Cordeiro, Sílvia NogueiraCosta, Josiane Santos2026-08-282026-08-282026-04-06https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19760O termo envelhescência foi cunhado na psicanálise brasileira e trata-se do desencontro entre a temporalidade do corpo organismo que envelhece e a atemporalidade do inconsciente, experiência que impõe ao sujeito o trabalho psíquico singular de elaboração da própria velhice. O presente trabalho objetivou investigar a experiência psíquica de envelhecer para mulheres usuárias de um ambulatório de saúde da mulher, pretendendo analisar os efeitos subjetivos de envelhecer que emergiram em suas falas e; discutir a possível relação entre o mal-estar psíquico endereçado ao serviço de saúde, na forma do adoecimento do corpo, e a experiência psíquica da envelhescência. Assim, para o percurso dessa investigação, foi utilizado o método psicanalítico de pesquisa, sendo que os achados foram recolhidos pela observação direta do campo e pelo instrumento de entrevista individual semi-dirigida, material cujas análises possibilitaram uma leitura metapsicológica das experiências relatadas. Esta pesquisa apontou que, para as mulheres participantes, as perdas que suas velhices lhes impõem, como as perdas no corpo, de familiares, dos ideais narcísicos e do lugar simbólico no laço social, parecem lhes desvelar algo do real da castração. Real, diante do qual, parecem produzir como efeito um rechaço da velhice que lhes retorna como o estranho recalcado, a velhice transformada em tabu, o desamparo psíquico manifesto na forma de solidão, e ainda, o que pareceu se configurar como uma questão sobre a feminilidade, sobre o tornar-se mulher, agora, idosa. Para além disso, esta investigação também indicou, para essas mulheres, uma possível relação entre o adoecimento do corpo e suas envelhescências, na medida em que o endereçamento de seus corpos adoecidos ao serviço de saúde, parece ser uma tentativa de recobrir as perdas de insígnias fálicas e de significantes nos quais ancoravam seus lugares simbólicos no laço com o outro e suas identificações imaginárias como mulher. Nesse sentido, o traço “cuidadora” pareceu se fragilizar para elas colocando-as em certo desamparo e, como efeito, fazer emergir a pergunta: como envelhe(ser) mulher? Por fim, compreendemos que a envelhescência pode ser uma inovação diante do real da castração descortinado na velhice e que, o lugar privilegiado à palavra das pacientes desse ambulatório, representa um espaço potencial e frutífero em que essas mulheres-sujeitos podem tocar em algo de seus furos e, no trabalho singular e no laço coletivo, podem tecer novos remendos em suas experiências de envelhe(ser) mulher, cada uma a seu modoporEnvelhescênciaMulheresPsicanáliseVelhiceEnvelhecimentoEnvelhe(ser) mulher: escutas psicanalíticas de mulheres na envelhescênciaAging (being) a woman: psychoanalytic listenings to women in “envelhescência”DissertaçãoCiências Humanas - PsicologiaCiências Humanas - Psicologia“Envelhescência”WomenPsychoanalysisOld ageAging