Bortoletto, Maira Sayuri SakayElias, Gabriel Pinheiro2026-03-132026-03-132024-02-28https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19175As pessoas que vivem na rua expressam modos de vida diversificados e singulares que implicam em suas demandas de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) conta com os Consultórios na Rua (CnaR), dispositivo que visa prestar assistência e articular tais demandas in loco, garantindo a integralidade de seus cuidados. O objetivo deste trabalho foi cartografar uma vivência sobre o cuidado em saúde junto a um casal-guia que vive na rua, referenciado a um CnaR. É um estudo cartográfico conforme a obra Cartografia Sentimental, de Suely Rolnik. Tal abordagem consiste ao pesquisador trazer as afetações vividas em campo enquanto material analítico à temática. O campo em questão foi o CnaR de um município no Paraná no qual me integrei à rotina de trabalho da equipe no decorrer do segundo semestre de 2022. A partir dessa imersão, foi utilizado como dispositivo o usuário-guia que consistiu, então, em elencar um usuário do CnaR conhecido pela equipe por representar um alto grau de complexidade na dinâmica do serviço. Esse dispositivo preconiza buscar ir de encontro a esse usuário e se permitir afetar por tal. No caso, esse trabalho ressaltou um casal que vive na rua, de feição alegre, que tencionava a equipe à uma disputa de perspectivas pela produção do cuidado. Assim, essas afetações vividas foram registradas em diário cartográfico e discutidas à luz de autores da esquizoanálise. A análise dessas afetações apontou os eixos de discussão: biopoder, biopolítica e biopotência. O desejo de maternidade nesse casal convocou em nós uma postura de dissuasão, com ofertas majoritariamente de anticoncepcionais, e nos trouxe um conflito ético-moral sobre o controle do desejo do outro. Logo, se discorreu que quando esse casal buscou adotar um estilo de vida de moradia regular que atendeu nossas expectativas de cuidados em saúde, que supostamente legitimassem seu desejo – porém, o antes alegre casal agora aparentava apático e sem projeções como quando estavam na rua. Por fim, após cerca de duas semanas, retornaram à rua. Tal evento trouxe alívio, pois, a ótica de que a moradia regular seria o melhor para eles, pensado enquanto profissional de saúde, minou o que se entende enquanto a potência de vida desse casal. Independente do debate das condições adequadas a uma maternidade, nosso trabalho deve se voltar ao diálogo com a potência de vida, não ao controle sobre ela. A cartografia evidenciou tanto os elementos velados de uma perspectiva de cuidado orientada pelo controle do outro, quanto aqueles voltados à potência de vida – exercício analítico fundamental para práticas ampliadas e integrais de cuidadoporPessoas em situação de ruaAtenção Primária à SaúdeIntegralidade em SaúdeCartografiaSaúdeBiopoderBiopolíticaSistema Único de SaúdeCartografias sobre o cuidado em saúde junto a um casal-guia que vive na ruaCartographies about health care with a guide-couple that lives on the streetsDissertaçãoCiências da Saúde - Saúde ColetivaCiências da Saúde - Saúde ColetivaHomeless PersonsPrimary Health CareIntegrality in HealthCartographyHealthBiopowerBiopoliticsUnified Health System