Lanza, FábioRodrigues, Franciele2026-02-092026-02-092025-10-29https://repositorio.uel.br/handle/123456789/19109Esta pesquisa busca identificar quais são os sentidos pretendidos pelos discursos do programa Godllywood Girls para a educação de gênero. A iniciativa é desenvolvida pela Igreja Universal do Reino de Deus e chegou ao Brasil em 2010, mesmo ano em que as manifestações antigênero começaram a obter maior projeção no país, tendo como um de seus principais alvos, o rechaço à inclusão dos debates sobre gênero nos espaços escolares (BIROLI, 2018; MARTINEZ, 2020). O programa conta a Godllywood School: “uma escola para a vida” voltada exclusivamente para meninas de 6 a 15 anos, localizada no Templo de Salomão, sede nacional da Universal. De dimensão transnacional, a iniciativa tem como finalidade principal “resgatar a essência feminina” (UNIVERSAL, 2023). Diante disso, esta investigação parte das seguintes questões: quais são os materiais e estratégias de comunicação produzidos pelo programa Godllywood Girls? Quais sentidos podem ser apreendidos dos discursos presentes nestes materiais no que tange à educação de gênero? As hipóteses iniciais partem da compreensão de que o programa Godllywood Girls opera como uma tecnologia colonial de gênero (LAURETIS, 1994; LUGONES, 2020; CASANOVA, 2006) responsável por estabelecer um discurso universalizante sobre “ser mulher” e acerca da noção de família, concepções estas assentadas em uma leitura dominante da cultura cristã ocidental e, portanto, reprodutora de estigmas e violências de gênero. Neste estudo, a perpetuação de opressões de gênero é vislumbrada tanto em cenário nacional, haja vista a invisibilidade às identidades, sexualidades dissidentes bem como a outros modelos de famílias para além do arranjo patriarcal, mas também em contexto internacional, já que o programa está presente em 77 países, apresentando crescimento, principalmente, no continente africano. A premissa leva a considerar a participação da Igreja Universal na ofensiva antigênero no Brasil, visto que além de propagar discursos contra o debate de gênero nos currículos escolares, a denominação cria a sua própria escola para ensinar garotas a serem mulheres que “agradem a Deus”. Neste estudo foram empregados os seguintes passos teórico-metodológicos: pesquisa bibliográfica, análise de discurso e de conteúdo. No total, foram analisados 42 vídeoaulas ofertadas para as garotas e dois livros empregados pelo programa, a saber: “Tecnicamente virgem – Qual é o limite?” e “Sexy Girls”. O trato de todas as informações coletadas ocorreu por meio da triangulação de dados. Foi possível apreender que através do programa, a Universal tem propagado uma série de regras que são repassadas às meninas visando moldar seus comportamentos e pensamentos. Além disso, constata-se que com o Godllywood Girls, a igreja tem fabricado uma modelo de feminilidade conservadora neoliberal (BROWN, 2019; MARTINEZ, 2020), que busca reafirmar papeis tradicionais de gênero, alicerçados no binarismo e heterossexualidade compulsória ao mesmo tempo em adota valores neoliberais como o “empreendedorismo de si”, a entrega de resultados, o controle do tempo, a meritocracia como sensores de conduta. A iniciativa também legitima apenas o arranjo de família patriarcal, violentando a existência de outros modelos e, ainda, associa identidades de gênero e sexualidades a “modismos” que estariam, segundo a igreja, difundindo “valores antifamiliares”. Verifica-se também que através do programa, a igreja contraria conquistas dos movimentos feministas, reconhecendo apenas aquelas que encampadas, sobretudo, pelo feminismo neoliberal. Nota-se que com o programa, a Universal objetiva a construção da “mulher virtuosa”, que é aquela multitarefa, que cuida da aparência, da casa, carreira, da família e dá suporte ao marido – sempre privilegiando o espaço doméstico ante o público. Percebe-se que através do Godllywood Girls, a Universal anseia incutir desde a infância e a adolescência a “política da prosperidade” (TEIXEIRA, 2018) entre as garotas, recorrendo ao controle do corpo e imaginários para estabelecer uma disciplina individual e familiar orientada pela lógica do desempenho. Assim, a igreja torna-se uma força importante na propagação do conservadorismo e da agenda antigênero na medida em que oferta um letramento de gênero que biologiza e universaliza as identidades bem como individualiza as desigualdades e violênciasporIURDGodllywood GirlsEducaçãoAntigêneroConservadorismoGêneroReligiãoFeminilidadeNeoliberalismoPatriarcadoAnálise de discursosGodllywood Girls: um projeto colonizador de corporalidades e imaginários de meninas no âmbito da Igreja Universal do Reino de DeusGodllywood Girls: a project colonizing the corporalities and imaginations of girls within the Universal Church of the Kingdom of GodTeseCiências Humanas - SociologiaCiências Humanas - SociologiaIURDGodllywood GirlsEducationAnti-genderConservatismGenderReligionFemininityNeoliberalismPatriarchyDiscourse analysis