudado desde os
primórdios do cultivo da soja, deste modo, diversos trabalhos já foram conduzidos
sobre esse assunto. Entretanto, a interação entre genótipo e ambiente interfere
diretamente nos resultados, tornando indispensável novas investigações que visem
melhorar o desempenho da cultura, essencialmente quando são dispostas de novas
tecnologias (LUDWIG et al., 2011; LIMA et al., 2012). Além disso, há carência de
pesquisas desenvolvidas na última década com o uso de cultivares modernas, em
sistema plantio direto.
Diante do exposto o objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho
agronômico e a produtividade de duas cultivares de soja com tipo de crescimento
indeterminado em diferentes arranjos espaciais, compostos por diferentes
espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura.
4.4 MATERIAL E MÉTODOS
Foram realizados dois experimentos nas safras 2013/14 e 2014/15,
na Fazenda Experimental da Embrapa Soja, em Londrina, PR (23°11’ S, 51°11’W e
altitude de 620 m), utilizando a mesma área experimental. O solo foi classificado
como Latossolo Vermelho distroférrico (SANTOS et al., 2006), e apresentava os
seguintes atributos, na camada de 0 a 20 cm, antes da implantação dos
experimentos: 21,4 g dm-3 de matéria orgânica; 4,9 de pH em CaCl2; 8,6 mg dm-3 de
P; 0,55 cmolc dm-3 de K; 3,7 cmolc dm-3 de Ca; 1,4 cmolc dm-3 de Mg; e 48% de
saturação da CTC por bases.
58
O clima da região é do tipo Cfa, descrito como clima subtropical
úmido com verão quente, segundo a classificação de Köppen. A temperatura média
no mês mais frio é inferior a 16ºC (mesotérmico) e temperatura média no mês mais
quente é acima de 27ºC, com verões quentes, geadas pouco frequentes e tendência
de concentração das chuvas nos meses de verão, contudo sem estação seca
definida. A precipitação média anual é de 1.605 mm, sendo dezembro, janeiro e
fevereiro os meses mais chuvosos e junho, julho e agosto os mais secos (WREGE
et. al, 2011; ALVARES et. al, 2014, IAPAR, 2016).
A cobertura vegetal presente na área experimental foi manejada
mecanicamente aos onze dias antes da semeadura da soja em ambas as safras,
utilizando-se um triturador de restos culturais (triton). Nove dias após essa operação,
a vegetação remanescente foi dessecada quimicamente com glyphosate (1.080 g
i.a. ha-1) e carfentrazone-ethyl (30 g i.a. ha-1). A semeadura foi realizada em sistema
plantio direto, em 30/10/2013, sobre palha de trigo, e em 12/11/2014, sobre palha de
aveia-preta. As sementes foram tratadas com Carboxina (30 mL i.a 50 kg-1 de
sementes) e Tiram (30 mL i.a 50 kg-1 de sementes) e inoculadas com
Bradyrhizobium elkanii na concentração de 5 x 109 UFC ml-1 (100 ml 50 kg-1 de
sementes). Foram utilizadas duas semeadoras para a semeadura do experimento,
devido a diferença de espaçamento entre as fileiras, sendo utilizada a semeadora
Semeato, modelo SHM 11/13 para os espaçamentos entre fileiras de 50 cm (usual)
e 50 x 50 cm (cruzado) e Imasa MPS 1800 para os espaçamentos entre fileiras de
20 cm (reduzido) e 20/80 cm (fileira dupla).
A adubação de base constituiu-se da aplicação de 350 kg ha-1 de
superfosfato simples e 250 kg ha-1 de cloreto de potássio na safra de 2013/14 e 122
kg ha-1 de superfosfato triplo e 250 kg ha-1 de cloreto de potássio na safra 2014/15,
aplicados a lanço 10 dias antes da semeadura. O controle de doenças, insetos-
praga e plantas daninhas foi efetuado conforme as indicações técnicas preconizadas
para a cultura da soja (EMBRAPA, 2011). Os dados meteorológicos foram obtidos
na estação agrometeorológica da Embrapa Soja. O balanço hídrico climatológico
sequencial (BHCS) de Thornthwaite e Mather (1955) foi calculado para as safras
2013/14 (Figura 4.1A) e 2014/15 (Figura 4.1B) durante a condução dos
experimentos à campo. A evapotranspiração de referência (ETo) foi calculada
durante os decêndios da condução do experimento pela equação de Penman-
Monteith e transformada em evapotranspiração da cultura da soja (ETc = ETo x Kc)
59
conforme recomendação de coeficiente da cultura (Kc) pela FAO (ALLEN et al.,
1998). A capacidade de água disponível no solo (CAD) utilizada para o cálculo do
BHC foi de 75 mm (FARIAS et al., 2001).
Figura 4.1 – Extrato do balanço hídrico climatológico sequencial com CAD de 75
mm e temperaturas máxima, mínima e média (°C) durante a condução dos
experimentos nas safras 2013/14 (A) e 2014/15 (B). Londrina, PR
As cultivares utilizadas foram a BMX Potência RR, que possui tipo
de crescimento indeterminado e grupo de maturidade relativa 6.7 e a cultivar BRS
359 RR, tipo de crescimento indeterminado e grupo de maturidade relativa 6.0. O
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
-30
-20
-10
0
10
20
30
40
50
2
-o
u
t
3
-o
u
t
1
-n
o
v
2
-n
o
v
3
-n
o
v
1
-d
e
z
2
-d
e
z
3
-d
e
z
1
-j
a
n
2
-j
a
n
3
-j
a
n
1
-f
e
v
2
-f
e
v
3
-f
e
v
T
e
m
p
e
ra
tu
ra
(
C
)
(m
m
)
Decêndio
DEF EXC
Temperatura média (°C) Temperatura Máxima (°C)
Temperatura Mínima (°C)
A
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
-40
-20
0
20
40
60
80
100
1
-o
u
t
2
-o
u
t
3
-o
u
t
1
-n
o
v
2
-n
o
v
3
-n
o
v
1
-d
e
z
2
-d
e
z
3
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e
z
1
-j
a
n
2
-j
a
n
3
-j
a
n
1
-f
e
v
2
-f
e
v
3
-f
e
v
1
-m
a
r
T
e
m
p
e
ra
tu
ra
(
C
)
(m
m
)
Decêncdio
DEF EXC
Temperatura média (°C) Temperatura máxima (°C)
Temperatura mínima (°C)
B
60
delineamento experimental foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 2 x 4 x
3, com três repetições. Os tratamentos constituíram-se da combinação de duas
cultivares: BRS 359 RR e BMX Potência RR, quatro espaçamentos entre fileiras: 20
cm (reduzido); 20/80 cm (fileira dupla); 50 cm (usual) e 50 x 50 cm (cruzado) e três
densidades de semeadura (150, 300 e 450 mil sementes viáveis ha-1). As parcelas
mediam 10,0 m de comprimento e 5,0 m de largura, totalizando 50,0 m2, sendo sua
área útil de 15,0 m2 (10,0 m de comprimento por 1,5 m de largura). As variáveis
analisadas estão descritas a seguir:
4.4.1 Densidade inicial de plantas
A densidade inicial de plantas foi determinada na área útil das
parcelas aos 20 dias após a semeadura (DAS) (estádio V2). A contagem foi
realizada em uma área total de 3 m2 por parcela. Os resultados foram expressos em
mil plantas ha-1.
4.4.2 Índice de área foliar (IAF)
Para a avaliação do índice de área foliar (IAF) foram coletadas cinco
plantas em sequência por parcela. Os folíolos foram retirados das plantas, sendo a
área dos mesmos determinada em um integrador de área foliar de bancada (modelo
LI-COR LI3100). Para o cálculo do IAF, utilizou-se a seguinte equação: IAF = AFP *
DEN, em que AFP é a área foliar por planta (m2) e DEN é o número de plantas por
m2. Foi realizada uma avaliação de IAF na safra 2014/2015 aos 62 dias após a
semeadura (DAS) (estádio R2).
4.4.3 Massa seca de caules e de folhas
As plantas contidas em uma área de 1 m2 por parcela foram
cortadas, separadas e acondicionadas em sacos de papel e, em seguida, levadas a
estufa em temperatura de 65 °C até atingir massa constante. Após a secagem, a
massa de matéria seca de caules e folhas foi determinada em balança analítica com
precisão de 0,1 g. Foram realizadas para a safra 2014/2015 duas avaliações aos 30
e 62 DAS (estádios V2 e R2, respectivamente).
61
4.4.4 Densidade final de plantas
A densidade final de plantas foi determinada na área útil das
parcelas aos 110 DAS (estádio R6 para a cultivar BMX Potência RR e R7 para a
cultivar BRS 359 RR) para a safra de 2014/2015. A contagem foi realizada no
mesmo local da avaliação da densidade inicial de plantas em 3 m2 por parcela. Os
resultados foram expressos em mil plantas ha-1.
4.4.5 Altura de plantas
Avaliada em 20 plantas coletadas em sequência em cada parcela
experimental, a partir da superfície do solo até a extremidade apical da haste
principal, com auxílio de uma régua milimetrada. Os resultados foram expressos em
cm.
4.4.6 Altura da inserção da primeira vagem
A altura de inserção da primeira vagem foi determinada avaliando-se
20 plantas coletadas em sequência em cada parcela experimental, medindo-se, com
uma régua milimetrada, a distância do nível do colo da planta à inserção da primeira
vagem. Os resultados foram expressos em cm.
4.4.7 Diâmetro do caule
O diâmetro do caule foi determinado em cm, com o auxílio de um
paquímetro, a medida foi realizada entre o primeiro e segundo nó do caule das
plantas. Essa avaliação foi realizada em 20 plantas por parcela que foram coletadas
em sequência.
4.4.8 Número de ramos por planta
Foi obtido contando-se o número total de ramos de 20 plantas por
parcela que foram coletadas em sequência, após foi realizada a média das 20
plantas obtendo assim o número de ramos por planta.
62
4.4.9 Índice de colheita aparente
O índice de colheita aparente foi determinado pela razão entre a
massa dos grãos e a massa seca total da parte aérea, sem considerar as folhas
senescidas, avaliado em 20 plantas por parcela.
4.4.10 Produtividade de grãos
A produtividade foi obtida por meio da pesagem dos grãos colhidos
na área útil (15m2) em cada parcela experimental, com padronização da umidade em
13%. Para a colheita foi utilizada a colhedora de parcelas experimentais Classic da
empresa Austríaca Wintersteiger®. Os resultados foram transformados e expressos
em kg ha-1. O teor de água dos grãos após a colheita foi determinado por um
medidor de capacitância digital, modelo (GAC 2100), previamente ajustado e
calibrado para a cultura da soja.
4.4.11 Análise Estatística
Os dados obtidos foram analisados quanto a normalidade e
homocedasticidade, utilizando-se os testes de Shapiro-Wilk e de Cochran,
respectivamente, os quais indicaram não ser necessária a transformação dos dados.
Posteriormente, os dados foram submetidos à análise de variância,sendo as médias
do fator cultivar comparadas pelo teste F e as médias dos demais fatores
comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade, separadamente para safra
de cultivo. As análises foram executadas através do programa computacional
Sistema para Análise de Variância - SISVAR (FERREIRA, 2011).
4.5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Não houve interação tripla entre os fatores estudados (cultivares x
densidades x espaçamentos) para nenhuma característica avaliada em ambas as
63
safras. Para a safra 2013/14, houve efeito isolado de densidade de semeadura para a
densidade inicial, número de ramos por planta e altura da inserção da primeira
vagem. Para a densidade inicial, a maior densidade (450 mil sementes viáveis ha-1)
apresentou o maior número de plantas ha-1 (Tabela 4.1). Isso já era esperado pela
maior quantidade de sementes utilizada na semeadura. Foi constatado que a menor
densidade de semeadura proporcionou a maior quantidade de ramos por planta.
Nestas condições, com a menor competição intraespecífica, cada planta apresentou
maior disponibilidade de água, luz e nutrientes, proporcionando condições ideais para
a ramificação e maior produção por indivíduo (LUCA; HUNGRIA, 2014; BALBINOT
JUNIOR et al., 2015b).
A maior altura da inserção da primeira vagem ocorreu na maior
densidade de semeadura avaliada (Tabela 4.1), em razão da maior competição entre
as plantas ocasionado pela modificação na qualidade da radiação solar que incide no
dossel. Provavelmente, houve um aumento da proporção da radiação solar difusa em
relação à radiação solar global, favorecendo desse modo a maior elongação da haste
principal para que assim as folhas superiores conseguissem alcançar a incidência
direta da radiação solar (LINZMEYER JUNIOR et al., 2008; MAUAD et al., 2010;
PRICINOTTO; ZUCARELI, 2014). A altura final de plantas somente foi influenciada
pelas cultivares em que a cultivar BRS 359 RR obteve menor altura (91,9 cm) em
relação a cultivar BMX Potência RR (98,1 cm).
Tabela 4.1 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), número de ramos por planta e
altura da inserção da primeira vagem (cm), em diferentes densidades de semeadura
(médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Densidade (mil sementes Densidade inicial Nº de ramos Inserção da
viáveis ha-1) (mil plantas ha-1) por planta 1ª vagem (cm)
150 137 C1 4,8 A 14,1 C
300 257 B 2,5 B 16,4 B
450 391 A 1,4 C 18,2 A
CV (%) 10,5 24,2 9,8
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
Houve efeito isolado de espaçamentos para a densidade inicial,
número de ramos por planta e diâmetro do caule na safra 2013/14. A densidade inicial
apresentou menores valores no espaçamento reduzido (20 cm) e fileira dupla (20/80
cm) em relação aos demais espaçamentos avaliados (Tabela 4.2). Possivelmente isso
ocorreu em função da maior mobilização do solo nesses tratamentos, o que pode ter
64
favorecido a evaporação da água presente no solo, reduzindo a disponibilidade desse
recurso à germinação das sementes. Nos espaçamentos de 20 e 20/80 cm foi
utilizado semeadora com carrinhos distanciados em 20 cm, ou seja, com grande
potencial de mobilização do solo e retirada de palha das linhas de semeadura. É
importante mencionar que na safra 2013/14 houve um período extenso sem chuvas
após a semeadura do experimento (início de novembro) (Figura 4.1A). O
espaçamento reduzido (20 cm) e o de fileira dupla proporcionaram o maior número de
ramos por planta, provavelmente isso esteja relacionado à menor densidade de
plantas nesses tratamentos. Balbinot Junior et al. (2015b) observaram que o menor
espaçamento (30 cm) obteve menor número de ramos por planta em relação ao maior
espaçamento avaliado (60 cm).
O maior diâmetro do caule foi observado para o espaçamento
reduzido (20 cm), já que para se utilizar menores espaçamentos entre as fileiras,
conservando-se a mesma população de plantas por área, é necessária a redução do
número de plantas dentro das linhas, o que resultou em distribuições de plantas mais
equidistantes em relação aos arranjos com maiores espaçamentos entre as linhas.
Essa condição mais eqüidistante resultou em menor competição por luz no início do
ciclo e, consequentemente, maior desenvolvimento por indivíduo na área,
ocasionando maior diâmetro do caule no final do ciclo (PROCÓPIO et al., 2014). Vale
ressaltar que os espaçamentos avaliados não interferiram na altura da inserção da
primeira vagem.
Tabela 4.2 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), número de ramos por planta, altura
da inserção da primeira vagem (cm) e diâmetro do caule (cm), em diferentes
espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de
semeadura), safra 2013/14.
Espaçamentos (cm)
Densidade inicial Nº de ramos Inserção da Diâmetro
(mil plantas ha-1) por planta 1ª vagem (cm) do caule (cm)
20 222 B1 3,7 A 15,5 A 0,79 A
20/80 233 B 3,1 AB 15,7 A 0,72 B
50 303 A 2,5 BC 16,8 A 0,67 BC
50 x 50 288 A 2,3 C 16,7 A 0,66 C
CV (%) 10,5 24,2 9,8 8,3
1Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
Houve interação entre densidade de semeadura e cultivares para o
diâmetro do caule e para a produtividade de grãos na safra 2013/14. A menor
densidade de semeadura (150 mil sementes viáveis ha-1) e a cultivar BMX Potência
65
RR aumentaram o diâmetro do caule das plantas de soja (Tabela 4.3). O diâmetro
do caule é uma característica importante, pois está altamente correlacionada com a
propensão ao acamamento da cultura (BALBINOT JUNIOR, 2011). A maior
produtividade de grãos foi observada na maior densidade de semeadura e para a
cultivar BRS 359 RR. A densidade de 450 mil sementes viáveis ha-1, proporcionou a
maior produtividade, provavelmente em razão da quantidade mais expressiva de
raízes que absorvem água em profundidades mais elevadas no perfil do solo
(CARLESSO, 1995), pois há maior competição entre plantas em condições mais
adensadas, levando as raízes a se aprofundarem e se espalharem mais no perfil do
solo na procura de água, ocasionando maior rendimento devido ao maior número de
plantas e maior extração de água (KUSS et al., 2008). Vale ressaltar que o déficit
hídrico ocorrido durante o período de enchimento de grãos, no mês de janeiro e no
primeiro decêndio de fevereiro (Figura 4.1A), pode ter limitado a magnitude da
resposta da soja aos arranjos de plantas nesta safra.
Tabela 4.3 – Diâmetro do caule (cm) e produtividade de grãos (kg ha-1), em
diferentes densidades de semeadura e duas cultivares de soja (médias de quatro
espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Densidade (mil sementes viáveis ha-1)
Cultivares
150 300 450
Diâmetro do caule (cm)
BRS 359 RR 0,76 Ba1 0,62 Bb 0,54 Bc
BMX Potência RR 0,96 Aa 0,74 Ab 0,65 Ac
CV(%) 8,3
Produtividade (kg ha-1)
BRS 359 RR 1556 Ab 1712 Ab 1984 Aa
BMX Potência RR 1664 Aa 1572 Aa 1602 Ba
CV(%) 15,4
1Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey e pelo teste F, respectivamente, à 5% de significância.
Houve interação entre cultivares e espaçamentos para a
produtividade de grãos na safra 2013/14. A cultivar BRS 359 RR obteve maior
produtividade em todos os espaçamentos, exceto nos espaçamentos reduzido e
cruzado (Tabela 4.4). Isso aconteceu devido a cultivar BMX Potência RR possuir um
ciclo mais longo em relação a cultivar BRS 359 RR. Quando a cultivar BMX Potência
RR se encontrava em pleno enchimento de grãos ocorreu o déficit hídrico mais
acentuado (Figura 4.1A) o que ocasionou uma diminuição drástica da produtividade.
Já o espaçamento usual (50 cm) proporcionou a maior produtividade para a cultivar
66
BRS 359 RR, em função de uma distribuição espacial das plantas na área mais
uniforme, o que ocasionou uma melhor nutrição dos indivíduos, e consequentemente
maior produtividade. Resultados semelhantes foram obtidos por Mattioni et al. (2008),
Komatsu, Guadagnin e Borgo (2010) e Silva et al. (2013), ao observarem maior
produtividade de grãos para os espaçamentos de 45 cm em relação aos demais
espaçamentos avaliados. Já Procópio et al. (2014) obtiveram em fileiras duplas (19 x
38 e 19 x 57 cm), juntamente com o maior espaçamento (57 cm), maior produtividade
de grãos de soja, mostrando superioridade em relação à semeadura em espaçamento
reduzido.
Tabela 4.4 – Produtividade de grãos (kg ha-1) em diferentes espaçamentos entre
fileiras e duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura), safra
2013/14.
Espaçamentos (cm)
Cultivares 20 20/80 50 50 x 50
BRS 359 RR 1567 Abc1 1465 Ac 2156 Aa 1815 Ab
BMX Potência RR 1713 Aa 1047 Bb 1769 Ba 1922 Aa
CV(%) 15,4
1Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey e pelo teste F, respectivamente, à 5% de significância.
Houve efeito isolado de densidade de semeadura para a densidade
inicial, massa seca de folhas aos 30 DAS, índice de área foliar (IAF), massa seca de
caules e de folhas aos 62 DAS, densidade final, altura da inserção da primeira vagem
e diâmetro do caule para a safra 2014/15. A densidade inicial e final como já era de se
esperar apresentou maiores valores na maior densidade de semeadura, devido a
maior quantidade de sementes disponíveis para a germinação, também se observa
uma redução da densidade final em relação a densidade inicial, isso ocorreu devido a
competição entre as plantas ocasionar a mortalidade de alguns indivíduos na área
(Tabela 4.5).
A massa seca de folhas aos 30 DAS apresentou maiores valores para
a maior densidade de semeadura (Tabela 4.5), visto que nessa situação há maior
quantidade de plantas e estas são menores, o que contribuiu para que
apresentassem maior massa. Em compensação, a massa seca de caules e de folhas
e o IAF aos 62 DAS nas densidades de 300 e 450 mil sementes viáveis ha-1 não
diferiram entre si, em razão da plasticidade fenotípica. A soja apresenta tendência em
ocupar os espaços vazios e compensar a menor quantidade de plantas na área
(BOARD; KAHLON, 2013; LUCA; HUNGRIA, 2014). Resultados semelhantes foram
67
obtidos por Heiffig et al. (2006) ao observarem que as maiores densidades testadas
(280 e 350 mil plantas ha-1) obtiveram maior IAF em relação as menores (70, 140 e
210 mil plantas ha-1). Resultados contrastantes foram observados por Cox e Cherney
(2011) ao não encontrarem diferenças entre o IAF para quatro densidades de
semeadura (321, 371, 420 e 469 sementes viáveis ha-1), no estádio R5.
A altura da inserção da primeira vagem foi maior na maior densidade
de semeadura, em razão da maior competição entre as plantas na busca por luz e
melhor qualidade da radiação fotossinteticamente ativa. Em contrapartida, o diâmetro
do caule foi maior para a menor densidade, devido à necessidade da planta possuir
uma estrutura caulinar mais robusta que sustente o seu peso, compensando os
espaços vazios.
Tabela 4.5 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), massa seca de folhas aos 30 dias
após semeadura (DAS) (g m-2), índice de área foliar (IAF), massa seca de caules
aos 62 DAS (g m-2),massa seca de folhas aos 62 DAS (g m-2), densidade final (mil
plantas ha-1),altura da inserção da primeira vagem (cm) e diâmetro do caule (cm)em
diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro
espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Variáveis
Densidade de semeadura (mil sementes ha-1)
150 300 450 CV (%)
Densidade inicial (mil plantas ha-1) 167c1 311 b 474 a 10,5
MS de folhas aos 30 DAS (g m-2) 11,8 c 20,4 b 26,7 a 27,9
IAF aos 62 DAS 3,9b 4,8 a 5,1 a 26,7
MS de caules aos 62 DAS (g m-2) 109,1 b 149,1 a 174,3 a 32,2
MS de folhas aos 62 DAS (g m-2) 178,6 b 233,7 a 275,5 a 29,9
Densidade final (mil plantas ha-1) 157 c 272 b 404 a 10,9
Inserção da primeira vagem (cm) 15,9 c 18,0 b 19,5 a 10,8
Diâmetro do caule (cm) 7,9 a 6,4 b 5,5 c 12,3
1Médias seguidas pelas mesmas letras minúsculas na linha não diferem entre si pelo teste de Tukey à
5% de significância.
Houve efeito isolado de espaçamentos para a densidade inicial, massa
seca de folhas aos 30 DAS e densidade final de plantas. O espaçamento reduzido
proporcionou maior densidade inicial e massa seca de folhas aos 30 DAS (Tabela 4.6),
pois as plantas se encontravam melhor distribuídas na área, o que favoreceu uma
germinação mais homogênea e um maior crescimento por indivíduo no início do seu
desenvolvimento. O espaçamento cruzado diferiu dos demais espaçamentos na
densidade inicial e final de plantas ha-1, apresentando menores valores (Tabela 4.6). O
cruzamento das linhas, proporcionou a redução da densidade de plantas, devido a
segunda operação de semeadura, transversal à primeira (formando um quadriculado)
68
causar danos na qualidade da primeira operação em razão do revolvimento do solo
gerado pela segunda passagem da semeadora e da compactação extra imposta pelo
rodado do trator e da semeadora (BALBINOT JUNIOR et al., 2015a).
Tabela 4.6 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), massa seca de folhas aos 30 dias
após semeadura (DAS) (g m-2) e densidade final (mil plantas ha-1), em diferentes
espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de
semeadura), safra 2014/15.
Espaçamentos (cm)
Densidade inicial MS de folhas aos Densidade final
(mil plantas ha-1) 30 DAS(g m-2) (mil plantas ha-1)
20 379 A1 24,4 A 296 A
20/80 326 B 17,7 B 303 A
50 302 B 17,0 B 279 A
50 x 50 261 C 19,2 B 233 B
CV (%) 13,1 27,9 10,9
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey à 5% de significância.
Houve efeito isolado de cultivares para a massa seca de folhas aos 30
DAS, massa seca de caules aos 62 DAS, número de ramos por planta e produtividade
de grãos na safra 2014/15. A massa seca de folhas aos 30 DAS e de caules aos 62
DAS foi maior para a cultivar BRS 359 RR (Tabela 4.7) por esta possuir um ciclo mais
curto em relação a cultivar BMX Potência RR. Já o número de ramos por planta foi
maior para a cultivar BMX Potência RR, devido ao seu crescimento mais lento
proporcionar condições ideais ao desenvolvimento de ramos. A produtividade foi
menor para a cultivar BMX Potência RR, em razão desta possuir um ciclo mais longo,
apresentou uma incidência maior de ferrugem asiática causada pelo fungo
Phakopsora pachyrhizi, considerada a principal doença da soja por ocasionar, em
condições favoráveis, perdas expressivas do rendimento de grãos (ALMEIDA et al.,
2005; LIMA et al., 2012).
69
Tabela 4.7 – Massa seca de folhas aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2),
massa seca de caules aos 62 DAS (g m-2), número de ramos por planta e
produtividade de grãos (kg ha-1) de duas cultivares de soja (médias de quatro
espaçamentos entre fileiras e de três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Cultivares
MS de folhas
aos
MS de caules
aos
Nº de
ramos
Produtividade
30 DAS (g m-2) 62 DAS (g m-2) por planta (kg ha-1)
BRS 359 RR 23,5 A1 158,2 A 1,9 B 3355 A
BMX Potência RR 15,7 B 130,2 B 2,4 A 2855 B
CV(%) 27,9 32,2 21,1 13,3
1
Médias seguidas pelas mesmas letras maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste F à 5%
de significância.
Houve interação entre cultivares e espaçamentos para a massa seca
de caules aos 30 DAS, índice de colheita aparente e diâmetro do caule na safra
2014/15. A massa seca de caules aos 30 DAS foi maior no espaçamento reduzido
para a cultivar BRS 359 RR (Tabela 4.8), devido ao maior incremento da biomassa
vegetal no início do ciclo pela melhor distribuição das plantas na área, favorecendo
maior interceptação da radiação fotossinteticamente ativa e maior crescimento de
cada indivíduo na área. Entre as cultivares, a BRS 359 RR possuiu maior valor de
massa seca de caules aos 30 DAS em relação a cultivar BMX Potência RR, em
função desta apresentar um menor ciclo e assim favorecer maior crescimento
vegetativo inicial.
Quanto ao índice de colheita aparente, a cultivar BRS 359 RR
apresentou maiores valores em relação a cultivar BMX Potência RR, isso é um fato
positivo, pois a cultivar BRS 359 RR precisou de menor quantidade de biomassa
vegetal para a produção de grãos (Tabela 4.8). O índice de colheita não está
necessariamente associado com a massa seca da planta. Isso significa dizer que nem
sempre as plantas com a maior massa seca serão as mais produtivas (Tabela 4.8),
pois o índice de colheita leva em consideração a massa dos grãos em relação à
massa seca total das plantas (PERINI et al., 2012).
O diâmetro do caule foi maior para o espaçamento cruzado na cultivar
BRS 359 RR (Tabela 4.8), isso provavelmente ocorreu pelo maior espaço entre as
plantas proporcionado pelo maior revolvimento do solo na segunda passada da
semeadora, o que prejudicou a primeira passada favorecendo assim o maior diâmetro
do caule (PROCÓPIO et al., 2013; BALBINOT JUNIOR et al., 2015a).
A cultivar BMX Potência RR apresentou maior diâmetro do caule em
relação a cultivar BRS 359 RR para todos os espaçamentos avaliados, exceto no
70
espaçamento cruzado. Isso se deve ao fato de que a cultivar BMX Potência RR
possui um ciclo mais longo o que proporciona melhor distribuição de fotoassimilados
durante todo o ciclo da cultura ocasionando assim maior diâmetro do caule e
condições menos favoráveis ao acamamento das plantas (BALBINOT JUNIOR,
2011).
Tabela 4.8 – Massa seca de caules aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2),
índice de colheita aparente e diâmetro do caule (cm) em diferentes espaçamentos
entre fileiras e duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura),
safra 2014/15.
Espaçamentos (cm)
Cultivares
20 20/80 50 50 x 50
Massa seca de caules aos 30 DAS (g m-2)
BRS 359 RR 10,8 Aa1 7,8 Ab 6,7 Ab 8,0 Ab
BMX Potência RR 5,4 Ba 4,8 Ba 4,9 Aa 4,1 Ba
CV(%) 15,4
Índice de colheita aparente
BRS 359 RR 0,515 Aa 0,537 Aa 0,517 Aa 0,511 Aa
BMX Potência RR 0,473 Ba 0,455 Ba 0,467 Ba 0,480 Ba
CV(%) 4,3
Diâmetro do caule (cm)
BRS 359 RR 5,50 Bb 5,49 Bb 6,15 Bab 6,58 Aa
BMX Potência RR 7,51 Aa 7,23 Aa 7,13 Aa 7,07 Aa
CV(%) 12,3
1
Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey e pelo teste F, respectivamente, à 5% de significância.
Houve interação entre cultivares e densidades de semeadura para a
massa seca de caules aos 30 DAS, índice de colheita aparente, altura da inserção da
primeira vagem e altura de plantas na safra 2014/15. A menor densidade de
semeadura proporcionou a menor massa seca de caules aos 30 DAS (Tabela 4.9),
isso aconteceu em função de que há baixa quantidade de plantas e como estas se
apresentam em um estádio muito precoce, a cultura da soja apesar de apresentar alta
plasticidade fenotípica ainda não consegue compensar a menor quantidade de
indivíduos na área. A cultivar BMX Potência RR apresentou menores valores de
massa seca de caules aos 30 DAS em relação a cultivar BRS 359 RR, em função
desta primeira apresentar ciclo mais longo e, portanto, um crescimento vegetativo
inicial mais lento. O índice de colheita aparente foi maior para a cultivar BRS 359 RR
em relação a cultivar BMX Potência RR em todos as densidades avaliadas, isso
revelou que a cultivar BRS 359 RR utiliza melhor os recursos do ambiente e
71
transforma maior quantidade de fotoassimilados em grãos em relação a cultivar BMX
Potência RR.
A altura da inserção da primeira vagem e a altura final de plantas
foram maiores para as maiores densidades de semeadura (Tabela 4.9) em razão da
elevada competição intraespecífica pelos recursos do ambiente, ocasionando assim
maior estatura das plantas de soja. Nas densidades de 300 e 450 mil sementes
viáveis ha-1 a maior altura de inserção da primeira vagem foi da cultivar BMX Potência
RR e na densidade de 450 mil sementes viáveis ha-1 a mesma cultivar apresentou
menor estatura de plantas.
Tabela 4.9 – Massa seca de caules aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2),
índice de colheita aparente, altura da inserção da primeira vagem(cm) e altura de
plantas (cm)em diferentes densidades de semeadura e duas cultivares de soja
(médias de quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Densidade (mil sementes viáveis ha-1)
Cultivares
150 300 450
Massa seca de caules aos 30 DAS (g m-1)
BRS 359 RR 5,1 Ab1 9,4 Aa 10,5 Aa
BMX Potência RR 3,1 Bb 4,7 Bb 6,6 Ba
CV(%) 15,4
Índice de colheita aparente
BRS 359 RR 0,526 Aa 0,522 Aa 0,512 Aa
BMX Potência RR 0,463 Ba 0,465 Ba 0,479 Ba
CV(%) 4,3
Altura da Inserção da Primeira Vagem (cm)
BRS 359 RR 15,7 Ab 16,8 Bab 18,3 Ba
BMX Potência RR 16,2 Ab 19,3 Aa 20,6 Aa
CV(%) 10,8
Altura de Plantas (cm)
BRS 359 RR 85,7 Ab 92,6 Aab 96,4 Aa
BMX Potência RR 90,3 Aa 92,5 Aa 88,1 Ba
CV(%) 9,3
1
Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey e pelo teste F, respectivamente, à 5% de significância.
Houve interação entre densidades e espaçamentos para o número de
ramos por planta e altura da inserção da primeira vagem para a safra 2014/15. O
número de ramos por planta foi menor no espaçamento reduzido, independente da
densidade de semeadura avaliada (Tabela 4.10), também foi menor para a maior
densidade de semeadura, devido a maior quantidade de plantas na área que crescem
em altura priorizando alcançar maior quantidade de radiação solar. A menor densidade
72
de semeadura proporcionou maior número de ramos por planta, pois estas possuem
mais espaço para se desenvolverem e para compensar esses espaços vazios crescem
lateralmente. O aumento do número de ramificações por planta pode estar relacionado
com a menor competição intraespecífica, a qual é diminuída com a redução do número
de plantas por área, modificando diretamente o número de ramos por planta (SOUZA et
al., 2010).
A altura da inserção da primeira vagem foi maior para a densidade de
450 mil sementes viáveis ha-1 no espaçamento usual (Tabela 4.10), na busca pela
maior radiação solar incidente a planta desenvolve as estruturas reprodutivas em uma
altura mais elevada, pois precisa utilizar maior quantidade de fotoassimilados para
crescer em altura. Já na densidade de 300 mil sementes viáveis ha-1 a altura da
inserção da primeira vagem foi maior no espaçamento em fileira dupla ocasionado pela
maior quantidade de plantas na linha de semeadura o que levou a maior competição
pelos recursos ambientais levando assim a uma maior altura da inserção da primeira
vagem. Marchiori et al. (1999) observaram que, quanto maior a densidade de plantas
de soja na linha, maior a altura final das plantas, menor o diâmetro da haste principal e
menor o número de ramificações por planta.
Tabela 4.10 – Número de ramos por planta e altura da inserção da primeira vagem
(cm) em diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura (médias
de duas cultivares), safra 2014/15.
Espaçamentos (cm)
Densidade 20 20/80 50 50 x 50
(mil sementes viáveis ha-1) Número de ramos por planta
150 3,12 Ab1 3,9 Aa 4,5 Aa 3,8 Aab
300 1,3 Bb 2,1 Ba 2,3 Ba 1,7 Bab
450 0,50 Cb 1,3 Ca 0,51 Cb 1,0 Cab
CV(%) 21,1
Altura da Inserção da Primeira Vagem (cm)
150 17,5 Aa 15,7 Ba 15,4 Ba 15,2 Ba
300 18,6 Aab 19,4 Aa 16,2 Bb 17,9 Aab
450 19,6 Aa 18,4 Aa 20,8 Aa 18,9 Aa
CV(%) 10,8
1
Médias seguidas pelas mesmas letras, minúsculas na linha e maiúsculas na coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey à 5% de significância.
73
4.6 CONCLUSÕES
A densidade de semeadura de 450 mil sementes viáveis ha-1
apresenta maiores altura de plantas, altura da inserção da primeira vagem, massa
seca de folhas e caules no início do ciclo da cultura e produtividade de grãos e
menores diâmetro do caule e número de ramos por planta, comparativamente às
menores densidades.
O espaçamento reduzido (20 cm) apresenta maior massa seca de
folhas e de caules no início do ciclo e diâmetro do caule.
O espaçamento usual (50 cm) confere maior produtividade de grãos
e, por isso, não há evidências para indicar alterações no espaçamento entre fileiras.
A cultivar BMX Potência RR apresenta menor produtividade e índice
de colheita aparente em relação a cultivar BRS 359 RR.
74
4. 7 REFERÊNCIAS
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guidelines for computing crop water requirements FAO irrigation and drainage.
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Fitopatologia: doenças das plantas cultivadas, v. 2, 4. ed., São Paulo:
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79
Anexo 4.1 – Resumo da análise de variância para as características agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades de semeadura na safra 2013/2014 em Londrina-PR.
Quadrados médios
F.V GL DEN INICIAL
NDVI 27
DAS
NDVI 35
DAS
NDVI 43
DAS
NDVI 49
DAS
NDVI 82
DAS
CSD 27
DAS
CSD 35
DAS
CULTIVAR 1 565,04ns 0,0077* 0,0042ns 0,0002ns 0,0056ns 0,0034** 134,12** 109,61ns
ESPAÇAMENTOS 3 28923,70** 0,0273** 0,0223** 0,0261** 0,0128ns 0,0024** 118,65** 387,53**
DENSIDADES 2 389470,70 ** 0,1209** 0,1923** 0,3037** 0,1675** 0,0003ns 1255,99** 3344,08**
BLOCOS 2 1141,30ns 0,0081* 0,0067ns 0,0048ns 0,0049ns 0,00108* 58,44* 95,71ns
CV*ESP 3 125,20ns 0,0046* 0,009896* 0,0136ns 0,0115ns 0,0009ns 7,43ns 50,87ns
CV*DEN 2 1029,68ns 0,0001ns 0,0007ns 0,0114ns 0,0051ns 0,00004ns 24,36ns 19,16ns
ESP*DEN 6 3480,88ns 0,0029* 0,0025ns 0,0030ns 0,0023ns 0,00013ns 17,76ns 63,07ns
CV*ESP*DEN 6 503,95ns 0,0004ns 0,0011ns 0,0030ns 0,0032ns 0,00033ns 6,01ns 31,27ns
ERRO 46 764,11 0,0012 0,0029 0,0051 0,0061 0,0003 10,71 46,35
MÉDIA - 261,96 0,3302 0,6612 0,6673 0,7120 0,8568 14,86 30,92
CV (%) - 10,5 10,6 12,4 10,7 11,0 2,1 22,0 22,0
ns, não significativo, ** e *, significativo a 1% e 5% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
DEN INICIAL: densidade inicial; NDVI: Índice de Vegetação por Diferença Normalizada; CSD: cobertura do solo pelo dossel.
80
Anexo 4.2 – Resumo da análise de variância para as características agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades de semeadura na safra 2013/2014 em Londrina-PR.
Quadrados médios
F.V GL CSD 43 DAS CSD 49 DAS NRAM ICA AP AIPV DIAM PROD
CULTIVAR 1 53,56ns 17,84ns 0,0013ns 0,0034ns 688,45** 0,69ns 0,3683** 343176,93*
ESPAÇAMENTOS 3 1901,94** 1650,54** 72,19** 0,0013ns 91,12ns 8,32* 0,0626** 1782462,00**
DENSIDADES 2 7220,52** 5022,63** 74,57** 0,0014ns 142,30ns 101,02** 0,4430** 228933,23*
BLOCOS 2 501,13** 274,69ns 1,12ns 0,00003ns 105,81ns 0,43ns 0,0046ns 355903,36**
CV*ESP 3 115,38ns 94,83ns 1,11ns 0,0005ns 117,93ns 3,27ns 0,0066ns 421000,72**
CV*DEN 2 4,80ns 5,72ns 0,32ns 0,0023ns 4,81ns 0,74ns 0,0170* 360326,07**
ESP*DEN 6 134,33ns 106,94ns 0,25ns 0,0002ns 99,90ns 0,61ns 0,0022ns 57558,41ns
CV*ESP*DEN 6 71,17ns 63,79ns 0,63ns 0,0011ns 50,70ns 0,67ns 0,0039ns 56760,80ns
ERRO 46 89,93 93,76 0,49 0,0009 87,52 2,54 0,0036 67463,64
MÉDIA - 58,18 67,81 2,92 0,3581 94,97 16,21 0,7163 16821
CV (%) - 16,3 14,3 24,2 8,4 9,8 9,8 8,3 15,4
ns, não significativo, ** e *, significativo a 1% e 5% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
CSD: cobertura do solo pelo dossel; NRAM: número de ramos por planta; ICA: Índice de colheita aparente; AP: altura de plantas; AIPV: altura da inserção da
primeira vagem; DIAM: diâmetro do caule e PROD: produtividade.
81
Anexo 4.3 – Resumo da análise de variância para as características agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades de semeadura na safra 2014/2015 em Londrina-PR.
Quadrados médios
F.V GL DEN INICIAL
MSCA MSFO NDVI NDVI NDVI CSD CSD MSC
30 DAS 30 DAS 33 DAS 57 DAS 91 DAS 33 DAS 57 DAS 62 DAS
CULTIVAR 1 34525,35** 225,42** 1075,70** 0,1191** 0,0218* 0,00310* 2605,21** 936,00** 14080,37*
ESPAÇAMENTOS 3 43897,31** 18,90** 202,36** 0,0173** 0,0115* 0,00396** 783,62** 1458,92** 2001,67ns
DENSIDADES 2 564504,64** 124,07** 1339,50** 0,2286** 0,0222** 0,00070ns 3218,90** 1052,85** 26000,52**
BLOCO 2 802,45ns 6,80ns 151,92* 0,0610** 0,0285** 0,02408** 141,13* 142,83ns 12303,35**
CV*ESP 3 451,59ns 10,81* 60,53ns 0,0011ns 0,0036ns 0,00123ns 71,62ns 49,10ns 2683,89ns
CV*DEN 2 2113,87ns 11,94* 66,19ns 0,0097ns 0,0008ns 0,00208ns 115,21ns 83,85ns 493,02ns
ESP*DEN 6 16182,81ns 2,51ns 46,92ns 0,0082* 0,0008ns 0,00032ns 199,94ns 51,11ns 1928,01ns
CV*ESP*DEN 6 655,52ns 4,94ns 13,81ns 0,0025ns 0,0039ns 0,00039ns 26,49ns 128,78ns 1779,57ns
ERRO 46 1731,47 3,72 30,05 0,0031 0,0035 0,00073 32,70 73,48 2152,68
MÉDIA - 318 6,58 19,63 0,3985 0,7367 0,75640 27,62 86,67 144,20
CV (%) - 13,1 29,3 27,9 14,1 8,1 3,6 20,7 9,9 32,2
ns, não significativo, ** e *, significativo a 1% e 5% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
DEN INICIAL: densidade inicial; MSCA: massa seca de caules; MSFO: massa seca de folhas; NDVI: Índice de Vegetação por Diferença Normalizada; CSD:
cobertura do solo pelo dossel.
82
Anexo 4.4 – Resumo da análise de variância para as características agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das
cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades de semeadura na safra 2014/2015 em Londrina-PR
Quadrados médios
F.V GL
MSFO IAF
DEN FINAL NRAMOS ICA ALTURA INS 1ª VAG DIÂMETRO PROD
62 DAS 62 DAS
CULTIVAR 1 1359,63ns 0,086ns 20672,56** 2,940** 0,04753** 26,29ns 55,21** 30,66** 4491732,16**
ESPAÇAMENTOS 3 9870,75ns 1,508ns 17917,08** 2,305** 0,00005ns 74,00ns 5,12ns 0,70ns 148209,82ns
DENSIDADES 2 56670,30** 9,578** 364836,43** 54,612** 0,00002ns 153,39ns 75,31** 35,14** 216382,83ns
BLOCO 2 8636,41ns 2,257ns 3567,95* 0,101ns 0,00097ns 108,57ns 16,97* 1,01ns 936276,01**
CV*ESP 3 6448,16ns 2,320ns 1151,44ns 0,278ns 0,00217** 80,19ns 2,27ns 2,17* 378959,97ns
CV*DEN 2 818,17ns 0,283ns 253,35ns 0,059ns 0,00151* 252,99* 7,64ns 1,91ns 259212,19ns
ESP*DEN 6 3414,55ns 0,534ns 6817,67ns 0,759** 0,00061ns 102,03ns 9,24* 0,50ns 84223,49ns
CV*ESP*DEN 6 5709,77ns 1,322ns 1497,13ns 0,218ns 0,00083ns 80,75ns 7,44ns 0,67ns 138822,18ns
ERRO 46 4701,18 1,518 927,14 0,21 0,00046 71,08 3,74 0,66 171671,21
MÉDIA - 229,33 4,623 278,24 2,17 0,495 90,96 17,84 6,59 3105
CV (%) - 29,9 26,6 10,9 21,1 4,3 9,3 10,8 12,3 13,3
ns, não significativo, ** e *, significativo a 1% e 5% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
MSFO: massa seca de folhas; IAF: Índice de área foliar; DEN FINAL: densidade final; NRAM: número de ramos por planta; ICA: Índice de colheita aparente;
AP: altura de plantas; AIPV: altura da inserção da primeira vagem; DIAM: diâmetro do caule e PROD: produtividade.
83
5 CONCLUSÕES GERAIS
A cultivar BRS 359 RR apresenta maior NDVI, produtividade e
índice de colheita aparente em relação a cultivar BMX Potência RR por possuir
menor ciclo de desenvolvimento.
O espaçamento reduzido (20 cm) proporciona menor NDVI no
início do ciclo de desenvolvimento da cultura, entretanto, apresenta maior
massa seca de folhas e de caules no início do ciclo e diâmetro do caule. Todos
os espaçamentos apresentam o total fechamento do dossel no final do ciclo,
com exceção do espaçamento em fileira dupla (20/80 cm).
O espaçamento usual (50 cm) confere maior produtividade de
grãos.
A densidade de 150 mil sementes viáveis ha-1 ocasiona menor
NDVI e cobertura do dossel no início do ciclo, entretanto no final do ciclo essa
diferença se dissipa e todas as densidades apresentam pleno fechamento do
dossel.
A densidade de semeadura de 450 mil sementes viáveis ha-1
apresenta maiores altura de plantas, altura da inserção da primeira vagem,
massa seca de folhas e caules no início do ciclo da cultura e produtividade de
grãos e menores diâmetro do caule e número de ramos por planta.
Considerando as duas cultivares utilizadas na pesquisa, que
apresentam características morfofisiológicas similares à grande parte das
cultivares utilizadas no Brasil, o presente estudo não apresenta evidências de
que há arranjos alternativos mais adequados em relação ao que é feito pelos
agricultores (uso de espaçamentos de 45 a 50 cm e uso de densidades de
semeadura de 300 a 350 mil sementes viáveis ha-1).
Dissertação Flávia Werner - PDF.pdf
BANCA EXAMINADORA
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A cultura da soja
2.2 Densidades de semeadura na cultura da soja
2.3 Espaçamentos entre fileiras na cultura da soja
2.4 Condições Ambientais para o cultivo
2.4.1 Necessidades hídricas
2.4.2 Temperatura
2.4.3 Fotoperíodo
2.5 Cultivares
REFERÊNCIAS
3 ARTIGO A: DINÂMICA DO CRESCIMENTO DE CULTIVARES DE SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS DE PLANTAS
3.1 Resumo
3. 2 Abstract
3.3 Introdução
3.4 Material e Métodos
3.4.1 Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI)
3.4.2 Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel
3.4.3 Análise Estatística
3.5 Resultados e Discussão
Tabela 3.1 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura (médias de duas cultivares), safra 2013/14.
Tabela 3.2 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27 e 35 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras e duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Tabela 3.3 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27, 35, 43, 49 e 82 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Tabela 3.4 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 27, 35, 43, 49 e 82 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Tabela 3.5 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura (médias de duas cultivares), safra 2014/15.
Tabela 3.6 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33, 57 e 91 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Tabela 3.7 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33, 57 e 91 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Tabela 3.8 – Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) aos 33, 57 e 91 dias após a semeadura (DAS), em duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Tabela 3.9 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 27, 35, 43 e 49 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Tabela 3.10 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 27, 35, 43 e 49 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Tabela 3.11 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33 e 57 dias após a semeadura (DAS), em diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Tabela 3.12 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33 e 57 dias após a semeadura (DAS), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Tabela 3.13 – Porcentagem da cobertura do solo pelo dossel (CSD) aos 33 e 57 dias após a semeadura (DAS), em duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
3. 6 Conclusões
3. 7 Referências
4 ARTIGO B: DESEMPENHO AGRONÔMICO E PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE SOJA EM DIFERENTES ARRANJOS ESPACIAIS
4.1 Resumo
4.2 Abstract
4.3 Introdução
4.4 Material e Métodos
4.4.1 Densidade inicial de plantas
4.4.2 Índice de área foliar (IAF)
4.4.3 Massa seca de caules e de folhas
4.4.4 Densidade final de plantas
4.4.5 Altura de plantas
4.4.6 Altura da inserção da primeira vagem
4.4.7 Diâmetro do caule
4.4.8 Número de ramos por planta
4.4.9 Índice de colheita aparente
4.4.10 Produtividade de grãos
4.4.11 Análise Estatística
4.5 Resultados e Discussão
Tabela 4.1 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), número de ramos por planta e altura da inserção da primeira vagem (cm), em diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Tabela 4.2 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), número de ramos por planta, altura da inserção da primeira vagem (cm) e diâmetro do caule (cm), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Tabela 4.3 – Diâmetro do caule (cm) e produtividade de grãos (kg ha-1), em diferentes densidades de semeadura e duas cultivares de soja (médias de quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2013/14.
Tabela 4.4 – Produtividade de grãos (kg ha-1) em diferentes espaçamentos entre fileiras e duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura), safra 2013/14.
Tabela 4.5 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), massa seca de folhas aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2), índice de área foliar (IAF), massa seca de caules aos 62 DAS (g m-2),massa seca de folhas aos 62 DAS (g m-2), densidade final (mil plantas ha-1),altura da inserção da primeira vagem (cm) e diâmetro do caule (cm)em diferentes densidades de semeadura (médias de duas cultivares e quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Tabela 4.6 – Densidade inicial (mil plantas ha-1), massa seca de folhas aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2) e densidade final (mil plantas ha-1), em diferentes espaçamentos entre fileiras (médias de duas cultivares e três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Tabela 4.7 – Massa seca de folhas aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2), massa seca de caules aos 62 DAS (g m-2), número de ramos por planta e produtividade de grãos (kg ha-1) de duas cultivares de soja (médias de quatro espaçamentos entre fileiras e de três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Tabela 4.8 – Massa seca de caules aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2), índice de colheita aparente e diâmetro do caule (cm) em diferentes espaçamentos entre fileiras e duas cultivares de soja (médias de três densidades de semeadura), safra 2014/15.
Tabela 4.9 – Massa seca de caules aos 30 dias após semeadura (DAS) (g m-2), índice de colheita aparente, altura da inserção da primeira vagem(cm) e altura de plantas (cm)em diferentes densidades de semeadura e duas cultivares de soja (médias de quatro espaçamentos entre fileiras), safra 2014/15.
Tabela 4.10 – Número de ramos por planta e altura da inserção da primeira vagem (cm) em diferentes espaçamentos entre fileiras e densidades de semeadura (médias de duas cultivares), safra 2014/15.
4.6 Conclusões
4. 7 Referências
Anexo 4.3 – Resumo da análise de variância para as características agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades de semeadura na safra 2014/2015 em Londrina-PR.
Anexo 4.4 – Resumo da análise de variância para as características agronômicas avaliadas em plantas de soja, em função das cultivares, dos espaçamentos entre fileiras e de densidades de semeadura na safra 2014/2015 em Londrina-PR
5 CONCLUSÕES GERAIS