Laurenti, CarolinaFonseca, Thaís Sousa Silva Belo da2026-05-252026-05-252025-08-25https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19262O comportamentalismo radical é a filosofia da ciência do comportamento proposta por B. F. Skinner. A radicalidade dessa proposta na psicologia consiste na ideia de suficiência do comportamento para explicar a ele mesmo, isto é, sem recorrer a instâncias mediacionais que o produzam. Essa noção coloca o comportamento como central na explicação de fenômenos psicológicos complexos, que são tradicionalmente interpretados como sintomas ou subprodutos de instâncias existentes em outros sistemas dimensionais. Para viabilizar sua proposta de filosofia e de ciência, Skinner precisou explicar fenômenos como a criatividade, a resolução de problemas, o pensamento, a percepção, entre outros, por meio da sua proposição de comportamento e apenas dela. Para tanto, a noção de comportamento precorrente parece ter sido crucial. Esse conceito aparece em diversos momentos da produção intelectual de Skinner, atrelada a fenômenos interpretados como complexos pela literatura, o que sinaliza que ela pode ter tido um papel importante na filosofia de B. F. Skinner. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa teórico-conceitual consistiu em apresentar uma síntese interpretativa da formulação e da função teórico-argumentativa do conceito de comportamento precorrente na proposta filosófica de B. F. Skinner. Para isso, foi realizada uma investigação em toda a produção intelectual de Skinner: livros, artigos científicos e não-científicos. Foi realizado um rastreio em todos os arquivos em formato de ficheiro digital portátil (PDF) do(s) termo(s) comportamento/resposta “precorrente” e “preliminar”. Todas as ocorrências foram catalogadas e todos os textos em que a noção apareceu foram lidos na íntegra. Foram conduzidas duas análises a partir dos achados. A primeira análise, operacional, foi realizada a partir da proposição do próprio Skinner em 1945 no texto “A análise operacional de termos psicológicos”, em que o autor sugere que o “significado” de termos psicológicos só pode ser sugerido a partir do contexto em que esses termos aparecem. Assim, o significado do termo precorrente foi identificado e proposto a partir da coletânea de ocorrências e identificação dos contextos em que o termo apareceu. O resultado dessa investigação revelou que o termo precorrente (e correlatos) apareceu 61 vezes nos escritos de Skinner, entre os anos de 1930 e 1970, nos seguintes contextos: (a) como comportamentos que afetam a medição de outros comportamentos de interesse, (b) como comportamentos de atenção e observação, (c) como atividades cognitivas e (d) como manejo de condições motivacionais. A partir disso, propôs-se uma definição que levasse em consideração todos os usos feitos pelo autor. Pode-se dizer que Skinner considerava comportamentos precorrentes como respostas que a) são necessárias para a ocorrência subsequente de uma resposta operante terminal que, em última instância, produz reforçamento (ou minimiza/remove/evita estimulação aversiva) e/ou b) tornam a ocorrência de uma resposta operante terminal mais provável. A segunda parte da investigação consistiu em uma análise conceitual dos textos em que essa noção se fez importante. Para tanto, foi realizado o Procedimento de Interpretação Conceitual de Texto (PICT) em todos os textos em que o termo “precorrente” foi utilizado pelo autor. Foi possível identificar que o termo precorrente apareceu nos escritos de Skinner de forma recorrente vinculado a diversos fenômenos psicológicos complexos, como a resolução de problemas, o pensamento, o autogerenciamento intelectual, a criatividade, a tomada de decisão, o pensamento, o raciocínio, a memória, a percepção, a atenção, o autocontrole, a tomada de decisão, a liberdade e a autonomia. A análise mostrou que tais fenômenos eram tradicionalmente explicados a partir de propostas mentalistas, que foram fortemente criticadas por Skinner. A tese alternativa para explicar esses fenômenos sem recorrer às instâncias e estruturas mediacionais (como a mente ou o cérebro) foi a de que o comportamento é suficiente para explicar a ele mesmo e que tais fenômenos podem ser explicados a partir da noção de comportamento precorrente. A noção de precorrente mantém seu núcleo conceitual em torno da noção de comportamento que afeta a ocorrência de outro comportamento, mas apresenta particularidades funcionais para cada um dos fenômenos discutidos pelo autor, adquirindo diferentes características predominantes. Em alguns contextos o precorrente funciona como modulador intelectual (como na discussão sobre resolução de problemas, raciocínio e pensamento), em outros como fator de ampliação da agência do indivíduo (como ao discutir tomada de decisão, autocontrole e liberdade) e em outros com uma função na geratividade da resposta (na discussão sobre criatividade e percepção). A partir disso, defendeu-se o papel central da noção de precorrente na proposta de radicalidade do comportamentalismo de Skinner, uma vez que a noção de precorrente assegurou que o autor pudesse discutir sobre fenômenos psicológicos complexos, tradicionalmente atribuídos à uma estrutura cognitiva, mantendo-se fiel ao princípio estabelecido de explicar o comportamento por meio dele mesmo. Foi apresentada, por fim, a proposta de que o precorrente possa ser interpretado como um princípio articulador central da cognição e do comportamento humano complexo na perspectiva comportamentalista radicalporComportamento precorrenteComportamentalismo Radical (Psicologia)EpistemologiaAnálise do ComportamentoCogniçãoTeoria da menteO conceito de comportamento precorrente em B. F. SkinnerThe concept of precurrent behavior in B. F. SkinnerTeseCiências Humanas - PsicologiaCiências Humanas - PsicologiaPrecurrent behaviorEpistemologyRadical behaviorism (Psychology)Behavior AnalysisCognitionTheory of mind