Borghi, Sergio MarquesOliveira, Stefanie de Lima2026-09-232026-09-232026-07-17https://repositorio.uel.br/handle/123456789/20010Introdução: A dor é um dos sintomas mais frequentes em pessoas com câncer, podendo afetar até 70% dos pacientes, dependendo do estágio da doença. A dor oncológica pode ter origem no próprio câncer (crescimento tumoral que danifica tecidos e/ou pressão sobre os nervos), nas lesões metastáticas em órgãos vitais (como fígado e ossos) e nos tratamentos relacionados (radioterapia, quimioterapia, etc.). O modelo do tumor de Ehrlich (TE) é uma neoplasia epitelial maligna originária do adenocarcinoma mamário de camundongos fêmeas. Embora seja amplamente utilizado para o estudo da biologia tumoral e triagem de medicamentos, o TE também produz dor nociceptiva somática sustentada, que ocorre principalmente por meio da invasão e danos aos tecidos adjacentes devido ao crescimento tumoral. Neste estudo, o modelo TE será utilizado pela primeira vez para investigar os efeitos e mecanismos do exercício físico sobre a dor oncológica. Métodos: Camundongos fêmeas da linhagem Swiss foram divididos aleatoriamente em grupos controle e TE (inoculação intraplantar de células tumorais), expostos ou não ao exercício físico (45 dias) (n = 5-8) para avaliações de: 1) espessura da pata, hiperalgesia mecânica e térmica; 2) ativação neuronal dos gânglios da raiz dorsal (DRG) por imagem de cálcio em microscópio confocal; e 3) funcionalidade do sistema inibitório descendente da dor (SIDD) por abordagens farmacológicas. Resultados: O TE aumentou a espessura da pata e a hiperalgesia mecânica e térmica de maneira dose dependente, sendo que as duas doses mais altas não eram compatíveis com a duração de experimento necessária sem atingir o limiar humanitário. A dose de 103 foi escolhida para os próximos experimentos. Por sua vez, os camundongos TE expostos ao exercício físico apresentaram hiperalgesia mecânica e térmica reduzida, notável a partir dos 18-20 dias. No final do período de treinamento (dia 46), os camundongos TE apresentaram redução da atividade basal dos neurônios do DRG em relação aos seus pares TE não exercitados e, por meio da estimulação com capsaicina e AITC, demonstramos que esses neurônios são positivos para o receptor de potencial transitório vanilóide 1 (TRPV1) e anquirina 1 (TRPA1), respectivamente. Finalmente, utilizando tratamentos intratecais com antagonistas dos receptores de serotonina (5-HT1A) e antagonistas dos receptores adrenérgicos a2 (WAY-100635 e ioimbina, respectivamente), mostramos que camundongos não exercitados não respondem ao tratamento (sugerindo disfunção do SIDD); no entanto, em camundongos treinados, a analgesia é revertida, e os camundongos novamente apresentam hiperalgesia mecânica e térmica, destacando a atividade restaurada do SIDD. Conclusão: Esses dados revelam, pela primeira vez, que o exercício físico pode reduzir a dor oncológica, por meio de um mecanismo que envolve a redução da atividade dos neurônios aferentes primários TRPV1+/A1+ e a restauração da função da via inibitória descendente da dor.porExercício físicoTreinamento de nataçãoCâncer de mamaTumor de EhrlichDor oncológicaCanais TRPMecanismos descendentes da dorCamundongosExercício físico reduz a dor oncológica induzida pelo tumor de Ehrlich em camundongosPhysical exercise reduces cancer pain induced by the Ehrlich tumor in miceDissertaçãoCiências da Saúde - MedicinaCiências da Saúde - MedicinaPhysical ExerciseSwimming trainingBreast cancerEhrlich tumorCancer painTRP channelsDescending pain mechanismsMice