Gallo, Alex EduardoFonseca, Gustavo Foz2026-08-272026-08-272026-02-27https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19654O ideal normativo de masculinidade, que prescreve características como força, virilidade e restrição emocional à identidade masculina, está associado a consequências sociais e individuais adversas, incluindo violência e altos índices de morbimortalidade entre os homens, como suicídio, acidentes e dificuldades interpessoais. Este trabalho propõe uma caracterização comportamental-contextual da masculinidade e da intimidade, com o objetivo de descrever como os comportamentos associados ao gênero masculino impactam no desenvolvimento de vínculos íntimos nas relações sociais dos homens. Faz isso adotando uma perspectiva funcional do gênero e integrando os três níveis de seleção por consequências do modelo skinneriano, bem como uma descrição comportamental-contextual do comportamento simbólico, à análise da masculinidade. A pesquisa empregou um método qualitativo, exploratório-descritivo, utilizando a Escala de Concepções de Masculinidade (ECM) para caracterização dos participantes e um roteiro de entrevista semi-estruturado para coleta de dados. A análise temática dos relatos dos participantes foi guiada pelas categorias da ECM e por unidades temáticas emergentes. Os dados foram organizados em torno de dois eixos principais: Masculinidade Hegemônica, com subcategorias como Heterossexismo e Restrição Emocional e Intimidade, abordada a partir de três diferentes configurações da dinâmica vulnerabilidade-responsividade, sendo elas: Expressão Emocional Não Verbal e Suporte, Expressão Emocional Verbal e Validação, e Pedir e Dar. Os resultados sugerem que regras culturais de gênero exercem controle sobre o comportamento dos participantes, especialmente quanto à restrição emocional. No eixo Intimidade, observou-se déficits nas habilidades de auto revelação verbal e validação emocional e uma frequência maior de suporte instrumental, em detrimento do suporte emocional, como resposta à auto revelação vulnerável da outra pessoa da díade. Conclui-se que regras culturais amplamente compartilhadas pela comunidade verbal podem promover padrões comportamentais que, embora produzam reforçamento social no curto prazo, contribuem para dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais íntimas ao longo do tempo. Como desdobramentos futuros, sugere-se a ampliação do número de participantes, a inclusão de homens que estão inseridos em outras categorias sociais de análise, como diferentes orientações sexuais, raça e classe, e o desenvolvimento de pesquisas clínicas e aplicadas voltadas ao treino de repertórios que facilitem o desenvolvimento da intimidade, como auto revelação verbal, validação emocional e responsividade interpessoal. A compreensão destes processos comportamentais-contextuais envolvidos na socialização masculina pode ser fundamental para a proposição de novos arranjos culturais e para promover o desenvolvimento de repertórios mais flexíveis para os homens.porMasculinidadeIntimidade (Psicologia)Análise do ComportamentoMasculinidade e intimidade nas relações sociais: uma caracterização comportamental-contextualMasculinity and intimacy in social relationships: a behavioral-contextual characterizationDissertaçãoCiências Humanas - PsicologiaCiências Humanas - PsicologiaMasculinityIntimacy (Psychology)Behavior Analysis