Sei, Maíra BonaféKaster, Manuela Almeida2026-08-252026-08-252026-05-29https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19571A presente pesquisa aborda a vivência conjugal perpassada por uma perda gestacional, seja ela precoce (entre a concepção e a 20ª semana), tardia (a partir da 28ª semana) ou também a morte neonatal (bebê nasce vivo e vem a falecer após o nascimento). Por mais traumático que seja lidar com a perda do bebê imaginário e do bebê real, esta especificidade de luto é desvalorizada socialmente. De acordo com a literatura, o processo de elaboração da perda gestacional acarreta inúmeros desafios aos envolvidos, sendo frisado o sofrimento por parte da mulher e frequentemente excluída a participação do homem neste processo elaborativo. Além da baixa quantidade de estudos que descrevem as implicações psicológicas e emocionais pela perspectiva do homem, há um número menor ainda de estudos que associam a conjugalidade com a ocorrência do óbito fetal. Ou seja, a significativa relevância acadêmica desta pesquisa é apresentada na proposição de um estudo que analise a dinâmica conjugal face à perda gestacional. Sendo assim, o principal objetivo deste estudo é investigar o papel de uma intervenção psicológica mediada por recursos artístico-expressivos para acolhimento de casais face à perda gestacional tardia. A partir deste objetivo central, foram delineados os seguintes objetivos específicos: refletir sobre os encontros como espaço de holding para casais que vivenciaram perda gestacional tardia e identificar as contribuições de recursos mediadores como linha da vida, genograma, espaçograma e arte-diagnóstico familiar nas entrevistas iniciais com casais. Para o alcance dos objetivos citados, a metodologia seguida foi da pesquisa qualitativa, por meio do estudo de casos múltiplos, cuja amostra foi composta por casais unidos em matrimônio ou legalmente em união estável que passaram por perda gestacional entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025 e que desejassem participar voluntariamente da pesquisa. Foram realizadas entrevistas com dois casais, perfazendo um total de até oito sessões, cada qual com duração de uma a duas horas, realizadas na Clínica Psicológica da Universidade Estadual de Londrina, por meio do projeto extensionista da universidade intitulado por “Clínica Psicanalítica de Casal e Família na Clínica Psicológica da UEL - Fase 2”. Por meio do estudo dos casos clínicos múltiplos, com discussões amparadas pelos aportes psicanalíticos, observou-se que os atendimentos realizados propiciaram o compartilhamento das vivências dos casais, favorecendo o processo de elaboração do luto. Notou-se que os recursos artístico-expressivos estabelecem uma diferente via de comunicação em sessão, pertinente especialmente face ao indizível advindo da perda de um filho. Tratou-se de uma intervenção psicológica que se diferencia tanto por acolher os casais, e não como atendimento individual que propõe escutar apenas um dos pais, como por ter sido disponibilizada aos casais pouco tempo após a vivência da perda. Com isso, teve-se um espaço para que o casal pudesse se expressar estabelecendo um diálogo nem sempre possível em outros contextos. Considera-se, então, que a proposta interventiva delineada desempenhou um papel relevante na promoção da saúde dos casais, minimizando a chance de agravos futuros, cabendo estudos com casais que vivenciaram perda em outros momentos da gestação.porPerda gestacionalLutoConjugalidadePsicoterapia de casalPsicologiaMorte fetalAtendimento a casais mediado por recursos expressivos face à perda gestacional: estudo de casosSupport for couples experiencing pregnancy loss through expressive resources: case studyDissertaçãoCiências Humanas - PsicologiaCiências Humanas - PsicologiaPregnancy lossGriefConjugalityCouples psychotherapyPsychologyFetal deathBereavementMarital psychotherapy